MADRID 22 jun. (EUROPA PRESS) -
José Matamoros, pesquisador em formação do Departamento de Imunologia, Oftalmologia e Otorrinolaringologia (ORL) da Universidade Complutense de Madri (UCM), destacou que a perda de nitidez visual em dias quentes “se deve, em geral, à evaporação acelerada das lágrimas”.
Essa consequência “raramente se deve a um dano estrutural interno imediato”, afirmou ele, referindo-se ao fato de que costuma-se “associar os perigos do verão à pele ou à desidratação geral” e não aos olhos, que “são um dos órgãos mais expostos e sensíveis às oscilações de temperatura”.
Na opinião de Matamoros, “para funcionar corretamente, o olho humano precisa manter um equilíbrio fisiológico e, acima de tudo, uma hidratação constante”. “A parte mais externa do olho, a córnea, não possui vasos sanguíneos; ela se nutre e se oxigena principalmente por meio do filme lacrimal”, explicou ele, acrescentando que este “é uma estrutura sofisticada composta por três camadas”.
Nesse sentido, ele explicou, em relação à mucosa — que é a camada interna e que “permite que a lágrima adira à superfície do olho”; a aquosa, que é a camada intermediária e que “nutre e hidrata a córnea”; e a lipídica, que é a camada externa e que é “uma fina camada de gordura que impede que a água da lágrima evapore rapidamente”.
“Existe uma relação direta entre a hidratação do nosso corpo e a qualidade dessa superfície ocular”, afirmou, acrescentando que “quando a temperatura ambiente dispara, o corpo prioriza a transpiração para se resfriar, o que pode provocar uma desidratação sistêmica” se os líquidos não forem repostos. “Se o organismo estiver desidratado, a produção de lágrimas diminui, deixando o olho desprotegido diante do ambiente”, insistiu.
Matamoros observou que “em temperaturas elevadas, a camada lipídica da lágrima se torna instável e o componente aquoso evapora a uma velocidade muito superior ao habitual”. “Ao se romper essa barreira protetora, a superfície da córnea fica irregular”, afirmou, em seguida, declarou que “como a lágrima funciona como a primeira ‘lente’ pela qual a luz passa ao entrar no olho, qualquer imperfeição nela provoca visão embaçada transitória, flutuações visuais e fadiga ocular”.
EXPOSIÇÃO AO AR-CONDICIONADO
Além disso, ele ressaltou que é preciso somar a isso o ar-condicionado, sistemas que resfriam o ambiente “eliminando a umidade do ar”. “Passar horas em um escritório ou no carro sob o fluxo direto de ar equivale a submeter os olhos a um deserto artificial, acelerando a síndrome do olho seco”, destacou, ao mesmo tempo em que fez outra advertência, indicando que, quando se passa do calor moderado para as temperaturas extremas de uma onda de calor, “os riscos se agravam” porque “a desidratação grave afeta a pressão arterial e o fluxo sanguíneo que chega à retina e ao nervo óptico”.
“Em casos de insolação ou golpe de calor, o sistema de autorregulação do organismo entra em colapso”, continuou ele, sustentando que “isso pode se manifestar no plano visual com grave dificuldade de foco, aparecimento de tonturas associadas ao movimento ocular e visão em túnel ou perda momentânea da visão periférica”. Isso representa “sinais de alarme críticos que indicam que o cérebro e o sistema visual estão sofrendo com o estresse térmico e requerem atendimento médico e hidratação imediata”, observou ele.
No entanto, após explicar as diferenças entre o calor e a radiação ultravioleta, esse especialista fez uma série de recomendações, como beber água “regularmente” para “manter a estabilidade da produção lacrimal”, usar “óculos de sol homologados” e “usar colírios umectantes de forma preventiva caso vá ficar exposto ao ar-condicionado ou a ambientes quentes”, piscar “na frente da tela” e direcionar as saídas de ar do ar-condicionado do carro ou do escritório “em direção ao corpo ou ao teto”.
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