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MADRID 14 out. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) e a Sociedade Espanhola de Pediatria Social (SEPS) alertaram que a pobreza infantil constitui um dos principais fatores determinantes da saúde, ao mesmo tempo em que exigiram que ela deixe de ser abordada exclusivamente como um problema social para passar a ser considerada também uma prioridade de saúde.
Ambas as entidades ressaltam que normalizar a pobreza infantil significa “aceitar uma desigualdade” que condiciona o presente de milhares de crianças e adolescentes e “compromete o futuro de toda a sociedade”.
Nesse contexto, lembram que, na Espanha, 34,8% das crianças e adolescentes estão em risco de pobreza ou exclusão social, de acordo com o indicador AROPE (At Risk Of Poverty or Social Exclusion) da União Europeia, um dos índices mais elevados do continente. “Enquanto em outros grupos populacionais a situação apresenta uma ligeira melhora, na infância essas taxas permanecem crônicas, perpetuando desigualdades que afetam diretamente a saúde, o desenvolvimento e as oportunidades daqueles que as sofrem”, acrescentam.
Além disso, as organizações ressaltam que as evidências científicas demonstram que a pobreza não é apenas uma questão econômica, mas um fator que condiciona a saúde desde as primeiras etapas da vida. Por isso, destacam que ela influencia a expectativa de vida, aumenta o risco de obesidade infantil, afeta a saúde mental e repercute no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de meninos, meninas e adolescentes. “Em suma, limita as possibilidades reais de que alcancem seu potencial máximo”, acrescentam.
Segundo alertam, essa realidade se manifesta em áreas essenciais para o desenvolvimento infantil, como a saúde, já que o acesso a uma alimentação saudável, a atendimento odontológico ou psicológico e a outros recursos de saúde continua dependendo, em muitas ocasiões, da capacidade econômica das famílias.
Além disso, indicam que isso influencia a educação, pois a falta de material escolar, as dificuldades de acesso ao transporte, a exclusão digital ou a impossibilidade de participar de atividades extracurriculares reduzem as oportunidades educacionais e favorecem a desigualdade desde as idades mais precoces.
Isso também se manifesta no lar, pois viver em condições de superlotação, sofrer com a pobreza energética, conviver com umidade ou enfrentar a ameaça de perder a moradia repercute diretamente no bem-estar, na saúde e no desenvolvimento da infância.
Diante dessa situação, a Associação Espanhola de Pediatria e a Sociedade Espanhola de Pediatria Social consideram imprescindível promover medidas eficazes e sustentáveis que permitam reduzir a pobreza infantil e garantir o exercício efetivo dos direitos da infância.
“Garantir os direitos da infância não pode depender de circunstâncias econômicas nem de prioridades conjunturais. É uma obrigação ética, social e constitucional. Investir nas crianças mais vulneráveis não apenas melhora a saúde e a qualidade de vida daqueles que hoje mais precisam, mas constitui um investimento indispensável para construir uma sociedade mais saudável, mais equitativa e com maiores oportunidades para todos”, concluem.
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