MADRID 8 out. (EUROPA PRESS) -
O chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Universitário La Luz, Francisco Villarejo, explicou que a dor nas costas requer uma avaliação especializada quando há perda de força ou alterações na sensibilidade ou nos reflexos, o que pode indicar a presença de um comprometimento neurológico.
“A coluna vertebral é o principal suporte estrutural do corpo e está sujeita, ao longo de toda a nossa vida, a cargas, movimentos e esforços”, destacou Villarejo, que apontou o envelhecimento, esforços físicos repetitivos, sobrecargas prolongadas, algumas práticas esportivas e hábitos posturais como fatores que contribuem para a deterioração da coluna.
Um dos principais desafios é diferenciar um episódio comum de dor cervical ou lombar daquele que pode estar associado a uma alteração estrutural que requer um estudo mais aprofundado. “A dor é importante, mas não devemos nos concentrar apenas na intensidade da dor”, destacou.
Ao consultar um profissional, ele explicou que o diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico e neurológico. Dependendo dos achados, podem ser solicitados exames de imagem, como radiografias, ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC), que permitem estudar as estruturas da coluna e detectar uma possível hérnia de disco, uma estenose do canal vertebral ou alterações degenerativas significativas.
Embora um exame de imagem mostre alterações, o especialista enfatizou que isso não implica automaticamente a necessidade de cirurgia; ao contrário, a cirurgia é considerada fundamentalmente quando há uma lesão estrutural que explica os sintomas, quando surgem sinais objetivos de comprometimento neurológico ou quando a dor persiste apesar de ter sido realizado um tratamento conservador adequado.
“A cirurgia faz sentido quando todos esses elementos se encaixam em um mesmo diagnóstico”, destacou ele, ao mesmo tempo em que comentou que, em determinadas situações, especialmente quando há um déficit neurológico significativo ou progressivo, a avaliação cirúrgica pode assumir maior prioridade.
RUMO A PROCEDIMENTOS MENOS INVASIVOS
O neurocirurgião explicou que a cirurgia da coluna vertebral passou por uma evolução significativa e, atualmente, busca-se resolver o problema causando o mínimo de dano possível às estruturas saudáveis que circundam a lesão, sempre que possível.
Entre os procedimentos menos invasivos, Villarejo mencionou a microcirurgia da coluna vertebral com microscópio cirúrgico, sobre a qual explicou que permite identificar com grande precisão as estruturas nervosas e atuar na área que está causando o problema, buscando preservar ao máximo os tecidos circundantes.
“Sempre que pudermos resolver o problema por meio de uma cirurgia menos agressiva, evitando intervenções desnecessárias nos ossos, músculos ou articulações, estaremos promovendo uma recuperação mais tranquila para o paciente”, destacou ele, acrescentando, em seguida, que a escolha da técnica deve ser adaptada a cada paciente, apostando assim na personalização.
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