Publicado 20/07/2026 09:13

Pesquisadores demonstram que é possível que dezenas de plantas coexistam em um único palmo de terra

Plantas
URJC

MADRID 20 jul. (EUROPA PRESS) -

Um estudo do Instituto de Pesquisa em Mudanças Globais da Universidade Rey Juan Carlos (IICG-URJC) revela como é possível que dezenas de plantas diferentes possam coexistir em um único palmo de terra.

A pesquisa, baseada no acompanhamento detalhado de mais de 45.000 pequenas plantas e publicada na revista New Phytologist, descarta a visão tradicional de que as comunidades vegetais são estáticas, ou seja, que permanecem praticamente inalteradas com o passar do tempo.

Com esse trabalho, o IICG-URJC demonstrou que o clima, a idade da planta e a integridade do solo alteram constantemente as regras do jogo. Para realizar o estudo, a equipe mediu características-chave das plantas, como o tamanho de suas sementes ou a espessura de suas folhas, e comparou como elas se distribuíam no terreno durante dois anos com climas opostos: um seco e outro chuvoso.

Os resultados revelaram que as plantas com características semelhantes tendem a se agrupar nas mesmas áreas porque compartilham afinidades com o terreno. No entanto, o clima altera completamente o mapa: quando chega um ano chuvoso, o efeito se intensifica.

Isso ocorre porque, ao haver mais água disponível, as plantas com estratégias semelhantes são forçadas a se concentrar juntas nos pontos mais favoráveis. Essa descoberta demonstra que o clima reflete quem se dá bem com quem.

O estudo descobriu que as plantas são muito mais sensíveis às suas diferenças biológicas quando são mudas pequenas do que quando são adultas. Nas primeiras semanas de vida, uma mínima mudança na espessura da folha determina quais espécies podem crescer juntas.

Além disso, os pesquisadores analisaram a crosta biológica do solo, que é a fina camada de líquenes, microorganismos e musgos que o reveste e protege em áreas áridas. Ao quebrar essa crosta com um martelo, o ecossistema se desestruturou. Sem essa proteção, as plantas perderam a capacidade de prever como se organizariam no espaço.

“Acreditava-se que as regras da natureza fossem muito mais rígidas, mas é fascinante ver que a convivência vegetal é, na verdade, uma negociação constante. Aqui não sobrevive simplesmente o mais forte, mas aquele que melhor sabe interpretar as condições de seu entorno a cada momento”, destaca Ezequiel Antorán, pesquisador do IICG-URJC e coautor do estudo.

A descoberta tem implicações importantes que vão muito além desta pesquisa. Os pesquisadores apontam que, para proteger os ecossistemas diante das mudanças climáticas, não basta saber quais são as características de uma planta.

“Precisamos saber quando e onde elas atuam”, ressaltam. Este trabalho foi desenvolvido inteiramente por uma equipe de pesquisadores do IICG-URJC, formada por Ezequiel Antorán, Joaquín Calatayud, Ana L. Peralta, Adrián Escudero, Ana M. Sánchez, Aránzazu L. Luzuriaga e Marcelino de la Cruz.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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