Diego Tejerina/dpa - Arquivo
MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -
As autoridades bolivianas informaram que quatro policiais ficaram feridos e que prenderam cerca de trinta pessoas que supostamente carregavam explosivos durante manifestações de partidários do ex-presidente boliviano Evo Morales, que protestam para que sua candidatura às eleições presidenciais de agosto seja aceita e para exigir a renúncia do atual chefe de Estado, Luis Arce.
O ministro do governo, Roberto Ríos, explicou que "quatro policiais foram feridos em decorrência de fogos de artifício lançados direta e intencionalmente contra eles, com ferimentos causados por estilhaços de dinamite, além de terem sido atacados com objetos contundentes, como pedras e outros que foram preparados para esse fim".
Em uma coletiva de imprensa divulgada pela agência de notícias boliviana ABI, ele também indicou que "aproximadamente 26 pessoas foram detidas, incluindo homens e mulheres envolvidos nesse incidente, que serão levados à Promotoria Pública para que as investigações correspondentes sejam realizadas".
"No momento de sua detenção, alguns ainda carregavam diferentes dispositivos explosivos, de fogos de artifício a dinamite, bem como uma quantidade significativa de dinheiro, aproximadamente 23.900 bolivianos (cerca de 3.000 euros)", disse ele.
Os detidos serão processados por crimes de tráfico ilícito de explosivos, dinamite, ferimentos graves e leves, ataques à autoridade, ataques ao patrimônio público e destruição e danos ao patrimônio do Estado.
Ele também acrescentou que um dos detidos tinha um caderno no qual havia escrito uma "lista de pessoas e quantias de dinheiro" que, segundo ele, "teria sido entregue a muitos desses manifestantes".
Nesse sentido, ele afirmou que não apenas os manifestantes estavam sendo pagos, mas também que "vários deles são obrigados a vir a La Paz de diferentes regiões para protestar porque, se não o fizerem, serão punidos".
Por fim, Ríos argumentou que "a democracia não é defendida com agressão e intimidação, ela é defendida pelo respeito à lei, às decisões constitucionais e às instituições, bem como aos serviços públicos".
"Aos que estão por trás dessas mobilizações e convocações irresponsáveis, dizemos que ninguém está acima da Constituição e ninguém tem o direito de semear o caos para impor ambições pessoais, tentando também boicotar o processo eleitoral", concluiu.
A Bolívia está mergulhada em uma crise interna devido às disputas entre Evo Morales e os Arcistas dentro do Movimento ao Socialismo (MAS). Essas diferenças se agravaram a ponto de levar o próprio presidente a acusar Morales de tentar dar um "golpe de Estado" no país com sua convocação para manifestações, apesar de o Tribunal Constitucional ter endossado a desqualificação do ex-presidente - conforme indicado na Carta Magna que ele mesmo promulgou - que não pode se candidatar novamente.
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