Fernando Sánchez - Europa Press
MADRID 4 jul. (EUROPA PRESS) -
O Papa Leão XIV visitou neste sábado, 4 de julho, o complexo esportivo “Arena” de Lampedusa, no sul da Itália, onde passou a manhã em visita pastoral e se reuniu com os fiéis durante um passeio no papamóvel antes da celebração da missa e da última etapa na ilha, símbolo das rotas migratórias no Mediterrâneo.
Leão XIV expressou sua gratidão pela “acolhida calorosa” na ilha situada em frente à costa da Sicília, que continua honrando a passagem do Papa Francisco e o legado que ele deixou à comunidade e a todos os migrantes.
“O fato de terem decidido batizar o cais Favaloro com o nome do Papa Francisco é um sinal do vínculo que meu predecessor estabeleceu com a sua comunidade e com os irmãos e irmãs migrantes: o Papa esteve ao lado de vocês neste período tão difícil. E hoje estou aqui para lhes dizer que o Papa continua acompanhando-os, apoiando-os e encorajando-os”, afirmou.
O Pontífice explicou que sua visita não tem como objetivo proferir grandes discursos, mas celebrar a Eucaristia e reforçar o sentido dos gestos de ajuda e de partilha.
“Não vim para proferir discursos, mas para celebrar a Eucaristia, sinal supremo da presença de Cristo entre nós. O gesto de Jesus ao partir o pão para se entregar a si mesmo dá sentido e força aos nossos gestos cotidianos de ajuda e partilha. Sim, este é um lugar onde, mais do que as palavras, são os gestos que falam. Mas os gestos, para serem humanos, precisam de um coração. É por isso que nos reunimos aqui: para buscar em Cristo o amor que somente Ele pode nos dar, para que o mundo de hoje e de amanhã seja mais humano, mais humano para todos”, afirmou.
A MENSAGEM DO PREFEITO DE LAMPEDUSA
Ao chegar, Leão XIV foi recebido pelo prefeito de Lampedusa, Filippo Mannino, que descreveu a visita do Pontífice como um presente, um gesto fraterno e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade naquele “pequeno pedaço de terra no meio do mar”, que há muitos anos abriga “feridas e esperanças que pertencem ao mundo inteiro”.
Mannino destacou que Lampedusa é também “esperança, porto de chegada, dor e memória” e lembrou que é “o lugar onde tantas pessoas buscaram salvação, dignidade e um futuro”.
“Algumas encontraram uma nova perspectiva, outras nunca chegaram: todas elas estão em nossos corações. Nossa comunidade conhece o valor e o peso dessa história”, acrescentou, referindo-se aos pescadores, socorristas, forças de segurança, voluntários, profissionais e famílias inteiras, além das instituições que prestaram seu apoio.
O prefeito destacou que a ilha, “muitas vezes em silêncio, aprendeu a ver o mar não apenas como uma fronteira, mas como um chamado”, acreditando “que toda vida humana é sagrada” e reivindicando que Lampedusa sirva de farol no apelo à paz dos “povos feridos que defendem a vida”.
“Esta é Lampedusa: um pequeno sinal de paz no coração do Mediterrâneo que se dirige aos homens de todas as partes do mundo. Uma ilha tão pequena demonstrou que mesmo o que parece frágil pode realizar coisas imensas. Ela acolheu, socorreu, consolou. Conheceu o medo, o cansaço, a dor, a raiva, mas nunca deixou de estender a mão”, afirmou.
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