NASA/JPL-CALTECH/ASU/MSSS/SSI
MADRID 16 maio (EUROPA PRESS) -
O rover Perseverance da NASA em Marte detectou auroras pela primeira vez na superfície de outro planeta.
Em 15 de março de 2024, próximo ao pico do atual ciclo solar, o Sol produziu uma erupção solar e uma ejeção de massa coronal (CME) concomitante, uma explosão maciça de gás e energia magnética que carrega grandes quantidades de partículas solares energéticas. Essa atividade solar provocou auroras impressionantes em todo o sistema solar, inclusive em Marte.
"Essa descoberta empolgante abre novas possibilidades para a pesquisa de auroras e confirma que elas poderão ser visíveis para futuros astronautas na superfície de Marte", disse em um comunicado Elise Knutsen, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade de Oslo (Noruega) e principal autora do estudo da Science Advances que relata a detecção.
ESCOLHENDO A AURORA CERTA
Na Terra, as auroras se formam quando as partículas solares interagem com o campo magnético global, canalizando-as para os polos, onde colidem com os gases atmosféricos e emitem luz. A cor mais comum, o verde, deve-se à excitação de átomos de oxigênio que emitem luz em um comprimento de onda de 557,7 nanômetros. Durante anos, os cientistas teorizaram que as auroras de luz verde também poderiam existir em Marte, mas sugeriram que elas seriam muito mais fracas e difíceis de capturar do que as auroras verdes que vemos na Terra.
Devido à falta de um campo magnético global no planeta vermelho, Marte tem tipos de auroras diferentes das que temos na Terra. Uma delas é a aurora de partículas energéticas solares (SEP), descoberta pela missão Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN) da NASA em 2014. Elas ocorrem quando partículas superenergéticas do Sol atingem a atmosfera marciana, desencadeando uma reação que faz com que a atmosfera brilhe no céu noturno.
Embora a MAVEN tenha observado auroras SEP em luz ultravioleta a partir da órbita, esse fenômeno nunca havia sido observado em luz visível a partir da Terra. Como as auroras SEP ocorrem normalmente durante as tempestades solares, que aumentam durante o máximo solar, Knutsen e sua equipe se propuseram a capturar imagens visíveis e espectros da aurora SEP da superfície de Marte no pico do ciclo solar atual.
COORDENANDO O MOMENTO PERFEITO
Por meio de modelagem, Knutsen e sua equipe determinaram o ângulo ideal para que o espectrômetro SuperCam do rover Perseverance e a câmera Mastcam-Z observassem com sucesso a aurora SEP em luz visível. Com essa estratégia de observação implementada, tudo se resumiu a cronometrar e compreender as CMEs.
"A chave era escolher uma boa EMC, uma que acelerasse e injetasse muitas partículas carregadas na atmosfera de Marte", explicou Knutsen.
Foi aí que as equipes do M2M (Moon-Mars Space Weather Analysis Office) da NASA e do CCMC (Community Coordinated Modelling Center), ambos localizados no Goddard Space Flight Center da NASA, entraram em ação. A equipe do M2M fornece análises em tempo real de explosões solares ao CCMC para iniciar simulações de CME e determinar se elas podem afetar as missões atuais da NASA. Quando as simulações sugerem possíveis impactos, a equipe envia um alerta.
Na Universidade da Califórnia, em Berkeley, a física espacial Christina Lee recebeu um alerta do escritório da M2M sobre a CME em 15 de março de 2024. Lee, membro da equipe da missão MAVEN e responsável pelo clima espacial, determinou que uma grande tempestade solar estava a caminho do planeta vermelho e poderia chegar em poucos dias. Ele emitiu imediatamente a Notificação de Alerta Meteorológico Espacial de Marte para as missões de Marte em operação.
"Isso permite que as equipes científicas do Perseverance e do MAVEN antecipem os impactos de CMEs interplanetárias e SEPs associados", disse Lee.
Quando observamos a intensidade dessa", acrescentou Knutsen, "estimamos que ela poderia desencadear uma aurora brilhante o suficiente para ser detectada por nossos instrumentos".
Alguns dias depois, a CME impactou Marte, proporcionando um show de luzes que o rover conseguiu capturar, mostrando uma aurora quase uniforme no céu com um comprimento de onda de emissão de exatamente 557,7 nm. Para confirmar a presença do SEP durante a observação da aurora, a equipe consultou o instrumento SEP do MAVEN, que também foi corroborado por dados da missão Mars Express da ESA. Os dados de ambas as missões confirmaram que a equipe do rover havia conseguido vislumbrar o fenômeno no curto espaço de tempo disponível.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático