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MADRID 16 jun. (EUROPA PRESS) -
A chegada do verão enche as quitandas de tomates vermelhos, brilhantes e perfeitamente redondos. No entanto, é cada vez maior o número de consumidores que, ao prová-los, sentem uma certa decepção: "eles não têm o mesmo sabor de antigamente", dizem, lembrando-se com nostalgia dos sabores intensos de sua infância ou dos tomates recém-colhidos do jardim. Mas será que os tomates realmente mudaram tanto assim ou será que nos lembramos deles de uma forma idealizada?
Para esclarecer essa questão, o divulgador Miguel A. Lurueña conversou com o professor de bioquímica e biologia molecular José Miguel Mulet em seu podcast Gominolas de Petróleo. Em um trecho do episódio, Mulet explica claramente por que alguns tomates hoje não têm o mesmo sabor que outros e quem são os três principais agentes que determinam que tipo de tomate chega às nossas casas.
NOSTALGIA OU REALIDADE: OS TOMATES "DE ANTIGAMENTE" NÃO EXISTIAM
Mulet começa questionando a ideia muito difundida de que os tomates de hoje têm um sabor pior do que os de antigamente. "Para as pessoas que dizem que os tomates não têm mais o mesmo sabor de antigamente, eu pediria a elas que contassem à avó como era o sabor dos tomates kumato de sua infância, ou dos tomates Mar Azul ou do tomate rosa de Somontano", comenta ironicamente. E acrescenta: "Spoiler: ela não vai se lembrar, porque são variedades muito recentes".
Muitas das variedades atuais - algumas delas de grande sabor - não existiam há 50 anos. De acordo com o especialista, isso mostra que nem tudo foi perdido: "alguns sabores de tomate foram ganhos", diz ele. O problema não é tanto o tipo de tomate, mas como e quando ele é produzido.
OS TRÊS PRINCIPAIS CULPADOS QUE DEFINEM O SABOR
De acordo com Mulet, o sabor dos tomates é condicionado por um "triunvirato": o agricultor, o intermediário e o consumidor. "Uma variedade é bem-sucedida se atender às necessidades dos três", explica ele. O agricultor precisa de uma planta que não lhe dê problemas, que cresça bem e resista a pragas. O intermediário - distribuidor ou supermercado - procura tomates que resistam bem ao transporte e ao armazenamento. E o consumidor compra principalmente "à vista", optando por aqueles com uma cor vermelha mais atraente.
Esse equilíbrio significa que as variedades escolhidas para produção priorizam certas características práticas em detrimento do sabor. Em alguns casos, ao selecionar geneticamente uma cor vermelha intensa, genes próximos relacionados a um maior teor de açúcar foram deixados de lado. "Isso levou a uma perda de sabor", ressalta Mulet. A firmeza também foi priorizada para prolongar o prazo de validade, o que geralmente tem um impacto negativo no sabor.
TOMATES FORA DE ÉPOCA E SUPERMERCADOS COM PRESSA
Um dos maiores inimigos do sabor do tomate é a logística. "O tomate é uma fruta complicada porque, no momento do amadurecimento, ele perde a firmeza e a consistência", explica Mulet. Isso faz com que o produto seja difícil de transportar e tenha um prazo de validade muito curto.
Por esse motivo, muitos tomates são colhidos cedo ou cultivados fora da estação, o que afeta diretamente o sabor. "Um tomate que tenha amadurecido no arbusto será muito bom", diz o professor. Mas esse tipo de produção não se encaixa na distribuição em massa nos supermercados, que exigem produtos que possam durar dias sem se deteriorar. "O desperdício de alimentos seria brutal" se a resistência e a durabilidade não fossem priorizadas.
EXISTE UMA SOLUÇÃO? COMPRAR NA ESTAÇÃO E LOCAL
Embora a perspectiva possa parecer complicada, ainda é possível encontrar tomates saborosos. "O que eu recomendaria é que você compre tomates na estação e procure produtores locais", aconselha Mulet. Isso permite que você consuma o fruto que amadureceu na videira e mantém seu sabor natural.
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