TERUEL 15 set. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de paleontólogos da Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis descreveu fósseis de um dinossauro saurópode provenientes do sítio arqueológico La Tejería, no município de El Castellar (Teruel).
Os resultados de sua pesquisa, publicados recentemente na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology, permitiram identificar esses restos como pertencentes ao gênero Diplodocus, um dinossauro que, até agora, só havia sido encontrado no Jurássico da América do Norte.
Os saurópodes, popularmente conhecidos como “pescoçudos”, constituem um dos grupos mais característicos de dinossauros. Em geral, eram animais herbívoros, quadrúpedes, com cauda e pescoço longos, e uma cabeça relativamente pequena em relação ao comprimento total do corpo. Dentro desse grupo, os diplodócidos se destacam principalmente por suas caudas extremamente longas.
O espécime estudado de El Castellar provém de sedimentos que datam do final do período Jurássico, há cerca de 150 milhões de anos, e é representado por quatorze vértebras, pertencentes à região média e posterior da cauda, e por vários chevrons — ossos que se articulam com a parte inferior das vértebras.
Seu estudo permitiu identificá-lo como pertencente ao gênero Diplodocus, sendo classificado como Diplodocus sp. A cauda do Diplodocus apresenta um conjunto de características anatômicas distintas, entre as quais se destacam grandes cavidades pneumáticas nas vértebras, corpos vertebrais alongados sem cristas laterais, sulcos longitudinais profundos na superfície inferior das vértebras e chevrons bifurcados.
CULTURA POPULAR
O Diplodocus é um dos dinossauros mais reconhecíveis da cultura popular desde sua descoberta nos Estados Unidos em 1878. Por isso, já desde o início do século XX, réplicas de seu esqueleto são exibidas nos principais museus de história natural do mundo, tornando-se um símbolo da paleontologia mundial.
Sua presença em exposições e produções audiovisuais sobre dinossauros contribuiu para torná-lo um dos “lagartos terríveis” mais conhecidos pelo público em geral.
O pesquisador da Fundação Dinópolis e primeiro autor do artigo, Sergio Sánchez Fenollosa, explicou que “o estudo anatômico e as análises evolutivas realizadas nos permitiram identificar o espécime de El Castellar como pertencente ao gênero Diplodocus”.
“Trata-se de um dos diplodócidos mais completos descobertos até o momento na Europa e constitui a primeira evidência desse gênero fora da América do Norte. Essa descoberta fornece uma das evidências paleontológicas mais sólidas de episódios de dispersão e intercâmbio faunístico entre os dois continentes através do proto-Oceano Atlântico durante o Jurássico Superior”.
“Além disso, essa descoberta nos permite compreender melhor os ecossistemas mesozóicos ibéricos e a diversidade de dinossauros saurópodes que habitavam a Europa jurássica”.
Por sua vez, o diretor-gerente da Fundação Dinópolis e coautor deste artigo, Alberto Cobos, destacou que “o Diplodocus de El Castellar tinha aproximadamente 25 metros de comprimento, o que o torna mais um dos grandes saurópodes gigantes do Jurássico da Espanha, ao lado de outros dinossauros saurópodes de Teruel com características muito diferentes das dos diplodócidos, como o Turiasaurus e o Losillasaurus, entre outros”.
“Os fósseis de todos esses dinossauros, incluindo os do novo Diplodocus — que fazem de Teruel um local de referência para o conhecimento dessa grande diversidade —, estão atualmente em exibição na sala dos dinossauros do Museu Aragonês de Paleontologia, em Dinópolis, em Teruel”.
O artigo científico foi publicado na revista internacional norte-americana *Journal of Vertebrate Paleontology* e intitula-se “Intercontinental evidence of the iconic genus Diplodocus Marsh, 1878 (Dinosauria, Sauropoda)”.
Os autores são os paleontólogos da Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis: Sergio Sánchez Fenollosa, Josué García Cobeña e Alberto Cobos.
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