PRAETORIANPHOTO / ISTOCK - Arquivo
MADRID 22 out. (EUROPA PRESS) -
A coordenadora do Comitê de Saúde Mental da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), Paula Armero, defendeu a necessidade de trabalhar em programas estruturados em parceria com o setor educacional para fortalecer a proteção da saúde mental de crianças e adolescentes e prevenir fatores de risco.
“Se quisermos fazer prevenção de verdade, precisamos chegar também aos locais onde todas as crianças e adolescentes estão”, defendeu Armero, que destacou que “não se trata de transformar as salas de aula em consultórios”, mas sim de normalizar a presença de profissionais com quem eles possam conversar na escola.
Essa proposta se insere na intenção da AEP de reforçar o trabalho dos pediatras na área de saúde mental. “A pediatria tem trabalhado historicamente muito bem na prevenção da saúde física, mas precisamos dar um passo adiante na saúde mental”, destacou Paula Armero.
Com esse objetivo, o Comitê de Saúde Mental da associação lançou o “Manual de Saúde Mental para Pediatras Ocupados 2026”, que oferece ferramentas práticas para incorporar à consulta a promoção da saúde mental, a prevenção, a detecção precoce e o manejo inicial de problemas emocionais.
40% JÁ TIVERAM PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL
Este documento mostra que aproximadamente 40% dos adolescentes relatam ter enfrentado algum problema de saúde mental no último ano. Entre 7% e 12% das crianças e adolescentes apresentam transtornos de ansiedade clinicamente significativos, e a prevalência da depressão aumenta de 1% a 2% na infância para 3% a 8% na adolescência.
Além da prevenção, outro desafio fundamental identificado pela AEP é a detecção precoce. Como os problemas emocionais podem se manifestar por meio de sintomas físicos, distúrbios do sono, isolamento, absenteísmo escolar, queda no desempenho acadêmico ou mudanças de comportamento, os pediatras destacaram a importância de explorar o contexto emocional, familiar e escolar das crianças.
“Nem todo mal-estar constitui um transtorno mental”, ressaltou o pediatra da Unidade do Adolescente do Hospital Universitário La Paz e membro do Comitê de Saúde Mental da AEP, Itz Oiz Urriza. Nesse sentido, ele recomendou distinguir a doença das dificuldades próprias do desenvolvimento e das experiências de vida que podem causar sofrimento.
10 SINAIS PARA CONSULTAR O PEDIATRA
A Associação Espanhola de Pediatria também apresentou o documento “10 sinais para consultar o pediatra sobre a saúde mental do seu filho ou da sua filha”, destinado a ajudar as famílias a identificar mudanças que devem ser investigadas.
Entre elas estão alterações persistentes do humor, perda de interesse por atividades habituais, isolamento, alterações nas rotinas, comportamentos regressivos, dores e alterações físicas já avaliadas sem diagnóstico, a recusa em frequentar a escola, a ansiedade que interfere na vida cotidiana, mudanças preocupantes no uso de telas e automutilação ou manifestações de desesperança.
Os pediatras reiteraram que a presença de qualquer um desses sinais não implica a existência de um transtorno mental. Assim, eles enfatizaram que é preciso avaliar a intensidade, a duração e o impacto desses sinais na vida cotidiana, ouvir a criança sem julgá-la e buscar orientação quando necessário.
“Não é preciso esperar que haja um problema grave ou um diagnóstico para consultar. Se algo preocupa uma família, o pediatra pode ouvir, avaliar o que está acontecendo e orientar sobre os próximos passos”, destacou a doutora Armero.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático