Publicado 08/01/2026 10:48

Perante futuros biomarcadores, os investigadores apostam em rastreios centrados em pessoas com risco de Alzheimer.

Archivo - Arquivo - Cérebro com Alzheimer.
HAYDENBIRD/ISTOCK - Arquivo

MADRID 8 jan. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisadora da Unidade de Pesquisa em Doenças Crônicas (UFIEC) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) publicou na revista Med um artigo sobre a detecção precoce da doença de Alzheimer, no qual se prioriza, com vistas ao futuro desenvolvimento de biomarcadores, a realização de exames centrados em pessoas com risco de Alzheimer.

Nesse sentido, aposta-se não em rastreios generalizados, mas em estratégias centradas “em pessoas com risco elevado, que equilibrem a oportunidade clínica com a responsabilidade ética e a viabilidade econômica”, como se indica num artigo publicado na revista Med, no qual se apresenta um quadro científico e ético no âmbito da possível detecção seletiva em pessoas com risco de sofrer desta doença neurodegenerativa.

A publicação do artigo insere-se no desenvolvimento do consórcio europeu CombiDiag MSCA Doctoral Network, que conta com a participação do ISCIII e que procura impulsionar o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer, desenvolvendo novas estratégias de diagnóstico utilizando biomarcadores periféricos pouco invasivos.

A Dra. Eva Carro, chefe da Unidade de Neurobiologia da Doença de Alzheimer da UFIEC-ISCIII e parte da Área de Doenças Neurodegenerativas do Centro de Investigação Biomédica em Rede (CIBER-ISCIII), explica como, nos últimos anos, estão surgindo novas opções para a possível detecção precoce da doença de Alzheimer, em pessoas com sintomas ligados às fases mais precoces da doença e até mesmo em pessoas ainda assintomáticas. Sem a possibilidade atual de dispor de terapias curativas, “a recente aprovação de tratamentos modificadores da doença e os avanços em biomarcadores menos invasivos ou não invasivos estão mudando o paradigma para a detecção precoce”, explica.

O artigo, na forma de Comentário e assinado em conjunto com a Dra. Fangya Xu, da Universidade de Reading, no Reino Unido, expõe um quadro multidisciplinar que integra as evidências científicas existentes, os princípios éticos e uma atenção clínica baseada em valores, como possível guia para desenvolver e consolidar programas de detecção precoce da doença de Alzheimer.

As autoras explicam que é cada vez mais viável detectar a doença de Alzheimer em fases pré-clínicas ou prodrômicas, com ferramentas como biomarcadores de fluidos corporais e biomarcadores digitais, e acrescentam que seu possível uso em processos mais proativos de detecção precoce deve deixar claro “em quais pessoas fazê-lo e em quais condições, sempre buscando a qualidade de vida das pessoas e respeitando a integridade científica e a ética médica”.

BIOMARCADORES BIOLÓGICOS E FERRAMENTAS DIGITAIS No campo dos biomarcadores diagnósticos no sangue, são citadas áreas promissoras de estudo, “como os marcadores ligados às proteínas amilóide-B (AB) e tau, a relação entre os peptídeos AB42 e AB40 e a amiloidose, as isoformas tau fosforiladas e os neurofilamentos de cadeia leve, que podem ajudar a diferenciar o Alzheimer em fase inicial de outras demências ou dos sintomas naturais do envelhecimento".

Também estão sendo estudados marcadores não sanguíneos, como respostas imunológicas e inflamatórias ligadas aos primeiros sintomas da doença, biomarcadores na saliva, perfis metabolômicos urinários e até mesmo microARN presentes no líquido lacrimal. Juntamente com esses biomarcadores biológicos, existem ferramentas digitais e eletrofisiológicas que estão surgindo como possíveis vias não invasivas para a detecção precoce da doença de Alzheimer, como modelos quantitativos de eletroencefalografia (QEEG) e ferramentas de processamento de linguagem natural (NLP).

As autoras apontam que integrar dados provenientes de sinais genéticos, metabólicos e comportamentais “pode permitir o desenvolvimento de algoritmos de risco adaptativos e estratégias de detecção personalizadas”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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