Publicado 10/02/2026 04:06

Os tentáculos do caso Epstein colocam em dúvida a continuidade de Starmer como primeiro-ministro

4 de fevereiro de 2026, Londres, Reino Unido: LONDRES, Reino Unido. Keir Starmer, primeiro-ministro, deixa o número 10 de Downing Street para as Perguntas ao Primeiro-Ministro (PMQs) na Câmara dos Comuns. O governo do Reino Unido enfrenta críticas e const
Europa Press/Contacto/Stephen Chung

O presidente do Partido Conservador prevê que a saída de Starmer ocorrerá antes do verão MADRID 10 fev. (EUROPA PRESS) -

A continuidade de Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido é novamente questionada após a demissão de dois membros de sua equipe em menos de 24 horas e o aumento das vozes críticas dentro do Partido Trabalhista diante do escândalo envolvendo os arquivos do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, que salpica o ex-embaixador Peter Mandelson, nomeado chefe da Embaixada em Washington.

O cerco a Starmer se estreita cada vez mais após duas demissões nas últimas horas, a de seu chefe de gabinete Morgan McSweeney e a do diretor de comunicação, Tim Allan, que foi subsecretário de imprensa do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Allan é a quarta pessoa a deixar o cargo de diretor de comunicação, seguindo os passos de Matthew Doyle, que renunciou em março de 2025; James Lyons, que renunciou em setembro do mesmo ano; e Steph Driver, que ocupou o cargo até que o ex-assessor de Blair assumiu suas responsabilidades. Em comparação, o ex-primeiro-ministro Rishi Sunak teve dois diretores de comunicação, enquanto Boris Johnson teve quatro. Essas saídas aumentam a pressão contra Starmer, que até o momento negou que vá renunciar, apesar de também crescerem as vozes dentro de seu próprio partido para que ele abandone Downing Street. Nesta segunda-feira, o líder do Partido Trabalhista escocês, Anas Sarwar, pediu que ele se afastasse diante de uma liderança que consideram contaminada, apesar de o primeiro-ministro ter assumido a culpa e reconhecido que confiou em Mandelson, mesmo sabendo que ele tinha ligações com Epstein. “Devemos demonstrar que a política pode ser uma força positiva. Acredito que sim, que é. Continuamos em frente. Avançamos com confiança enquanto continuamos a transformar o país”, afirmou Starmer em uma mensagem enviada ao seu pessoal por ocasião da saída de Allan.

De qualquer forma, o primeiro-ministro britânico recebeu apoio público de figuras de seu gabinete, como o vice-primeiro-ministro David Lammy; a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper; o ministro da Defesa, John Healey, e a ministra do Interior, Shabana Mahmood, que se pronunciaram a favor da continuidade.

Por outro lado, para a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, a saída do chefe de comunicação de Starmer é “mais um sinal” de que o governo está “desmoronando”. “Neste momento, temos um governo focado exclusivamente em seu próprio psicodrama”, criticou ela, aludindo ao fato de que o primeiro-ministro “não tem controle” da situação e que o país “não está sendo governado”.

Da mesma forma, o presidente do Partido Conservador, Kevin Hollinrake, previu que a saída de Starmer ocorrerá antes do verão. “Houve uma série de decisões erradas (...) a política não gosta de líderes fracos, então acho que ele sabe que sua hora chegou”, explicou em declarações à emissora britânica LBC News.

Por sua vez, o líder do Partido Verde, Zack Polanski, juntou-se às críticas contra Starmer, afirmando que o escândalo envolvendo Mandelson demonstra o quanto a política britânica está “quebrada” e que o Partido Trabalhista “não pode nem quer consertá-la”.

“Precisamos de uma política diferente: uma em que os homens poderosos, ricos e corruptos sejam mandados embora, onde a exploração seja erradicada e a desigualdade combatida”, indicou, lembrando que Starmer sabia da ligação de Mandelson com Epstein e “mesmo assim o nomeou” para o cargo, para demiti-lo alguns meses depois.

Outras vozes dentro da oposição, como a vice-líder dos Liberais Democratas, Daisy Cooper, mostraram-se um pouco mais conciliadoras e apelaram à realização de uma moção de confiança no Parlamento. “Se perder, ele deve demitir-se”, advertiu. O BRAÇO DIREITO DE STARMER

Starmer também começa a semana sem Morgan McSweeney, que assumiu toda a responsabilidade pela nomeação de Mandelson. Considerado sua mão direita, ele esteve ao lado do primeiro-ministro quando este liderava a oposição, bem como durante a campanha eleitoral e até chegar ao número 10 de Downing Street. “A decisão de nomear Peter Mandelson foi um erro. Prejudicou o nosso partido, o nosso país e a confiança na própria política. Quando me pediram, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo toda a responsabilidade por essa recomendação", diz a sua carta de demissão.

A queda de McSweeney, no entanto, começou muito antes, quando se tornou alvo das críticas de alguns deputados trabalhistas que se sentiam desconfortáveis com a direção que o partido havia tomado em questões como imigração ou cortes na assistência social, políticas que dividiram o Partido Trabalhista, outrora sob a liderança de Jeremy Corbyn.

Pelo menos 20 parlamentares expressaram publicamente sua preocupação com as políticas migratórias promovidas pelo governo. De fato, recentemente Starmer teve que se pronunciar após ser acusado de usar linguagem “divisória” ao afirmar que o Reino Unido corre o risco de se tornar uma “ilha de estranhos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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