VALÈNCIA 16 dez. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) e da Universitat Politècnica de València (UPV) criaram um novo papel técnico "mais resistente e ecológico" que pode ser usado em arte, publicações ou decoração de luxo. Esse novo produto "altamente resistente" suporta "até cinco toneladas de pressão sem a necessidade de umedecimento prévio".
A disponibilidade de um papel técnico de alta resistência que dure mais e consuma menos recursos é um dos "grandes desafios" de setores como arte impressa, editoração de luxo, decoração e embalagens de alto valor, que acaba de ser respondido em um novo design criado entre os dois centros, conforme relatado pela instituição acadêmica em um comunicado.
Trata-se de um novo papel avançado que oferece uma "alternativa eficiente e ecologicamente correta" aos papéis premium atuais. "Nosso novo papel de alta resistência funciona em processos de impressão mecânica exigentes, como rotogravura, gravação em relevo ou impressão em relevo", explicou Pilar Aranda, pesquisadora do CSIC no Instituto de Ciência dos Materiais de Madri (ICMM-CSIC) e uma das criadoras do design.
O papel pesa mais de 200 gramas por metro cúbico e suporta até cinco toneladas de pressão sem a necessidade de pré-umedecimento - um processo pelo qual mais umidade é adicionada ao papel - o que proporciona a essas folhas um menor impacto ambiental, reduzindo os tempos de trabalho e o consumo de recursos.
Muitos dos papéis atuais "têm uma vida útil limitada" justamente por causa do umedecimento. "Além disso, sua alta dependência de fibras longas torna o produto mais caro e dificulta a produção em larga escala", explicou Rossi Aguilar, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Arte e Meio Ambiente (CIAE) da UPV, que fez sua tese de doutorado justamente sobre o desenvolvimento desse papel.
EUCALIPTO E LINHO
O novo design é composto de fibras recicladas de eucalipto e linho, reforçadas com aditivos naturais, o que lhes confere "maior durabilidade, fidelidade de impressão e sustentabilidade", segundo os cientistas. Esse papel é compatível com tintas à base de água e à base de óleo e pode incorporar revestimentos de conservação, uma inovação "útil tanto em ambientes artísticos quanto industriais", acrescentou María Eugenia Eugenio, do Instituto Nacional de Pesquisa e Tecnologia Agrícola e Alimentar (INIA-CSIC).
Os pesquisadores e suas equipes não apenas projetaram esse novo papel, mas também estabeleceram o método de fabricação que inclui as etapas dedicadas à preparação do aditivo, as relacionadas à mistura e homogeneização da celulose e seu aditivo, bem como a filtragem do material resultante e a secagem do papel já criado, como destacam Margarita Darder (ICMM) e Raquel Sampedro (INIA).
O resultado o torna "ideal" para produtos que exigem conservação prolongada, como livros ilustrados, catálogos ou publicações de luxo. "Esse material reduz os custos operacionais ao minimizar a duplicação de trabalho e o desperdício de material", acrescentou Ana Tomás (UPV), que também explica que o papel já foi testado em aplicações artísticas "com sucesso".
A próxima etapa, explicam, envolve "uma colaboração que nos levará a concluir o desenvolvimento para a exploração comercial dessa invenção". Os pesquisadores estão "totalmente convencidos" do potencial de seu papel nos setores ligados a embalagens de luxo (cosméticos, moda, tecnologia) ou para estúdios de impressão artística e de alto nível.
No momento, essa invenção deu origem a um novo projeto que combina pesquisa teórica, técnica e artística em favor do meio ambiente: "Diante da precária situação ambiental atual, esse projeto informativo propõe intervenções e experiências por meio de ações, exposições, oficinas, conferências, palestras, performances e patentes de biomateriais", descreveu Aguilar.
O projeto envolve a participação de 76 artistas, que trabalharão conceitual e artisticamente com diferentes materiais em suportes que variam de acordo com seu grau de contaminação: "Desde plástico sintético, pele de caqui, até papéis e telas afetados por dana", concluiu Aguilar.
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