Carlos Castro - Europa Press
MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -
A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) advertiu nesta terça-feira que o impacto da fumaça dos incêndios florestais que atualmente afetam a Espanha representa riscos para a saúde de crianças e adolescentes, mesmo a centenas de quilômetros de distância, porque as correntes atmosféricas podem transportar as partículas poluentes presentes na fumaça para cidades que não têm um incêndio nas proximidades.
O Comitê de Saúde Ambiental da agência (CSM-AEP) produziu um relatório detalhando que essa fumaça contém partículas finas e ultrafinas (PM2,5), monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx), ácido cianídrico (HCN) e outros compostos orgânicos potencialmente cancerígenos, cuja exposição pode ter efeitos imediatos e de longo prazo.
Em curto prazo, a inalação pode levar ao agravamento de doenças respiratórias crônicas (asma, rinite alérgica), ao aumento de infecções respiratórias agudas, à irritação dos olhos e das mucosas (conjuntivite, tosse, pigarro) e ao envenenamento por monóxido de carbono ou cianeto; em longo prazo, a exposição repetida pode contribuir para o desenvolvimento de doenças respiratórias, cardiovasculares ou imunológicas, além de possíveis efeitos neurotóxicos que alteram o desenvolvimento neurológico.
A exposição a esse tipo de fumaça também pode afetar a saúde mental e o bem-estar psicológico das crianças, podendo levar à ansiedade e ao estresse, tanto a curto quanto a longo prazo.
Os pediatras também estão preocupados com o fato de o número de incêndios florestais e a área queimada na Espanha terem aumentado "significativamente" nos últimos anos, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais (EFFIS), uma tendência que está ligada às mudanças climáticas e que deve continuar a se intensificar.
"Além desses riscos ambientais, as crianças e os adolescentes são particularmente vulneráveis, tanto por causa de sua fisiologia em desenvolvimento quanto por sua exposição comportamental: eles respiram mais ar por quilo de peso do que os adultos, tendem a passar mais tempo ao ar livre e dependem dos adultos para mantê-los seguros", acrescentaram os pediatras.
MEDIDAS CONTRA O IMPACTO DA FUMAÇA DE INCÊNDIOS
Por todos esses motivos, a CSM-AEP publicou um documento no qual incluiu uma série de medidas para prevenir e reduzir os riscos associados a esse tipo de fumaça, incluindo a importância de consultar os alertas oficiais, seguir os avisos da Proteção Civil e das forças de segurança e entrar em contato com o 112 se houver sinais de incêndio ou presença de fumaça.
Da mesma forma, recomendou o monitoramento da qualidade do ar por meio do visualizador do Índice de Qualidade do Ar do Ministério da Transição Ecológica (MITECO) ou de seu aplicativo móvel.
A organização também aconselhou melhorar o ar interno de cada residência, para o que as janelas e portas devem ser mantidas fechadas, usar purificadores com filtros adequados (ISO16890 ePM1 ou superior) e colocar o ar condicionado no modo de recirculação.
Para evitar fontes adicionais de poluição em casa, é necessário evitar fumar ou usar sistemas de combustão (madeira, gás, velas, churrasqueiras) durante episódios de alta poluição.
O uso de máscaras FFP2 também pode ajudar a reduzir a exposição ao material particulado, e seu uso é recomendado para crianças a partir dos dois anos de idade, desde que sejam bem toleradas.
Para lidar com incêndios, os pediatras enfatizaram a importância de estar preparado para emergências e ter suprimentos básicos (como água ou alimentos não perecíveis) e medicamentos de resgate em caso de doenças crônicas, como asma. Caso as autoridades recomendem a evacuação ou se não for possível garantir um ambiente seguro em casa, deve-se evacuar para um local com ar-condicionado e ar filtrado.
Eles também informaram que tontura, sonolência, dificuldade para respirar ou alterações comportamentais podem ser sinais de possível envenenamento por monóxido de carbono e/ou ácido cianídrico, casos em que você deve ir "imediatamente" a um serviço de emergência. Em caso de dúvida, consulte o centro de saúde ou a Unidade de Saúde Ambiental Pediátrica (USAE) de referência.
Antes de retornar a uma área afetada, é importante verificar a segurança da casa, o acesso a serviços básicos, como água ou eletricidade, e fazer uma limpeza "adequada" antes de expor as crianças ao ambiente.
Por fim, os pediatras insistiram na importância de cuidar da saúde mental, pois os incêndios podem ter efeitos psicológicos duradouros nas crianças, razão pela qual recomendaram observar mudanças emocionais ou comportamentais e, se necessário, buscar apoio profissional.
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