MADRID, 24 abr. (EUROPA PRESS) -
A Aliança contra a Metástase, Inovação e Apoio (ALMIA) solicitou à Organização Mundial da Saúde (OMS) que o dia 10 de junho seja proclamado como o Dia Mundial do Câncer Metastático, com o objetivo de dar visibilidade a essa doença, divulgar as necessidades dos pacientes e reivindicar melhorias para eles.
“A metástase continua sendo um problema ignorado no discurso social sobre o câncer e acredito que essa ignorância não se deve à falta de informação (...), acho que é fruto do medo que existe na sociedade em relação à palavra câncer e, especialmente, à palavra metástase, porque sempre foi associada à palavra morte, o que hoje em dia já não é assim”, destacou a presidente da ALMIA, Pilar Fernández, em um workshop de formação para jornalistas.
A curva de diagnósticos de câncer está em ascensão, com mais de 300.000 novos casos previstos para 2026 na Espanha, onde as mortes por essa causa ultrapassam 115.000. Cerca de 90% das mortes por câncer no mundo estão associadas à metástase; no entanto, não há dados sobre o total de pacientes nesta fase da doença, razão pela qual a ALMIA tem reivindicado a criação de um registro.
A presidente da ALMIA destacou que a “boa notícia” é que “o paradigma do tratamento mudou” graças aos avanços no conhecimento e ao desenvolvimento de terapias direcionadas, o que permitiu aumentar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.
Embora haja falta de visibilidade entre a população sobre os tumores metastáticos, a situação na comunidade investigadora não é a mesma. Conforme destacou Fernández, 40% das pesquisas oncológicas são sobre metástases e, na última década, a doença representou 60% das apresentações orais na Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês).
Nesse contexto, o oncologista pediátrico Eduardo García-Toledano, membro do Conselho Consultivo de Saúde Pública da OMS, anunciou que foi solicitado a esse órgão a proclamação do Dia Mundial da Metástase, não como uma data para “comemorar”, mas “para exigir, para reivindicar”. “Precisamos desse dia para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, enfatizou.
O especialista explicou que, a partir do reconhecimento institucional desse dia, se trabalhará para promover a incorporação sistemática da voz do paciente e do cuidador na tomada de decisões de políticas públicas; melhorar os registros oncológicos; garantir a equidade no acesso à inovação, aos comitês moleculares e ao apoio integral diário; e garantir a precisão das informações divulgadas pela mídia.
A solicitação conta com o apoio de mais de 20 entidades, entre as quais se encontram sociedades científicas como a Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM) e o Grupo GEICAM de Pesquisa em Câncer de Mama. Por isso, a ALMIA confia que a resolução seja favorável e, nesse sentido, prevê realizar no próximo dia 10 de junho, em Madri, o primeiro fórum sobre câncer metastático, que espera continuar realizando nos anos seguintes.
10% DOS DIAGNÓSTICOS SÃO NA FASE METÁSTATICA
Durante o workshop “Câncer metastático: entender a ciência para contar a história”, organizado pela ALMIA em colaboração com a Aliança Daiichi Sankyo-AstraZeneca, o chefe do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Clínico San Carlos, Pedro Pérez Segura, destacou que um em cada dez diagnósticos de câncer ocorre na fase metastática.
O oncologista explicou que a doença metastática é “muito heterogênea” entre os tipos de tumores, mas também dentro do próprio paciente, o que dificulta seu tratamento. No entanto, ele destacou os avanços ocorridos nos últimos anos no conhecimento desses cânceres e no desenvolvimento de exames diagnósticos para facilitar a identificação precoce, bem como de tratamentos mais precisos.
Graças a todo esse progresso, o especialista destacou que foi possível aumentar o número de sobreviventes de longo prazo e, concretamente, na última década, as chances de sobrevivência a longo prazo chegaram a triplicar. Assim, ele afirmou que está sendo alcançado o objetivo dos especialistas: “Não podemos curar, vamos tentar tornar a doença crônica”.
Por sua vez, o chefe do Serviço de Anatomia Patológica da Fundação Jiménez Díaz, Federico Rojo, destacou a “revolução” que a medicina de precisão representou no diagnóstico e no tratamento, permitindo não apenas dar um “nome” aos tumores, mas também um “sobrenome”, a partir da análise de biomarcadores.
Segundo ele, essas informações ajudam a determinar qual será a evolução e o prognóstico da doença, bem como quais terapias são mais adequadas para cada paciente. Por isso, ele defendeu que sejam elaboradas estratégias de medicina de precisão em cada sistema de saúde de cada comunidade autônoma.
Atualmente, segundo dados da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica, existem “desigualdades” entre os territórios no acesso à medicina de precisão. Estima-se que entre 20% e 30% dos pacientes não tenham acesso ao estudo de biomarcadores em certas patologias.
“Temos que garantir que os centros e os serviços de diagnóstico disponham dessa tecnologia, que contem com profissionais capazes de interpretar essas informações (...) e esse estudo de biomarcadores deve ser garantido a qualquer paciente, independentemente do código postal em que resida”, afirmou.
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