Publicado 07/08/2026 10:19

Pela primeira vez, a IA cria vírus completos que não existem na natureza

Archivo - Arquivo - Trabalho de laboratório.
MAGNIFIC - Arquivo

MADRID 7 ago. (Portaltic/EP) -

A inteligência artificial (IA), com as devidas precauções, conseguiu criar vírus que infectam apenas bactérias E. coli e não representam ameaça aos seres humanos, por meio dos modelos de linguagem genômica Evo 1 e Evo 2.

Em um estudo publicado na revista *Science*, cientistas do Instituto Arc de Palo Alto e da Universidade de Stanford utilizaram modelos de linguagem genômica para projetar, do zero, vírus que não existem na natureza e são capazes de infectar bactérias.

Os pesquisadores treinaram seus modelos com sequências de DNA de milhões de organismos e, em seguida, concentraram-se no Phi X-174, um pequeno vírus que infecta apenas a bactéria E. coli e é inofensivo para as pessoas, juntamente com cerca de 15.000 vírus aparentados.

Os cientistas reduziram explicitamente o escopo dos vírus para excluir dos dados de treinamento da IA qualquer elemento que pudesse infectar tanto seres humanos quanto outros animais, plantas ou fungos. “Queríamos apenas ser extremamente cuidadosos”, afirma Brian Hie, um dos autores do estudo, em declarações ao The New York Times.

Samuel King, outro dos autores do estudo, destacou no referido jornal que optaram por criar vírus porque “era o próximo passo óbvio”.

Assim, o modelo Evo foi capaz de gerar cerca de 700 mil versões potenciais. A equipe selecionou quase 300 candidatos, produziu seu DNA e o inseriu na bactéria. Dos criados pelo Evo, 16 eram vírus capazes de se multiplicar.

Esses vírus foram projetados especificamente para infectar e destruir cepas de E. coli, que já haviam desenvolvido resistência aos fagos (vírus que infectam apenas bactérias) naturais, o que abre caminho para uma nova geração de “fagoterapia” personalizada (ou seja, o uso de vírus para curar infecções bacterianas, em vez de antibióticos) para combater bactérias resistentes aos antibióticos.

A publicação do estudo gerou um novo desafio ético e de segurança global, pois, uma vez que a IA é capaz de projetar vírus completos, abre-se a possibilidade de que essa tecnologia seja usada para criar vírus perigosos.

De fato, tanto os autores quanto especialistas em segurança biológica enfatizam que a concepção de genomas por IA requer supervisão especializada constante e protocolos de segurança robustos diante do risco de uso indevido.

“A questão já não é se haverá o projeto generativo de genomas virais”, afirmam Inglesby e Hanke na análise que acompanha o estudo, mas “se a sociedade será capaz de estabelecer uma supervisão que permita aproveitar seus benefícios e, ao mesmo tempo, evite que ela cause danos graves”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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