Publicado 08/05/2026 11:15

Pacientes com doenças mentais graves têm três vezes mais chances de sofrer de edentulismo, segundo especialista

Da esquerda para a direita: Dra. Cristina Calderón, ... Uera, Dr. Óscar Castro e Dra. María Martínez
SEPA

MADRID 8 maio (EUROPA PRESS) -

Pacientes com doenças mentais graves têm três vezes mais chances do que a população em geral de sofrer de edentulismo, ou seja, de ter perdido todos os dentes, além de outros problemas dentários que afetam a qualidade de vida desses pacientes e que, por sua vez, têm consequências nas alterações mentais, segundo a especialista da Sociedade Espanhola de Periodontia e Osteointegração (SEPA), María Martínez.

Nesse sentido, o Conselho Geral de Dentistas apresentou a campanha “Saúde bucal e saúde mental”, patrocinada pela Philips, na qual 810 clínicas em toda a Espanha se inscreveram para receber um guia de saúde mental.

Diversos estudos evidenciaram uma “ligação bidirecional” entre os transtornos mentais, a saúde bucal e a qualidade de vida. Adultos com problemas de saúde mental apresentam 25% mais cáries do que a população em geral, além de uma maior incidência de outras patologias bucais. Por exemplo, cerca de 50% sofrem de doença periodontal; 2 em cada 3 tiveram dor de dente no último ano; e mais de um terço apresenta cáries não tratadas.

Da mesma forma, existem “associações relevantes” entre a saúde bucal e diversos transtornos mentais e neurológicos. Assim, a periodontite tem sido associada à doença de Alzheimer; observou-se uma relação entre inflamação crônica e transtorno bipolar; pacientes com esquizofrenia apresentam maior risco de doença periodontal; e os transtornos do comportamento alimentar podem provocar erosão dentária.

Nesse contexto, María Martínez destacou a importância de aplicar modelos preventivos que priorizem os hábitos de higiene, mas também a confiança e a segurança do paciente.

ESPANHA, PAÍS EUROPEU COM MAIS TRANSTORNOS MENTAIS E PROBLEMAS DENTÁRIOS

O médico estomatologista e presidente do Conselho, Óscar Castro Reino, afirmou que a Espanha é o país com o maior consumo de psicotrópicos do mundo, pelo que “é claro que existem muitos problemas mentais”.

De fato, em 2022, a prevalência de transtornos mentais e comportamentais atingiu 34%, o que representa um aumento de 4,7% em relação a 2019. Entre os problemas de saúde mental mais comuns, destacam-se os transtornos de ansiedade (10,6%), seguidos pelos transtornos do sono (8,2%) e pelos transtornos depressivos (4,8%), todos com uma tendência crescente no período de 2016 a 2022.

Ao mesmo tempo, Castro Reino detalhou que os espanhóis são os europeus que menos vão ao dentista, o que faz com que seja o país com o maior número de patologias dentárias.

“Os idosos espanhóis são os que mais apresentam edentulismo e as crianças são as que mais sofrem de patologias como cáries e alterações gengivais em toda a Europa”, acrescentou.

Por sua vez, a presidente da Sociedade Espanhola de Harmonização Orofacial (SEDAO), Cristina Calderón, expôs que, quando se melhora o sorriso de um paciente, este adquire segurança, confiança e autoestima.

Em um contexto marcado pelas redes sociais, os filtros geram dismorfia na população e obrigam, em muitas ocasiões, a “cumprir padrões que são irreais e realizar tratamentos que não deveriam ser feitos”.

“Temos que ser objetivos, estabelecer critérios e realmente realizar o tratamento de que o paciente precisa dentro de um padrão saudável”, ressaltou a especialista, que defendeu a ideia de que é preciso “ser conservador” com os dentes.

Calderón enfatizou que os procedimentos clínicos não podem ser determinados por uma exigência estética do paciente, pois é tão importante “tratar quanto não tratar”.

Por fim, o psiquiatra Diego Figueras explicou que as fobias infantis ao dentista podem resultar em traumas e fazer com que os pacientes não procurem atendimento até que a situação atinja estágios complexos.

Nesse sentido, ele argumentou que a “odontofobia pode ser transmitida de geração em geração” e que, nesse contexto, devem ser os pediatras e médicos da Atenção Primária que detectem os problemas e orientem a situação.

CÍRCULOS VICIOSOS

Além disso, Figueras comentou que se criam “círculos viciosos” nas pessoas que sofrem de problemas graves de saúde mental, uma vez que existem falhas na autoimunidade e também nas defesas, e esses pacientes têm mais probabilidades de ter doenças relacionadas a infecções, que, ao mesmo tempo, podem gerar doenças bucodentárias.

Por outro lado, hábitos como o bruxismo podem fazer com que o sono não seja tão reparador, o que aumenta os problemas de ansiedade e, ao mesmo tempo, o consumo de ansiolíticos gera efeitos colaterais como a dependência ou a falta de sono.

“As evidências disponíveis reforçam a necessidade de abordar a saúde a partir de uma perspectiva integral. Melhorar a saúde bucodental não só contribui para prevenir doenças físicas, mas também desempenha um papel fundamental no bem-estar psicológico e social das pessoas”, concluiu Óscar Castro Reino.

Por isso, esta campanha é necessária para uma abordagem integral da saúde bucodental, levando em conta sua relação bidirecional com os transtornos mentais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado