Publicado 03/07/2026 08:32

Os veterinários alertam que 75% das doenças infecciosas emergentes em seres humanos têm origem animal

Archivo - Arquivo - A doença transmitida por carrapatos que há anos circula na Espanha
LADISLAV KUBE/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 3 jul. (EUROPA PRESS) -

A Organização Colegial Veterinária (OCV) destacou que cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes em seres humanos têm origem animal e que seu controle exige o reforço da vigilância e da abordagem “One Health”.

“Não se trata de um fenômeno pontual, mas de uma realidade estrutural que é agravada pela globalização, pela mobilidade internacional, pelas mudanças climáticas, pela transformação dos ecossistemas e pelo aumento do contato entre pessoas, animais e o meio ambiente”, destacou a OCV por ocasião do Dia Mundial das Zoonoses.

Nesse contexto, a organização busca aproximar a sociedade da realidade das zoonoses. Assim, explicou que se trata de doenças que podem ser transmitidas entre animais e pessoas, representam um dos grandes desafios atuais da saúde pública e estão muito presentes no dia a dia.

Doenças como a raiva, a gripe aviária, o vírus do Nilo Ocidental, a brucelose, a leishmaniose ou casos recentes como a COVID-19 ou o hantavírus são exemplos de zoonoses que afetam a saúde pública, e “nos permitem lembrar que muitas ameaças à saúde têm origem em animais ou alimentos”, destaca a organização.

RAIVA, VETORES E MUDANÇA CLIMÁTICA

No caso da raiva, a OCV destaca que, embora a Espanha mantenha há décadas o status de país livre da doença em mamíferos terrestres, ainda existem riscos de introdução associados à proximidade com zonas endêmicas do Magrebe e aos movimentos internacionais de animais de companhia.

Para a OCV, casos recentes, como o detectado na Itália em um cão que havia passado anteriormente pela Espanha, confirmam que se trata de uma zoonose de “máxima gravidade”. Por isso, a OCV continua reivindicando a vacinação obrigatória em todas as comunidades autônomas.

Além disso, afirma que, na Espanha e no sul da Europa, as doenças transmitidas por vetores, especialmente mosquitos, como a febre do Nilo Ocidental, estão ganhando força. “A expansão de diferentes espécies de mosquitos e sua adaptação a novos ambientes estão tornando esses riscos cada vez maiores”, destaca a organização, que acrescenta que o impacto das mudanças climáticas e a alteração dos habitats favorecem novas dinâmicas de transmissão e exigem o reforço da capacidade de antecipação.

Além disso, para os veterinários, a leishmaniose constitui outra zoonose de especial relevância no ambiente, com presença consolidada na Espanha e intimamente ligada à expansão de vetores como os flebotomíneos. De fato, um estudo realizado detectou a transmissão ativa da Leishmania infantum entre cães em Barcelona.

“Seu comportamento epidemiológico evidencia até que ponto a vigilância animal, ambiental e entomológica é fundamental para antecipar riscos que afetam tanto a saúde animal quanto a saúde pública”, afirmam na OCV.

A VIGILÂNCIA PRECOCE, FUNDAMENTAL PARA EVITAR CASOS EM SERES HUMANOS

Nesse cenário, para os especialistas, a prevenção começa antes do primeiro caso em seres humanos. “A vigilância animal e ambiental, a saúde pecuária, a fauna silvestre, a inspeção alimentar, os laboratórios, a pesquisa e a saúde pública fazem parte de uma rede de detecção precoce que permite agir antecipadamente, conter riscos e reduzir seu impacto sanitário, social e econômico”, afirmam.

Também no caso da raiva, eles garantem que manter uma cobertura vacinal adequada e critérios preventivos uniformes é essencial para preservar a proteção sanitária. Nesse sentido, e no caso de zoonoses como a febre do Nilo Ocidental, eles sustentam que a aplicação da abordagem “One Health” é especialmente útil, uma vez que a vigilância em animais e no meio ambiente permite antecipar riscos e detectar mais cedo possíveis episódios com impacto nos seres humanos.

“A prevenção das zoonoses começa muito antes do primeiro caso em humanos, e é aí que a medicina veterinária desempenha um papel essencial que muitas vezes passa despercebido. Reforçar a vigilância, antecipar os riscos e agir antes que o problema se agrave é um dos maiores pontos fortes da saúde pública”, destaca Gonzalo Moreno del Val, presidente da OCV.

Por isso, a organização deseja valorizar o papel dos veterinários na detecção precoce, na prevenção e no controle das zoonoses, além de reivindicar uma maior coordenação entre os setores, mais investimento em vigilância e uma integração real da profissão veterinária. Porque a melhor crise sanitária é aquela que nem chega a ocorrer, e a prevenção das zoonoses começa na medicina veterinária.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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