Publicado 06/07/2026 13:50

Pacientes pedem que se reconsidere o financiamento do primeiro tratamento biológico para a DPOC, após 15 anos sem avanços

Archivo - Arquivo - Homem com DPOC, oxigênio, respirar
WWING/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 6 jul. (EUROPA PRESS) -

A Federação Espanhola de Associações de Pacientes Alérgicos e com Doenças Respiratórias (FENAER) e a Associação Espanhola de Pacientes e Cuidadores de DPOC (EPOC Espanha) exigiram o financiamento do tratamento biológico para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) no Sistema Nacional de Saúde, após uma nova recusa que consideram “difícil de justificar” à luz das evidências disponíveis e da necessidade clínica.

As associações iniciaram uma campanha de coleta de assinaturas para apoiar a demanda por financiamento, à qual já aderiram 4.230 pessoas afetadas, na qual se destaca a situação de desigualdade, uma vez que o medicamento biológico já é coberto para pacientes com asma grave, dermatite atópica e polipose nasal.

Segundo explicam, o medicamento, aprovado há mais de um ano e meio para a DPOC pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), é o primeiro tratamento realmente inovador para essa doença nos últimos quinze anos, e demonstrou benefício simultâneo, com uma redução das exacerbações de até 34% e melhora dos sintomas em um subgrupo de pacientes com inflamação do tipo 2.

As associações lembram, além disso, que essa terapia não se destina a todos os pacientes com DPOC, mas a um grupo “claramente definido”, que são os afetados que, apesar de receberem tratamento inalatório otimizado, continuam sofrendo exacerbações recorrentes e apresentam biomarcadores associados à inflamação do tipo 2.

Ambas as entidades respeitam o marco regulatório vigente e os procedimentos de avaliação de medicamentos na Espanha e compreendem a necessidade de equilibrar inovação, sustentabilidade e equidade no acesso aos tratamentos. No entanto, consideram necessário trazer de volta à discussão os dados que, em sua opinião, respaldam a incorporação dessa terapia para o perfil de pacientes a que se destina.

REDUÇÃO DE ATÉ 34% NAS EXACERBAÇÕES

Assim, elas lembram que a DPOC é uma das principais causas de morbidade e mortalidade na Espanha. Os pacientes perdem até 17 anos de expectativa de vida e, em 2023, foram registradas mais de 12.700 mortes diretas por essa doença, segundo dados do Ministério da Saúde. As exacerbações constituem um dos principais fatores de risco para morte. Cada exacerbação, mesmo que moderada, deteriora irreversivelmente a função pulmonar, aumentando o risco de hospitalização, de eventos cardiovasculares e de mortalidade.

As organizações destacam que o tratamento demonstrou uma redução de até 34% nas exacerbações e um aumento da função pulmonar, com melhora dos sintomas a partir da quarta semana de tratamento. Os resultados levaram à sua recomendação como opção terapêutica nas principais diretrizes clínicas, entre elas a GOLD 2026 (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) e a atualização de 2025 da Diretriz Espanhola para a DPOC (GesEPOC).

EFICIÊNCIA ECONÔMICA PARA O SISTEMA DE SAÚDE

A FENAER e a EPOC Espanha insistem que o financiamento do tratamento não responde apenas a uma necessidade clínica, mas também a uma lógica de eficiência para o próprio sistema de saúde. As exacerbações graves da DPOC são um dos principais fatores que impulsionam os custos de saúde associados à doença, devido a consultas de urgência, internações hospitalares, reinternações e perda de autonomia.

Nesse sentido, afirmam que prevenir esses episódios significa melhorar a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes e reduzir o consumo de recursos de saúde. “Cada exacerbação evitada significa menos deterioração pulmonar, menos risco de internação e mais tempo de vida com qualidade para os pacientes. Existe uma população pequena, identificável e de alto risco, que consome muitos recursos de saúde, para a qual, pela primeira vez, existe uma terapia direcionada reconhecida pelas diretrizes clínicas. Solicitamos acesso controlado e baseado em critérios clínicos”, afirma Mariano Pastor, presidente da FENAER.

“Estamos falando de pessoas que, mesmo seguindo corretamente seu tratamento, continuam vivendo com medo da próxima exacerbação, pois cada exacerbação pode significar uma internação hospitalar e um novo estágio de perda da capacidade respiratória”, declarou Iñaki Morán, presidente da EPOC Espanha.

Ambas as organizações defendem que o diálogo seja mantido aberto para identificar caminhos que permitam conciliar sustentabilidade, evidência científica e acesso dos pacientes com maior necessidade clínica, reafirmando sua disposição de colaborar com as autoridades de saúde na busca por soluções responsáveis e equitativas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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