Carlos Luján - Europa Press - Arquivo
MADRID, 25 ago. (EUROPA PRESS) -
O secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, afirmou nesta terça-feira que a criação de um comando único para a cidade de Ceuta, após a entrada em massa de imigrantes vindos de Marrocos há um mês, não alterará a assistência médica prestada a essas pessoas, uma vez que o Ministério da Saúde detém as competências por meio do INGESA, mas “sim, vai mudar no que diz respeito às condições de saúde dessa população”.
Além disso, ele rejeitou o confinamento da cidade solicitado ao governo pelo secretário-geral do PP, Alberto Núñez Feijoo, e adiantou, em declarações à RTVE divulgadas pela Europa Press, que a vacinação da população migrante terá início “nos próximos dias”, em conformidade com o acordo desta segunda-feira da Comissão de Saúde Pública para enviar a Ceuta 45.000 doses de vacinas por meio do mecanismo de solidariedade entre as Comunidades Autônomas e o Ministério, como medida preventiva diante da situação na cidade autônoma.
“Como temos dito desde o início desta crise, para a saúde da população nessas circunstâncias, há elementos fundamentais como a salubridade, a higiene, o saneamento, a segurança da água e da alimentação, além de uma maior coordenação entre os diferentes atores e a existência de um comando único, com capacidade para exigir e coordenar o alojamento e a localização dessas pessoas em locais mais específicos, o que muito provavelmente melhorará a situação”, destacou.
Como já comentou a ministra da Saúde, Mónica García, em sua recente visita a Ceuta, Padilla insistiu que “chamou a atenção que, em 2021, a cidade de Ceuta tenha sido muito proativa na cessão de espaços para acomodar os migrantes, evitando que ficassem vagando pelas ruas ou em assentamentos que não fossem seguros e saudáveis para eles, e, atualmente, parece que isso se prolongou demais”.
Na opinião dela, trata-se de um “elemento fundamental” no qual “houve grande avanço na última semana”, para controlar possíveis surtos de gastroenterite ou sarna.
Ele espera que, com o comando único, melhore o processamento dos processos e casos de cada pessoa para, por exemplo, determinar locais de acolhimento para as pessoas que estão nas ruas, a fim de acomodá-las em “espaços administrados e de propriedade da cidade de Ceuta, o que até agora não era possível”.
Em relação à situação sanitária na cidade autônoma, ele precisou que, no que diz respeito à atividade sanitária, o nível de ocupação hospitalar neste momento é inferior a 50%. “Existe uma separação entre os circuitos destinados à população migrante e à população que já residia na cidade de Ceuta. Isso ocorre tanto no Hospital de Ceuta quanto no Centro de Saúde de Tarajal ou no Centro de Saúde de Otero”, esclareceu.
Embora tenha reconhecido o aumento da pressão sobre os serviços de assistência, ele reiterou que “estamos muito longe do que poderíamos chamar de colapso”, com mais de 90 profissionais de reforço, coordenados com a Médicos do Mundo ou a Cruz Vermelha, que estão prestando atendimento diretamente nos locais onde as pessoas migrantes estão alojadas.
Nesse sentido, ele destacou que os migrantes que chegaram a Ceuta são, em sua maioria, jovens e, em termos gerais, saudáveis; por isso, “entre 30% e 40% das consultas atendidas dizem respeito a curativos e ferimentos, e não ao desenvolvimento de patologias específicas”.
Segundo ele, “no que diz respeito à atividade de saúde, o objetivo número um é preservar a normalidade dos serviços de saúde para a população de Ceuta, ao mesmo tempo em que se presta a assistência necessária à população migrante que chegou, e o segundo elemento é continuar reforçando os esforços para garantir que nossos profissionais — aos quais devo agradecer pela enésima vez pelo trabalho realizado durante todo esse tempo — continuem realizando esse trabalho”.
Com relação aos riscos à saúde decorrentes da superlotação, da segurança alimentar ou da segurança do abastecimento de água, ele garantiu que “houve uma melhora significativa nos últimos dias”.
PLANO DE VACINAÇÃO ACELERADO
Nesse sentido, ele se referiu ao plano de vacinação acelerado, “o tipo de plano de vacinação que é realizado com a população migrante e refugiada quando chega ao nosso país, que foi aprovado em junho e agora será colocado em prática aqui na cidade de Ceuta”.
Padilla afirmou que parte dessas vacinas já está em Ceuta e que, nesta terça-feira, uma equipe da área de vacinação da Direção-Geral de Saúde Pública do Ministério da Saúde está se deslocando para trabalhar em conjunto com a cidade autônoma e com o serviço da INGESA.
Ele quis deixar claro que “não se trata de vacinar para controlar nenhuma crise de saúde pública” e que, de todas as doenças para as quais as comunidades autônomas enviarão vacinas (difteria, tétano, varicela, sarampo, rubéola...) após o acordo firmado na segunda-feira pela Comissão de Saúde Pública, “não houve nem um único caso diagnosticado entre a população migrante que chegou”.
“Temos apenas dois casos de varicela na população que já morava aqui, que não tem qualquer tipo de vínculo com a população que chegou nos dias 30 e 31. No entanto, temos um grupo de pessoas que possivelmente não está bem vacinado, está com a vacinação incompleta ou não está vacinado, e o responsável é vaciná-los; esse é o elemento fundamental para a prevenção. Não se trata tanto de controlar algo que venha a ocorrer, mas de evitar que algo aconteça”, explicou.
Assim, ele destacou que espera que a vacinação comece nos próximos dias com as doses próprias do INGESA, as que serão fornecidas pela Saúde Exterior, do próprio Ministério da Saúde, e, posteriormente, as que chegarem das comunidades autônomas.
ISOLAMENTO DA CIDADE
Por fim, quanto ao pedido do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, de decretar o confinamento em Ceuta por “risco sanitário”, ele comentou que “a primeira coisa que deveria acontecer é que o Partido Popular soubesse do que está falando”.
Nesse sentido, explicou que, “no dia a dia, em todas as comunidades autônomas — sejam elas governadas pelo Partido Popular, pelo Partido Socialista, o PNV, seja quem for, já existem programas nos quais se isola uma pessoa com um diagnóstico que indique capacidade de transmissão da infecção, o que beneficia o isolamento dessa pessoa em relação ao restante da população”.
Trata-se de isolamentos individuais. “Se isolássemos todas as pessoas migrantes, simplesmente pelo fato de terem chegado à cidade nos dias 30 e 31, de terem entrado pela fronteira de Ceuta com o Marrocos, em um local fechado, estaríamos muito provavelmente contribuindo para que, caso houvesse um único caso, o restante das pessoas pudesse ser contagiado”, destacou.
“O que é preciso fazer é continuar agindo com base nos protocolos existentes, aprovados por todas as comunidades autônomas, que determinam que, diante de determinados diagnósticos, sejam tomadas medidas para interromper as cadeias de transmissão e que, em algumas ocasiões, essas medidas consistam no isolamento dessas pessoas”, concluiu.
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