Publicado 03/08/2026 06:20

É patenteado um tratamento aplicado na Dana para eliminar o mofo de residências afetadas por inundações

O pesquisador Félix López, do CENIM-CSIC, aplica o produto em uma superfície afetada pela umidade. /
CSIC

VALÊNCIA 3 ago. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe formada por pesquisadores de três centros do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) patenteou uma nova composição antifúngica que elimina o mofo de superfícies contaminadas e mantém seu efeito por pelo menos 30 dias após a aplicação.

Este projeto foi iniciado para dar resposta ao problema gerado pelas inundações causadas pela tempestade de 29 de outubro de 2024 na província de Valência, com milhares de residências afetadas pela umidade e pelo crescimento de mofo em paredes, tetos e pisos, explica o órgão vinculado ao Ministério da Ciência.

A formulação — desenvolvida graças à colaboração entre o Centro Nacional de Pesquisas Metalúrgicas (Cenim), o Instituto de Agroquímica e Tecnologia de Alimentos (IATA) e o Instituto de Ciências da Construção Eduardo Torroja (IETcc) —— combina álcoois e um composto antimicrobiano em uma mistura de fácil aplicação, mais simples de fabricar e mais econômica do que outras alternativas disponíveis atualmente no mercado.

O tratamento foi inicialmente projetado para a limpeza e descontaminação de residências e garagens afetadas pela tempestade, embora possa ser utilizado em qualquer superfície com problemas de umidade e proliferação de fungos. Durante os testes realizados, a formulação eliminou as manchas de mofo presentes nas paredes e impediu seu reaparecimento durante o período de acompanhamento.

A patente baseia-se em uma combinação específica de álcoois e um composto amplamente utilizado por suas propriedades antimicrobianas. A ação conjunta dos componentes permite eliminar o mofo existente e prolongar o efeito antifúngico na superfície tratada.

“Comprovamos que uma combinação específica de dois álcoois e um sal de amônio quaternário oferece uma ação antifúngica muito eficaz e, além disso, mantém seu efeito por semanas. Essa formulação permite eliminar o mofo de maneira simples, utilizando um número reduzido de componentes”, explica Félix Antonio López Gómez, pesquisador do Cenim-CSIC.

A composição é aplicada por pulverização sobre a superfície afetada e, posteriormente, o material desprendido é removido com um pano. A quantidade de produto necessária depende do grau de contaminação, embora, nos testes realizados, as doses tenham oscilado entre 10 e 50 mililitros por metro quadrado.

TESTADO EM RESIDÊNCIAS AFETADAS PELA TEMPESTADE

A eficácia do tratamento foi avaliada em residências e garagens danificadas pelas enchentes de outubro de 2024 na província de Valência, onde a umidade favoreceu o surgimento maciço de mofo em gesso, cimento e reboco, entre outros materiais de construção.

Além de comprovar a eliminação visual das manchas, a equipe realizou testes contra quinze espécies diferentes de fungos filamentosos isolados nessas residências pela equipe do grupo de Fisiologia, Patologia e Biotecnologia Pós-colheita do IATA-CSIC.

Entre elas, encontravam-se espécies de Aspergillus, Penicillium, Fusarium, Alternaria, Cladosporium e Mucor, fungos filamentosos capazes de deteriorar materiais e que também podem produzir micotoxinas e causar problemas de saúde, como alergias respiratórias e infecções.

“Os fungos presentes após uma inundação não apenas deterioram paredes e tetos, mas também podem representar um risco à saúde das pessoas que voltam a habitar esses espaços. Dispor de tratamentos eficazes e duradouros facilita a recuperação segura das residências afetadas”, destaca Ana Rosa Ballester, pesquisadora do IATA-CSIC.

Os resultados mostraram que a formulação inibe completamente a formação de esporos quando utilizada sem diluição e reduz significativamente seu desenvolvimento, mesmo em baixas concentrações. Além disso, conseguiu inibir em mais de 80% o crescimento do micélio em 14 das 15 espécies estudadas.

MÉTODO SIMPLES, ECONÔMICO E SEGURO

A equipe também comparou a nova formulação com dois produtos comerciais utilizados para a limpeza de superfícies. Um deles, baseado fundamentalmente em álcool isopropílico, mal conseguiu eliminar o mofo. O segundo apresentou eficácia semelhante, embora com um custo consideravelmente superior.

Em comparação com essas alternativas, a composição patenteada utiliza menos ingredientes, evita o uso de nanopartículas metálicas — que aumentam o custo e podem causar problemas em determinadas aplicações — e é mais simples de fabricar, o que facilita sua produção e favorece seu uso em operações de limpeza após episódios de enchentes ou em edifícios com problemas persistentes de umidade.

Os responsáveis pelo projeto consideram que essa patente exemplifica como a pesquisa e a colaboração multidisciplinar podem resultar em soluções práticas que respondam a situações críticas. “Nosso objetivo é que esse conhecimento se traduza em uma ferramenta útil para facilitar a recuperação de residências e edifícios afetados por inundações”, conclui Eloy Asensio, do IETcc.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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