Publicado 19/07/2026 06:46

Óscar, caçador de eclipses: “Depois de ver 12 eclipses, continuo me emocionando e chorando. É uma experiência única”

Ele acredita que a preparação para o eclipse poderia ter sido “melhor”: “Ninguém esperava a quantidade de gente que viria”

Observação de um eclipse
CEDIDA POR ÓSCAR MARTÍN

MADRID, 19 jul. (EUROPA PRESS) -

Óscar Martín, proprietário da empresa Startrails, é um dos mais de 100 caçadores de eclipses que existem na Espanha. São pessoas apaixonadas por esse tipo de fenômeno, não necessariamente astrônomos, que viajam pelo mundo inteiro para poder observá-los na totalidade.

Esse especialista já percorreu milhares de quilômetros pelo mundo para ver até doze eclipses totais de Sol em países como Austrália, China, Egito, Polinésia Francesa, Indonésia, Quênia, Argentina ou Estados Unidos.

Ele também apreciou esse evento astronômico incomum sobre o Atlântico Norte no ano de 2015. Para isso, ele alugou, junto com outros caçadores de eclipses, um avião Airbus 320 por cerca de 6.000 euros a passagem, em uma viagem cujo único objetivo era assistir a um eclipse solar total.

“É algo incrível; depois de 12 eclipses, continuo me emocionando e chorando. As lágrimas escorrem dos olhos quando isso acontece; é uma emoção enorme, uma experiência única na vida. Com todo esse turbilhão de emoções, você explode de emoção, grita e pula”, relatou Martín em entrevista à Europa Press, alertando que “milhões de estrangeiros virão para a Espanha”.

Essa emoção é algo que só se pode entender quando se vê um eclipse total de Sol, acrescenta o especialista, que defende que se aproveite o momento “em família”, pois é algo “para compartilhar”. “A maioria das pessoas que vai assistir aos eclipses são pessoas comuns: famílias, casais, amigos...”, precisou ele.

O caçador de eclipses aconselha que, no próximo dia 12 de agosto, as pessoas aproveitem o eclipse na Espanha sem tirar fotos porque, em suas palavras, “é algo muito bonito, muito curto, e qualquer foto será um desperdício, pois não vai ficar boa”. “Nem fotos nem vídeos”, conclui ele.

No entanto, ele, por uma questão científica, leva um equipamento para registrar os eclipses. Na verdade, no próximo dia 12 de agosto, ele estará equipado com até 20 câmeras com sensores e fotômetros que vem programando há seis meses para que “fotografem tudo automaticamente” e, assim, possa aproveitar a experiência.

Para ver o eclipse, Óscar escolheu como local Osorno, em Palência, onde reservou uma área exclusiva para ele e seus acompanhantes. Naquele dia, ele vai ter que fazer o papel de “anfitrião” para outros caçadores de eclipses e para sua família, que o acompanhará durante o evento.

“É um pouco estressante porque normalmente viajo sozinho ou com alguns amigos caçadores de eclipses, mas este ano, como vai acontecer na Espanha, sinto-me moralmente obrigado a convidar outras pessoas de vários países para assistirem comigo. Em Osorno vai ser como uma festa da cidade, mas para o eclipse, e, como forma de agradecimento, ajudamos com orientações”, afirmou.

O MELHOR LUGAR PARA VER O ECLIPSE? ONDE SE VEJA E NÃO HOUVER NUVENS

Quando questionado sobre o local ideal para apreciar o eclipse no próximo dia 12 de agosto, ele defendeu que “não há lugar melhor” e aconselhou “qualquer lugar onde se veja o eclipse e não haja nuvens”.

O especialista escolheu Osorno porque “está estrategicamente bem localizado, a meio caminho de todos os lugares”; assim, caso haja nuvens, será possível se deslocar “para qualquer direção”. Além disso, acrescenta ele, o local que reservou “fica bem perto da rodovia, tem ótima acessibilidade e fica em uma elevação”.

“Cada local para ver o eclipse tem seu charme. Na Galícia, o Sol está muito mais alto e os fotógrafos que quiserem imagens de melhor resolução e com o Sol mais nítido devem ir para lá, enquanto aqueles que precisam mais de uma foto do tipo cartão-postal, que seja bonita, nas Ilhas Baleares terão uma visão espetacular do eclipse sobre o mar”, explicou.

Embora as pessoas pensem que é preciso ir aos locais onde o eclipse dure o máximo de tempo, Óscar afirma que “não é necessário”. “Cada ponto é único e tem suas particularidades”, ressaltou.

OLHAR PARA O ECLIPSE: O MESMO RISCO PARA OS OLHOS QUE OLHAR PARA O SOL

Quanto às consequências para os olhos de olhar diretamente para o eclipse sem proteção, ele garantiu que “tem exatamente o mesmo perigo observar um eclipse solar do que em um dia normal”.

“As pessoas confundem ou tendem a achar que olhar para o eclipse causa cegueira, mas não é isso: você fica cego por olhar para o Sol. No dia do eclipse, as pessoas ficam tentadas a olhar diretamente, mas é preciso usar óculos especiais e descartar qualquer método caseiro, como CDs ou radiografias; devem ser filtros para a radiação ultravioleta, que é o que queima os olhos”, alertou.

Nesse ponto, Martín destacou que o preço dos óculos homologados para observar o eclipse varia entre 3 e 7 euros: “Mais do que isso é uma fraude e menos, normalmente, não oferece as garantias necessárias”.

No entanto, o eclipse poderá ser observado sem proteção no momento da totalidade; portanto, aqueles que estiverem em áreas fora da faixa de totalidade devem sempre usar proteção.

COMO OBSERVAR O ECLIPSE SEM PERIGO

“Durante a totalidade, você precisa tirar os óculos, porque, se não, vai perder o eclipse. Você pode olhar com os olhos, com binóculos ou um telescópio, o que quiser. Para começar a observar, coloque os óculos, que são projetados para que se veja o Sol, e, no momento em que ele desaparecer completamente, você já pode olhar sem os óculos. Para colocá-los novamente, antes que a fase total termine, percebe-se em um dos lados do Sol que o brilho começa a aumentar um pouco; nesse momento, é preciso colocar os óculos de novo”, explicou.

O especialista alertou que, se a exposição ao Sol for prolongada, “você pode ficar cego permanentemente”, mas esclareceu que “o eclipse não é perigoso” e pediu que não se entre em “pânico” e que as pessoas “respeitem as medidas de segurança”.

Embora tenha reconhecido que as autoridades “estão se mobilizando agora” para a preparação do eclipse, ele lamentou que “no início não estavam fazendo nada”. “Acho que vamos dar um jeito nisso, mas poderia ser feito melhor; o problema que vejo é que ninguém espera a quantidade de pessoas que vai aparecer; só quando elas chegarem é que vão perceber”, afirmou.

INCIDENTES QUE PODEM OCORRER DURANTE O ECLIPSE

Entre os incidentes que podem ocorrer em decorrência do eclipse, ele destacou que o maior perigo são os incêndios, devido à quantidade de pessoas que estarão em áreas rurais, bem como as aglomerações.

“Se as pessoas não cumprirem as normas e não agirem de forma cívica, é provável que tenhamos mais mortes por incêndios, pois virão milhões de pessoas que se deslocarão para áreas rurais e, qualquer descuido, qualquer bituca de cigarro ou pedaço de vidro que deixarem para trás pode provocar um incêndio”, alertou.

Por isso, o caçador de eclipses recomendou assistir ao evento em pontos oficiais onde haja ambulâncias ou bombeiros e nos quais não haja risco de ficar preso e se deparar com um incêndio. “Vem gente de fora que não entende que estamos sob risco extremo de incêndios”, comentou.

Da mesma forma, ele ressaltou que, no dia 12 de agosto, haverá muitos engarrafamentos — horas e horas de engarrafamento em quase todas as rodovias —, especialmente na volta. Por esse motivo, ele recomendou que as pessoas partam cedo, se possível no dia anterior, e que não partam logo após o eclipse: “Que tentem passar a noite por lá e aproveitem para ver a chuva de estrelas, que descansem e, assim, evitem todo o trânsito”.

Ele também pediu às pessoas que levem bebidas e comida, caso fiquem presas no trânsito, e que levem celulares e baterias externas para o caso de haver uma emergência.

“Naquele dia, todos terão os olhos voltados para a Espanha; depende de como agirmos que falarão melhor ou pior do nosso país, do nosso turismo e da marca Espanha. É o momento ideal para promover as regiões despovoadas da Espanha”, destacou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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