Publicado 11/03/2026 09:49

Pacientes com linfócitos B mais maduros respondem melhor à quimioimunoterapia no câncer de pulmão, segundo estudo

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MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) - Um estudo do Grupo Espanhol de Câncer de Pulmão (GECP) demonstrou que os pacientes com câncer de pulmão que respondem melhor à quimioimunoterapia antes da cirurgia têm linfócitos B mais maduros e funcionais, que são responsáveis pela produção de anticorpos.

Assim, a investigação revela que os linfócitos B — células do sistema imunológico responsáveis pela produção de anticorpos e pela coordenação da resposta defensiva do organismo — desempenham um papel fundamental na resposta ao tratamento. Especificamente, à terapia com quimioimunoterapia administrada antes da cirurgia em pacientes com câncer de pulmão não microcítico. A descoberta fornece novas pistas sobre por que alguns pacientes com esse tumor respondem melhor do que outros ao tratamento antes da cirurgia. O trabalho, intitulado “Decoding B Cell Signatures of Complete Pathological Response to Perioperative Chemoimmunotherapy in Non-Small Cell Lung Cancer” (Decodificando assinaturas de células B de resposta patológica completa à quimioimunoterapia perioperatória no câncer de pulmão de células não pequenas), foi publicado na revista “Clinical Cancer Research”, editada pela American Association for Cancer Research (AACR). A pesquisa analisou amostras de tumor e sangue de 123 pacientes incluídos nos ensaios clínicos do GECP NADIM e NADIM II, que avaliaram a eficácia da quimioimunoterapia antes da cirurgia, estudando a organização, diversidade e ativação dos linfócitos B dentro do microambiente tumoral.

“Tradicionalmente, pensava-se que bastava que as células do sistema imunológico estivessem presentes no tumor, mas nossos dados mostram que a eficácia da imunoterapia também depende de uma resposta imunológica bem organizada e funcional”, explica Alberto Cruz, co-investigador principal do estudo e especialista em Oncologia Médica do Instituto de Pesquisa Sanitária Puerta de Hierro.

Nesse sentido, uma das descobertas mais relevantes do estudo refere-se às estruturas linfóides terciárias (TLS), pequenos "centros imunológicos" que se formam no interior do tumor. O estudo demonstra que a quimioimunoterapia potencia a formação dessas estruturas e que as TLS mais maduras e ativas estão associadas a uma resposta patológica completa, ou seja, ao desaparecimento total do tumor após o tratamento pré-cirúrgico. Além disso, essas diferenças também são detectadas no sangue. Os pacientes que respondem melhor ao tratamento apresentam linfócitos B mais maduros e ativos, o que abre as portas para o desenvolvimento de biomarcadores sanguíneos capazes de prever a eficácia terapêutica. Segundo os pesquisadores, essa capacidade preditiva supera os indicadores clássicos usados atualmente, como a expressão de PD-L1 ou a carga mutacional do tumor.

“Avaliar a atividade dos linfócitos B e das estruturas linfóides terciárias pode se tornar uma ferramenta fundamental, não apenas para antecipar como cada paciente responderá, mas também para otimizar sua seleção e evitar tratamentos desnecessários”, afirma Belén Sierra, pesquisadora de pós-doutorado no Hospital Puerta de Hierro.

Nesse sentido, a avaliação da atividade dos linfócitos B e das estruturas linfóides terciárias pode se tornar uma ferramenta fundamental para antecipar a resposta dos pacientes ao tratamento, otimizar sua seleção, evitar terapias desnecessárias e abrir novas vias terapêuticas destinadas a potencializar os centros imunológicos dentro do próprio tumor.

IMPACTO DO CÂNCER DE PULMÃO O câncer de pulmão continua sendo uma das principais causas de mortalidade por câncer em todo o mundo. No ano passado, foram registradas mais de 23.000 mortes na Espanha, com um aumento da mortalidade feminina que levou, pela primeira vez, esse tumor a ultrapassar o de mama como principal causa de mortalidade por câncer em mulheres.

Como destaca Mariano Provencio, presidente do GECP, “compreender por que alguns pacientes respondem melhor à quimioimunoterapia é fundamental para avançar em direção a tratamentos mais precisos, personalizados e eficazes que permitam melhorar a qualidade e as expectativas de vida deste tumor de alto impacto”.

Segundo o GECP, este trabalho representa a análise mais completa realizada até à data sobre o papel dos linfócitos B na resposta ao tratamento antes da operação e constitui um passo importante para a personalização dos tratamentos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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