Publicado 14/08/2026 08:25

A perda de apetite no verão é resultado de um mecanismo de sobrevivência, segundo especialistas

Archivo - Arquivo - Mulher suando na rua por causa do calor.
PHEELINGS MEDIA/ISTOCK - Arquivo

MADRID 14 ago. (EUROPA PRESS) -

A diretora do Departamento de Biomedicina e Odontologia da Universidade Europeia da Andaluzia, Cristina López, explicou que a perda de apetite no verão e a preferência por pratos frescos respondem a uma questão de sobrevivência térmica para combater o calor.

“Por sermos animais homeotérmicos, o organismo se esforça para manter uma temperatura interna entre 36,5 e 37 °C, o que obriga o hipotálamo a ativar a vasodilatação e a sudorese. Dessa forma, a necessidade de resfriar o corpo prevalece sobre a fome, o que regula automaticamente nossa demanda por alimentos”, indicou a especialista.

Segundo López, digerir refeições pesadas deixa de ser uma prioridade para o corpo, já que o simples fato de processar os alimentos gera calor interno. É essa sobrecarga de calor que faz com que o apetite diminua diante de pratos fartos. “O calor altera os circuitos hormonais relacionados à leptina e à insulina, reduzindo o sinal de fome e desacelerando a digestão para priorizar o fluxo sanguíneo na pele”, afirma.

Por sua vez, o professor de Fisiologia e Nutrição da Universidade Europeia, Fernando Mata, destacou que existe um forte componente sensorial na preferência por alimentos refrigerados durante os meses de verão.

“A temperatura da comida altera imediatamente nossa percepção no cérebro por meio dos receptores TRPM8, que são sensíveis ao frio”. “Essa estimulação nervosa gera um alívio térmico instantâneo nos circuitos de recompensa, um mecanismo tão potente que é responsável pela dor de cabeça momentânea conhecida popularmente como ‘cérebro congelado’ quando se ingere algo muito gelado”, explicou Mata.

Da mesma forma, a alimentação típica do verão é fortemente influenciada pela cronobiologia e pelas alterações no sono provocadas pelo calor noturno. Dormir mal altera diretamente hormônios-chave como o cortisol, a melatonina, a grelina e a leptina, o que afeta as decisões que tomamos à mesa. “Uma noite mal dormida altera nossas preferências no dia seguinte, aumentando a busca por alimentos rápidos e açucarados, embora o calor reduza o apetite geral”, explica Mata.

Os especialistas indicam que, diante das ondas de calor, beber água se torna o pilar fundamental para evitar a fadiga, desmistificando teorias recentes que afirmam que beber água pura desidrata ao aumentar a diurese. “Esse fenômeno só ocorre ao consumir grandes volumes de água sem alimentos, já que o organismo possui um sistema de regulação extremamente preciso”, acrescenta Mata.

O professor da Universidade Europeia recomenda priorizar a ingestão de líquidos por meio de sopas frias, frutas como a melancia ou o gazpacho, já que o aporte de sódio e minerais melhora notavelmente a absorção da água pelas células.

BEBIDAS MUITO AÇUCARADAS PODEM PREJUDICAR A HIDRATAÇÃO

“A fadiga típica desta época também se explica pelo esforço extra que o sistema cardiovascular precisa realizar para nos manter refrescados”, observou López, acrescentando que essa queda de energia não se deve à falta de açúcar no sangue, mas costuma ser consequência da vasodilatação e de uma leve queda na pressão arterial.

“As bebidas muito açucaradas podem prejudicar a hidratação ao aumentar a carga no estômago, já que o verdadeiro problema diante do calor extremo não é a glicose, mas o equilíbrio hídrico”, adverte.

Por isso, ele aconselha que não se deve guiar-se apenas pela sensação de sede, já que “ela surge quando já existe um certo grau de desidratação, um mecanismo que, além disso, está bastante atenuado em idosos”.

Em última instância, as orientações para combater as ondas de calor especificam que as medidas devem ser tanto nutricionais quanto cronobiológicas, com um jantar leve e evitando a prática de exercícios físicos nas horas centrais do dia para proteger o descanso.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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