MADRID 7 set. (EUROPA PRESS) -
A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW, na sigla em alemão), partido populista de esquerda, afirmou nesta segunda-feira que não impedirá a entrada da extrema direita da Alternativa para a Alemanha (AfD) no governo da Saxônia-Anhalt, sugerindo uma possível abstenção na votação de investidura do candidato Ulrich Siegmund, vencedor das eleições deste domingo com 43,8% dos votos, mas sem maioria absoluta.
Em entrevista à rádio pública Deutschlandfunk, o candidato de esquerda na Saxônia-Anhalt, Thomas Schulze, afirmou que o partido não participará de nenhum acordo político para vetar a AfD, vencedora das eleições, colocando em questão o chamado “cordão sanitário”, prática adotada na Alemanha nos últimos anos para impedir que o partido de extrema direita chegue a cargos no governo.
“Já dissemos que não participaremos de uma coalizão baseada em uma ‘barreira de contenção’ contra a AfD. Deixamos bem claro que conversaremos com todos os partidos e, naturalmente, tentaremos levar adiante também as propostas do BSW que são importantes para a população daqui, na Saxônia-Anhalt”, afirmou ele, mostrando-se aberto à cooperação com a AfD.
A AfD conquistou 39 cadeiras, a apenas três da maioria absoluta necessária para governar. Caso se chegue a uma terceira votação de investidura, bastaria uma maioria simples para eleger o próximo governador do estado localizado no leste da Alemanha.
De qualquer forma, Schulze negou que o partido vá ajudar a AfD a chegar ao poder, ressaltando que a região chegou a essa situação justamente por causa do cerco político praticado pelos partidos tradicionais.
“Foram os partidos que, nos últimos anos, ergueram essa ‘linha vermelha’ — uma verdadeira barreira de contenção — que ontem receberam sua respectiva conta eleitoral”, afirmou. “Eles são os responsáveis por isso, não a BSW”, concluiu.
PROPOSTA DE UM GOVERNO NÃO PARTIDÁRIO
De qualquer forma, o líder regional da BSW ressaltou que a proposta de sua formação política passa pela formação de um governo não partidário que conte com um candidato independente, escolhido por consenso com as demais formações.
“Conversaremos com os diversos partidos. Quem decidir que deseja nos apoiar, votará nele. Ontem ficou claramente demonstrado que o estado está profundamente dividido. Por isso, precisamos de um presidente que possa, de alguma forma, unir os dois lados”, explicou, ressaltando que esse é seu cenário preferido.
“Será, com toda certeza, uma pessoa daqui, da Saxônia-Anhalt. Temos várias pessoas em mente. Mas hoje ainda não vamos citar nenhum nome”, afirmou.
A vitória esmagadora do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais deste domingo na Saxônia-Anhalt provocou um terremoto político em todo o país, com um cenário que coloca em dúvida a viabilidade do cordão sanitário contra a extrema direita, e com a líder da AfD, Alice Weidel, instando o chanceler alemão, Friedrich Merz, a convocar eleições antecipadas imediatamente para facilitar assim sua substituição “antes do Natal”.
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