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MADRID 1 set. (EUROPA PRESS) -
A membro da Associação Espanhola de Pediatria (AEP) e da Sociedade Espanhola de Pediatria Social (SEPS), a doutora Miriam de Nazaret García del Saz, destacou que é necessário que as proporções nas creches sejam planejadas “com critérios científicos e levando em conta as necessidades do desenvolvimento”, pelo que se deve agilizar seu ajuste para favorecer o neurodesenvolvimento.
“Os índices de proporção não são apenas uma questão organizacional; elas determinam o tempo, a atenção e a qualidade das interações que cada criança recebe”, afirmou por ocasião do próximo retorno das crianças às escolas, aspecto sobre o qual a Associação Espanhola de Pediatria de Atenção Primária (AEPAP) também chamou a atenção ao exigir salas de aula inclusivas.
Nesse contexto, García del Saz explicou que a redução progressiva das proporções nas creches, proposta pelo Ministério da Educação e ainda em fase de tramitação normativa, “constitui um avanço essencial”. “As evidências científicas disponíveis mostram que grupos menores, dos zero aos três anos, favorecem o desenvolvimento neurológico, o bem-estar emocional e a aprendizagem precoce, ao permitirem uma atenção mais individualizada e uma maior capacidade de atender às necessidades de cada criança”, destacou.
“Os três primeiros anos de vida constituem o período de maior plasticidade cerebral”, continuou ela, acrescentando que, durante essa etapa, são estabelecidas “as bases do desenvolvimento cognitivo, da linguagem, da regulação emocional e das habilidades sociais”. Assim, ele expôs que as evidências científicas identificam o chamado cuidado afetuoso e sensível — que integra saúde, nutrição, proteção, cuidado responsivo e oportunidades de aprendizagem precoce — como um dos principais determinantes do desenvolvimento infantil e da redução das desigualdades desde os primeiros anos de vida.
Por isso, considera que as creches “desempenham um papel que transcende o âmbito educacional e constitui também uma ferramenta de promoção da saúde e do desenvolvimento infantil”. “Para que possam cumprir essa função, é essencial que os profissionais disponham do tempo e da capacidade necessários para estabelecer interações frequentes e de qualidade com cada criança”, acrescentou.
As turmas com poucos alunos facilitam a atenção individualizada, favorecem o desenvolvimento da linguagem, a regulação emocional e a criação de laços seguros, além de permitir a detecção precoce de possíveis dificuldades de desenvolvimento. No entanto, quando as turmas são muito numerosas, “torna-se mais difícil atender às necessidades específicas de cada criança durante uma etapa especialmente sensível de seu desenvolvimento”, declarou.
Conforme lembraram a AEP e a SEPS, os limites máximos autorizados na Espanha durante o primeiro ciclo da Educação Infantil costumam ser de oito bebês por sala de aula até o primeiro ano de vida, número que sobe para 14 entre os 12 meses e os dois anos, e para 20 dos dois aos três anos, com variações entre as comunidades autônomas. O Ministério da Educação propôs reduzir progressivamente esses números para quatro, seis e oito crianças por sala de aula, respectivamente, com uma previsão oficial de início da aplicação no ano letivo de 2027-2028, de forma gradual até 2029-2030.
SALAS DE AULA NEURODIVERSAS
Por outro lado, a membro da AEPAP, a doutora Beatriz Fernández Prudencio, insistiu na importância de se contar, na escola, com uma sala de aula neurodiversa, a qual “beneficia todo o corpo discente, não apenas aqueles que necessitam de apoios específicos”. “Incluir não significa que todos tenham que aprender da mesma maneira, mas oferecer a cada criança o que ela precisa para participar e aprender junto com seus colegas”, declarou ela.
Conforme ela especificou, crianças com transtorno do espectro autista (TEA), com déficit de atenção (TDA), com ou sem hiperatividade (TDAH), e com dislexia ou outras dificuldades de aprendizagem “podem precisar de apoios específicos, mas a diversidade na forma de aprender, se comunicar ou se relacionar também constitui uma oportunidade para que todos os alunos desenvolvam habilidades essenciais para a vida”.
Além disso, Fernández Prudencio destacou a importância do pediatra da Atenção Primária, por ser “uma figura fundamental para diagnosticar transtornos do neurodesenvolvimento e problemas de aprendizagem, uma vez que ocupa uma posição privilegiada para observar o desenvolvimento infantil de forma contínua, identificar sinais de alerta e acompanhar quando surgem dificuldades na aprendizagem, na comunicação, na atenção ou no comportamento”.
Depois de ressaltar a necessidade de que os diagnósticos não se tornem rótulos que definam a criança, ele afirmou que esse profissional de saúde possui uma visão integral que “pode ajudar cada criança a receber o apoio de que precisa”.
Por fim, e após explicar que o início do ano letivo é um bom momento para retomar hábitos saudáveis, como estabelecer gradualmente horários regulares para dormir e se alimentar, ela defendeu que se deve evitar “a pressa e a exigência excessiva”. “As crianças assimilarão a mudança sem estresse e voltarão às salas de aula com mais entusiasmo”, concluiu.
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