Marta Fernández - Europa Press
Manifestantes se reúnem em frente ao Ministério para exigir sua classificação no Grupo B durante uma jornada de greve
MADRID, 29 maio (EUROPA PRESS) -
Os técnicos superiores de saúde (TSS) se reuniram nesta sexta-feira em frente ao Ministério da Fazenda, no âmbito de uma jornada de greve nacional, para exigir a aplicação da reclassificação profissional no Grupo B, conforme estabelece o artigo 76 do Texto Reunificado do Estatuto Básico do Funcionário Público (TREBEP).
De acordo com as Comissões por Grau, organizadoras da greve, cerca de 7.000 profissionais provenientes de diferentes partes da Espanha aderiram à mobilização para reivindicar essa reclassificação profissional. Os sindicatos sustentam que ela está reconhecida por lei desde 2007 e denunciam que continua bloqueada pelo Ministério da Fazenda, apesar do acordo assinado em 2022 com a CCOO e a UGT e da doutrina do Supremo Tribunal.
Nesse contexto, o secretário de Organização do Sindicato Estatal de Técnicos Superiores Sanitários (SIETeSS) e presidente da Sociedade Espanhola de Técnicos Superiores Sanitários (SETSS), José Joaquín Durán, criticou o fato de esses profissionais acumularem 19 anos de perda salarial e prejuízo profissional em relação às demais categorias do Sistema Nacional de Saúde.
“Estamos falando de uma média de 200 euros de perda por mês para os trabalhadores. Se calcularmos isso ao longo de 30 anos, deixamos de contribuir com cerca de 72.000 euros, o que, com os juros compostos, representa um montante muito significativo, tanto para nossas futuras aposentadorias quanto para o salário atual, o que gera uma desproporção em relação aos demais grupos”, destacou Durán em declarações à Europa Press.
As Comissões pelo Grau, das quais faz parte a SETSS, destacam que o acordo foi firmado com o Ministério da Saúde, mas denunciam o “bloqueio” do Ministério da Fazenda. Por isso, exigem uma reunião com o titular da Fazenda, Arcadi España. “Queremos que ele nos receba e nos dê uma solução de uma vez por todas”, afirmou Durán.
Ao grito de “sem nós não há diagnóstico nem tratamento”, os técnicos superiores da saúde exigiram a aplicação efetiva do Grupo B, que afeta mais de 30.000 profissionais do Sistema Nacional de Saúde. Entre eles, estão especialistas em diagnóstico por imagem, radioterapia, laboratório clínico, anatomia patológica, higiene bucal, documentação sanitária, audiologia, dietética, ortopróteses e saúde ambiental.
GREVE INDEFINIDA NO OUTONO SE O MINISTÉRIO DA FAISANÇA NÃO CUMPRIR
Caso não consigam a reclassificação, os sindicatos ameaçam com uma possível greve por tempo indeterminado no outono. “Acreditamos que isso é uma injustiça para nós e nossas famílias, especialmente porque somos profissionais sem os quais os hospitais não funcionam, e hoje a situação nos hospitais está difícil”, destacou o presidente do SETSS.
Nesse ponto, denunciam que as secretarias de Saúde, os serviços de saúde e as secretarias de Trabalho de diferentes comunidades autônomas estão impondo serviços mínimos que consideram abusivos, já que “na prática funcionam como serviços máximos”, ao obrigar praticamente todo o quadro de funcionários a trabalhar e, em sua opinião, violar o direito fundamental à greve.
“São serviços mínimos impostos sem avaliar nem respeitar nosso direito à greve, inclusive, em alguns casos, com atitudes de prepotência e sem respeito aos trabalhadores e trabalhadoras, o que nos parece muito grave”, concluiu Durán.
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