MADRID 16 jun. (EUROPA PRESS) -
Núria Mas, especialista em Economia da Saúde e diretora da Seção de Economia da Escola de Negócios IESE, advertiu que os sistemas atuais "estão se tornando obsoletos" para atender às novas necessidades da população, em um contexto de envelhecimento acelerado em que se espera que 30% dos europeus tenham mais de 65 anos em 2050.
Essa afirmação foi feita durante o 1º Fórum de Saúde Espanha-Japão, organizado pela Embaixada do Japão na Espanha e pela empresa farmacêutica Otsuka, com o objetivo de reunir instituições, profissionais e cidadãos de ambos os países para discutir seus desafios e compartilhar oportunidades de colaboração.
A Espanha e o Japão têm características em comum, já que ambos garantem a cobertura universal de saúde e alcançaram níveis de expectativa de vida entre os mais altos do mundo, mas também enfrentam desafios idênticos, como o aumento da idade da população, a cronicidade das doenças, a necessidade de digitalização sem perder a proximidade humana, a gestão de recursos limitados e a preparação para futuras crises de saúde, como foi exposto durante este fórum.
Nesse contexto, a especialista Núria Mas enfatizou que, para que as pessoas tenham uma vida saudável e produtiva, os países precisam se esforçar na prevenção e no aprendizado contínuo ao longo da vida. Como ela destacou, a demografia "não é um tsunami inesperado, mas uma transformação previsível" na qual o setor de ciências da vida representa uma "oportunidade estratégica". "Aqueles que se prepararem hoje serão os líderes de amanhã", enfatizou.
No Japão, os gastos com saúde representam quase 11% do PIB, enquanto na Espanha equivalem a 7,4%. O Japão está sob enorme pressão em seus sistemas de pensão, enfatiza políticas de cuidados de longo prazo e lidera o investimento em robótica para cuidados assistidos.
A Espanha, por sua vez, também precisa garantir a sustentabilidade de seu sistema, continuar a fortalecer a prevenção, uma área à qual dedica uma baixa porcentagem dos gastos públicos com saúde, e impulsionar ainda mais a inovação no campo da saúde. Por esse motivo, os especialistas reunidos nesse fórum concordaram que é essencial promover políticas destinadas a prevenir doenças crônicas e manter a população idosa ativa.
Eles também enfatizaram a necessidade de fortalecer a atenção primária (AP) para que ela possa oferecer uma resposta eficaz ao envelhecimento e humanizar e inovar na atenção de longo prazo. A esse respeito, destacaram que o Japão representa um exemplo de inovação ao demonstrar como a tecnologia pode ajudar a aliviar a pressão sobre os sistemas de cuidados com o uso de robôs para auxiliar os idosos.
Sobre a mudança demográfica em direção a uma população cada vez mais envelhecida, os participantes do Fórum Espanha-Japão insistiram que isso não deve ser visto apenas como um desafio, mas também como uma oportunidade transformadora para repensar as prioridades como sociedade e construir um sistema de saúde que não apenas cuide de doenças, mas que promova ativamente a saúde e o bem-estar em todas as fases da vida.
"É por isso que falar sobre longevidade hoje não é falar sobre o futuro. É sobre o presente. Trata-se de como podemos construir um modelo de saúde que seja mais preventivo, mais equitativo e mais inclusivo. Um sistema que nos acompanhe desde a infância até a velhice, entendendo que cada estágio tem um valor agregado. Temos diante de nós uma oportunidade única: converter os anos ganhos em qualidade de vida, e a qualidade de vida em uma fonte de riqueza social", concluiu José Manuel Rigueiro, Diretor Geral da Otsuka Pharmaceutical Espanha e Portugal.
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