Publicado 26/01/2026 04:07

A OTAN, entre a oportunidade e o abismo devido à crise na Groenlândia

Archivo - Arquivo - 22 de outubro de 2025, Washington, Distrito de Columbia, EUA: Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), faz comentários ao se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, no Salão
Europa Press/Contacto/Aaron Schwartz - Pool via CN

MADRID 26 jan. (EUROPA PRESS) -

A OTAN enfrenta a crise da Groenlândia devido às pretensões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de controlar o território autônomo da Dinamarca, como um importante desafio ao seu papel de garante da segurança na Europa, ao mesmo tempo em que busca diminuir as tensões e se reivindicar como plataforma para que os aliados discutam a preocupação conjunta com a segurança no Ártico.

Depois que, à margem do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, Trump anunciou um pré-acordo após se reunir com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, pouco se soube sobre o pacto e não se sabe se ele incluirá novas zonas de soberania americana na ilha, linha vermelha estabelecida pela Dinamarca para qualquer acordo com Washington.

Segundo a Casa Branca, o acordo-quadro permitirá, se concretizado, alcançar “todos os objetivos estratégicos” de Washington e “para sempre”, após as tensões diplomáticas das últimas semanas, incluindo ameaças por parte do presidente americano de uma intervenção militar. “Na verdade, ainda não há acordo. Sabemos pouco, mas o que houve foi uma conversa entre Rutte e Trump em que concordaram com um quadro que seria a base para futuras negociações”, afirma Kristina Kausch, do think tank German Marshall Fund, que ressalta que “continua em discussão” a tentativa de Washington de incorporar parte do território dinamarquês.

Nesse sentido, ela observa que os Estados Unidos têm duas maneiras de proceder agora: a de Guantánamo, para “uma espécie de aluguel de longo prazo de parte do território”, ou o modelo de Chipre, em referência à invasão turca de 1974 para controlar parte da ilha.

A OTAN, num contexto que põe em causa os próprios alicerces da aliança, procura centrar o debate no trabalho coletivo para proteger a região do Ártico, uma zona de crescente interesse geopolítico devido à atividade da Rússia e da China na zona.

Assim sendo, espera-se que a organização militar discuta nas próximas semanas uma eventual operação militar que reforce a vigilância e a segurança na zona, seguindo o exemplo das missões lançadas para a ala oriental ou o mar Báltico face à ameaça russa. Uma presença reforçada no Ártico, incluindo a Groenlândia, poderia desativar, pelo menos temporariamente, as pretensões de Trump e conseguir, por meio de pressão, o objetivo de que os europeus reforcem a presença militar diante da Rússia e da China. “Como aliados europeus da OTAN, devemos fazer mais para proteger o Atlântico Norte. Este é um interesse transatlântico comum”, afirmou o chanceler alemão, Friedrich Merz, considerado um dos maiores defensores da relação transatlântica.

Uma maior atenção da OTAN, incluindo os Estados Unidos e os europeus juntos, à situação no Ártico é “o maior resultado positivo” desta crise, aponta Kausch, que alerta que, de qualquer forma, a OTAN fica “muito afetada” por esta crise.

“A organização é o símbolo, a expressão, a institucionalização da relação transatlântica e funciona tão bem quanto funciona a relação entre seus membros”, aprofunda a analista do German Marshall Fund.

Segundo o ex-secretário-geral da Aliança e ex-primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, “o tempo da complacência acabou”, pelo que aposta numa resposta europeia “mais firme e unida” face às declarações “escandalosas” do líder norte-americano sobre a Gronelândia.

“Precisamos de um debate mais construtivo sobre como podemos atender às preocupações do presidente americano”, indicou em declarações enviadas à Europa Press. Ele ressalta que um ataque dos Estados Unidos a um aliado “seria o fim da OTAN”, pois não faria sentido ter uma organização de defesa coletiva na qual “o principal aliado ataca outro aliado para adquirir território”.

Rasmussen opta por propor uma “saída” para a crise gerada por Trump que inclua a renovação do acordo de defesa entre a Dinamarca e os Estados Unidos, de 1951, “com o objetivo de abrir caminho para uma presença mais permanente da OTAN na Groenlândia e no Ártico”.

Mas não fica por aí, o ex-líder da OTAN explica à Europa Press a utilidade de um acordo de investimento destinado a atrair mais investimento privado para a extração de terras raras e outros minerais críticos na Groenlândia, num passo mais para falar a linguagem da Administração americana. Tudo isso deve ser culminado por um pacto de “estabilização e resiliência”, diz Rasmussen, um pacto que deve incluir mecanismos de controle para impedir investimentos chineses e russos em infraestruturas críticas na Groenlândia.

Sobre a figura do secretário-geral da OTAN nesta crise, após as críticas feitas por seu tom próximo a Trump, os elogios contínuos ou o fato de ter sido equidistante em relação à defesa da soberania da Groenlândia, Kausch defende o ex-primeiro-ministro holandês e ressalta que, graças à “sua personalidade e sua boa relação com Trump”, ele conseguiu “virar o jogo” nesta crise que abala o tabuleiro geopolítico mundial.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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