Publicado 28/05/2026 12:10

Passar muitas horas nas redes sociais não significa que você seja viciado; perder o controle é “preocupante”, segundo um estudo

Foto do professor da Faculdade de Psicologia e Fonoaudiologia da Universidade de Valência e pesquisador do Instituto Polibienestar da UV, Víctor Ciudad Fernández.
UV

VALÊNCIA 28 maio (EUROPA PRESS) -

Um estudo científico internacional, liderado pelo professor da Faculdade de Psicologia e Fonoaudiologia da Universidade de Valência e pesquisador do Instituto Polibienestar da UV, Víctor Ciudad Fernández, mostra que os verdadeiros sinais de alarme não são o tempo que se passa nas redes sociais, mas sim se a pessoa perde o controle e começa a ter conflitos com quem a rodeia.

A equipe de pesquisa investiga a forma como se mede o uso problemático das redes sociais por meio de um estudo realizado com uma amostra de 190.335 jovens entre 11 e 15 anos, provenientes de 40 países.

Assinado por especialistas das universidades suíças de Lausanne e Berna, e da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica), foi publicado recentemente na revista especializada Journal of Psychopathology and Clinical Science, conforme informou a UV em um comunicado.

“Você pensa no Instagram assim que acorda. Você abre o TikTok sempre que tem um momento livre. Sente que a cada dia quer passar um pouco mais de tempo nas redes sociais. Isso faz de você um viciado? Não”, afirmou Víctor Ciudad.

De acordo com a pesquisa, trata-se de comportamentos que, por si só, não são sinais de um problema. Afinal, “milhões de pessoas os experimentam sem sofrer nenhuma consequência negativa; são, simplesmente, sinais de um uso intenso”, observou o pesquisador, que também garantiu que os sinais que realmente indicam um problema são “muito diferentes”.

Esses sinais são identificados no estudo como “critérios centrais” e são os únicos associados de forma consistente a mal-estar psicológico, problemas de sono e pior qualidade de vida. “Em linguagem cotidiana: você tenta usar menos as redes sociais e não consegue; tem discussões sérias com sua família, parceiro ou amigos por causa do seu uso das redes; mente para os outros sobre quanto tempo passa nelas; se sente mal, irritado ou inquieto quando não pode usá-las; deixou de lado os estudos, esportes ou hobbies para dedicar esse tempo às redes sociais; ou recorre às redes sociais de forma sistemática para fugir de problemas ou emoções negativas”, alertou.

Por isso, ele aconselha que “se você se reconhece em várias dessas situações, vale a pena parar para refletir”. No entanto, "se você apenas pensa muito nas redes sociais ou quer usá-las mais, mas nada do que foi mencionado acima se aplica a você, provavelmente não há problema".

"Dois adolescentes podem obter a mesma pontuação nesses questionários e estar em situações completamente diferentes. Um pode estar enfrentando conflitos em casa e perdendo o controle, enquanto o outro simplesmente aproveita as redes sociais sem que isso lhe cause qualquer dano. Com as ferramentas atuais, os dois recebem o mesmo rótulo, e isso não faz sentido”, explicou Víctor Ciudad Fernández.

POR QUE ESSA ESCLARECIMENTO É IMPORTANTE?

Segundo o especialista, os questionários usados hoje para medir o uso problemático das redes sociais são inspirados naqueles utilizados para diagnosticar dependências de substâncias, como álcool ou drogas. O conflito surge ao misturar em uma única pontuação os sinais que realmente apontam para um problema com outros que refletem apenas um uso frequente.

“Isso pode fazer com que muitas pessoas (especialmente adolescentes) sejam consideradas viciadas quando, na verdade, não o são, gerando um alarme que nem sempre se justifica e desviando a atenção daqueles que realmente precisam de ajuda”, destacou.

No entanto, os pesquisadores acrescentaram: “Não se trata de negar que exista um uso problemático das redes sociais. Ele existe e pode causar sofrimento real. Mas precisamos de ferramentas que distingam bem entre quem está sofrendo consequências negativas e quem, simplesmente, passa muito tempo nessas plataformas porque gosta delas”.

Essa conclusão não depende de um país ou idioma específico, já que os dados obtidos no estudo provêm de 43 regiões de 40 países diferentes, com adolescentes entre 11 e 15 anos, e o resultado “é praticamente o mesmo em todos eles”: pensar muito nas redes sociais e querer usá-las mais não são bons indicadores de um problema real, afirma o artigo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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