Publicado 03/04/2026 03:34

O Peru inicia uma nova fase eleitoral em plena crise política e com centenas de candidatos sob suspeita

Até 51 candidatos ao novo Congresso bicameral têm sentença transitada em julgado por violência doméstica

Archivo - Arquivo - 15 de outubro de 2025, Lima, PERU: Pessoas marcham durante um protesto contra o governo e o Congresso
Europa Press/Contacto/Mariana Bazo - Arquivo

MADRID, 3 abr. (EUROPA PRESS) -

Os peruanos enfrentam um novo processo eleitoral com as eleições presidenciais e legislativas marcadas para o próximo dia 12 de abril, marcadas por uma década de instabilidade política, com oito presidentes, incluindo o atual, e com uma série de candidatos de todos os tipos, com históricos de denúncias, condenações e irregularidades, que sustentam uma crise institucional que já se tornou um modelo de governança.

Essas eleições prometem ser históricas, não apenas por um aumento de até 8% no censo eleitoral em relação a 2021 — mais de 27,2 milhões de eleitores —, mas também porque os eleitores poderão escolher entre um número recorde de candidatos à presidência, até 35, o que prenuncia uma fragmentação do voto sem precedentes.

Os principais favoritos mal ultrapassam, na melhor das hipóteses, os 14%, o que torna mais do que provável o segundo turno em 7 de junho. Os candidatos conservadores Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori vêm oscilando há semanas entre esses números em pesquisas, dominadas pelos indecisos, que ultrapassam os 30%.

López Aliaga, ex-prefeito de Lima, e Keiko Fujimori, a eterna candidata e filha do ex-presidente condenado por crimes contra os direitos humanos Alberto Fujimori, disputam votos na capital, embora seja fora dela — onde vive 70% de seus 34 milhões de habitantes — que a disputa será decidida.

A própria Fujimori sabe disso muito bem, pois nas últimas eleições perdeu pela terceira vez depois que Pedro Castillo — agora preso por tentar um autogolpe de Estado em 2022 — conquistou a totalidade dos votos do sul do país, bem como das zonas mineradoras ou mais isoladas.

Os projetos políticos que desafiam o sistema, como o de Castillo — que prometeu reformar a Constituição e redistribuir a riqueza diante da resistência obstinada do Congresso — atraíram o apoio do eleitorado dessas regiões historicamente com menor presença do Estado.

CANDIDATOS EM DISPUTA

Além da trinta candidatos à Casa de Pizarro, mais 10.000 concorrem a um Congresso bicameral que não existia desde a década de 1990 e para o qual é necessário pelo menos 5% dos votos para ser eleito. Aos 130 candidatos à Câmara dos Deputados e aos cinco do Parlamento Andino somam-se agora os 60 do Senado.

Entre a lista de candidatos à presidência, há pelo menos 16 que omitiram informações sobre seus vínculos empresariais, condenações, cargos que ocuparam e outros dados relevantes em sua declaração juramentada de currículo, conforme alertou o Jurado Eleitoral Especial (JEE), o que gera ainda mais dúvidas sobre as aptidões de uma classe política peruana em questão.

Vale lembrar que atualmente há quatro ex-presidentes presos — Martín Vizcarra, Alejandro Toledo, Pedro Castillo e Ollanta Humala —, embora haja outros que já passaram algum tempo atrás das grades, como o mencionado Alberto Fujimori, enquanto Pedro Pablo Kuczynski foi condenado a três anos de prisão domiciliar e outros, como Alan García, optaram por dar um tiro ao ser preso por corrupção.

O JEE apontou irregularidades na declaração juramentada de Keiko Fujimori — que já passou um tempo em prisão preventiva por suposto financiamento irregular de suas campanhas —, por não incluir sua participação em uma empresa e sua titularidade em outra, embora, no fim das contas, tudo tenha sido arquivado após uma revisão.

Da mesma forma, a declaração de López Aliaga esteve no centro das atenções por ele não ter se declarado sócio fundador de uma imobiliária; nas declarações de Carlos Álvarez, Alfonso López Chau ou Mario Vizcarra, nomes também presentes nessas eleições, bem como de outros candidatos muito mais marginais. Na maioria dos casos, os citados alegaram erros involuntários na transcrição ou que o JEE possui informações desatualizadas.

No entanto, os casos mais chamativos encontram-se entre os candidatos ao Legislativo, entre os quais há cerca de 500 com sentenças transitadas em julgado por diversos crimes, dos quais 51 estão relacionados a episódios de violência doméstica, seja por lesões ou por não pagar pensão alimentícia.

A Aliança para o Progresso (APP), de direita, do candidato presidencial César Acuña, é o partido que apresenta o maior número de condenados, com 53; seguida pelo Podemos Perú, com 33; um a mais que a Força Popular de Fujimori; o Primero Perú, com 26; ou o Perú Libre, com 22, cujo candidato, Vladimir Cerrón, está foragido da Justiça, o que não o impediu de se candidatar a estas eleições.

Há candidatos com condenações por roubo, denúncias por dirigir embriagado, agressão, lesões ou por proferir ameaças de morte, como é o caso do candidato a deputado pelo partido Buen Gobierno, Rolando Cueva García.

Um ex-aluno da mesma universidade dele o denunciou por ameaças de morte. Segundo o depoimento à polícia, García exigiu que ele parasse de investigar os contratos de sua empresa com a instituição de ensino. Ele também foi flagrado em vídeos empunhando uma arma ou bebendo enquanto dirigia, o que resultou em sua prisão.

Nunca antes os peruanos tiveram a oportunidade de escolher entre tantos candidatos; resta saber se eles serão capazes de conter a galopante crise institucional e de credibilidade política, diante de um eleitorado preocupado com a insegurança, a corrupção e o desemprego.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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