MADRID 6 abr. (Portaltic/EP) -
Um usuário do Perplexity acusou a empresa de inteligência artificial de compartilhar as conversas que os usuários mantêm em seu serviço de busca com as empresas Meta e Google, mesmo quando o modo de navegação anônima está ativado.
Um usuário norte-americano do mecanismo de busca Perplexity moveu uma ação contra a empresa, dando início a uma ação coletiva, por implementar várias tecnologias de rastreamento de forma dissimulada no código dessa inteligência artificial, o que permitiu a divulgação das conversas.
Essas conversas são resultado do uso habitual do mecanismo de busca Perplexity, já que os usuários formulam suas perguntas em linguagem natural — exatamente como se expressam, sem necessidade de recorrer a comandos — e podem até mesmo continuar perguntando sobre as informações que a IA oferece.
Essas informações são exibidas no formato de um diálogo, graças à capacidade do mecanismo de busca de navegar pela internet, o que lhe permite localizar as informações e apresentá-las de forma resumida ao usuário, acompanhadas de links que levam às fontes de onde foram extraídas, para que possam ser verificadas.
Dada a sensibilidade dos dados tratados nessas conversas, os usuários confiam que eles não sairão do serviço, especialmente se tiverem uma conta paga. No entanto, o requerente alega que o mecanismo de busca da Perplexity integra os rastreadores Facebook Meta Pixel, Google Ads e Google Double Click.
“Essas tecnologias de rastreamento coletam informações dos visitantes do site, mesmo que não tenham uma conta Meta ou Google, e enviam essas informações secretamente para a Meta, o Google e outros terceiros, que exploram esses dados para fins comerciais”, explica-se no texto da ação, compartilhado pela ArsTechnica.
Conforme exposto na ação, os rastreadores descarregam “cookies” no navegador no mesmo momento em que os usuários acessam o Perplexity e começam a compartilhar dados com a Meta e o Google “antes que os usuários tenham tempo de clicar em um único botão ou digitar uma única mensagem”.
A ação judicial destaca, além disso, que isso ocorre mesmo que os usuários tenham ativado o modo de navegação anônima, que faz com que as buscas não sejam registradas. Nesse caso, o Perplexity também compartilha as conversas juntamente com os endereços de e-mail e outros identificadores “que permitiram à Meta e ao Google identificá-los pessoalmente”.
Além disso, é apontado que esse rastreamento não é casual. “Em troca do compartilhamento de todos esses dados confidenciais com a Meta e o Google, o Perplexity recebeu benefícios publicitários e analíticos que utilizou em seu próprio benefício”, consta na ação judicial.
Ao compartilhar as conversas com a Meta e o Google, a Perplexity está dando às duas gigantes da tecnologia acesso a dados potencialmente sensíveis (por exemplo, de saúde) dos usuários, que podem ser usados para identificá-los e criar perfis publicitários, com o objetivo de direcionar anúncios personalizados sobre suas pesquisas, quer eles queiram ou não.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático