Publicado 29/07/2025 13:08

Pesquisadores descobrem que correções genéticas espontâneas em uma imunodeficiência rara não curam pacientes infantis

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THEPOO/ ISTOCK - Archivo

MADRID 29 jul. (EUROPA PRESS) -

Um novo estudo identificou por que as correções genéticas espontâneas em uma imunodeficiência rara não curam os pacientes infantis. A pesquisa explica por que, apesar da recuperação natural do gene defeituoso ou das reversões somáticas espontâneas em um gene chamado CD247 em pacientes infantis com um sistema imunológico incapaz de combater infecções (também chamado de imunodeficiência), isso não é suficiente para restaurar sua saúde.

É o que revela um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Complutense de Madri (UCM) e do Instituto de Investigación Sanitaria 12 de Octubre (imas12) em colaboração com o Centro Severo Ochoa de Biologia Molecular (CSIC-UAM).

A imunodeficiência causada por mutações congênitas no gene CD247 é uma doença rara que afeta gravemente o sistema imunológico. As pessoas com essa condição têm problemas para desenvolver e usar adequadamente suas células imunológicas, especialmente os linfócitos T, um tipo de glóbulo branco que faz parte do sistema imunológico e ajuda a proteger o corpo contra infecções.

De acordo com o estudo, publicado no Journal of Clinical Immunology por Alejandro Briones como resultado de sua tese de doutorado no Departamento de Imunologia da Faculdade de Medicina da UCM, alguns linfócitos T nesses pacientes sofrem naturalmente reversões somáticas, ou seja, correções espontâneas do gene CD247 defeituoso. No entanto, isso não é suficiente e, apesar de restaurar a molécula afetada, a condição clínica do paciente não melhora.

"Essas mutações realmente ocorrem em todos nós, mas em uma frequência muito baixa e são indistinguíveis dos linfócitos T normais. Nesses pacientes, por causa das mutações congênitas, as poucas células T corrigidas se destacam das células T não corrigidas, o que permite que elas sejam facilmente detectadas", diz Briones.

"Nossos resultados mostram que restaurar a expressão da molécula CD247 por si só não é suficiente: as células corrigidas não atingem a funcionalidade total", explica Paula P. Cárdenas, pesquisadora do mesmo departamento e co-diretora do estudo.

Para estudar esse fenômeno, a equipe desenvolveu modelos de células humanas de células T com deficiência de CD247 usando a tecnologia CRISPR/Cas9. Diferentes correções espontâneas de CD247 foram introduzidas nesse modelo, permitindo que o efeito dessas correções fosse comparado ao das células normais.

Essas descobertas aumentam nossa compreensão da fisiopatologia da deficiência de CD247 e de outras imunodeficiências primárias. "Isso também nos ajuda a entender as mutações somáticas, um processo sujeito ao acaso, que, por sua vez, é responsável pelo câncer. Os modelos celulares 'in vitro' são mais informativos do que os programas de computador preditivos e fornecem informações sobre os extremos da imunopatologia dependente de linfócitos T: os excessos causam autoimunidade e os defeitos causam infecções", acrescenta José R. Regueiro, pesquisador do Departamento de Imunologia, Oftalmologia e Otorrinolaringologia da UCM.

O próximo passo, diz Ana Marín, outra coautora do mesmo departamento, será usar esses modelos celulares para estudar os efeitos de mutações congênitas isoladas que são frequentemente detectadas nos linfócitos T de pacientes com várias patologias, mas cujo impacto clínico é desconhecido: elas poderiam predispor a doenças do sistema imunológico, como autoimunidade ou imunodeficiência, ou até mesmo leucemias e linfomas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático