MADRID 20 jul. (EUROPA PRESS) -
Os sismômetros espalhados por toda a Espanha registraram o momento exato em que Ferran Torres marcou o 1 a 0 na prorrogação da final da Copa do Mundo masculina de futebol de 2026.
As vibrações do solo, provocadas pela comemoração simultânea de milhares de pessoas, foram captadas tanto pelas redes do Instituto Geográfico Nacional (IGN) e do Institut Geològic i Cartogràfic de Catalunya (ICCG), quanto pelos aparelhos da Rede Sísmica Educativa de Geociências de Barcelona do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (GEO3BCN-CSIC).
Os registros do IGN e do ICGC, processados pelo pesquisador do GEO3BCN-CSIC, Jordi Díaz, mostram sinais em estações espalhadas por todo o território espanhol. O gráfico registra os sinais da comemoração em locais tão distantes quanto Algeciras, Alcoy, Cádiz, Granada, Elda, Huelva, Granollers, Barcelona e Lleida.
Os registros mostram três picos bem diferenciados durante a partida, visíveis simultaneamente nos sensores da rede: o gol de Torres, um gol que o VAR acabou anulando, e a sacudida mais intensa da noite, a do apito final.
Na Catalunha, os dados da Rede Sísmica Educativa, também analisados por Díaz, oferecem um panorama mais detalhado. Os sinais foram registrados claramente em sensores localizados em Sabadell, Mollet del Vallès, Santa Coloma de Gramenet, Barcelona, Banyoles, Olot e Torroella de Montgrí.
As vibrações também foram registradas em Sabadell durante a partida das semifinais contra a França, graças a um sismômetro da Rede Sísmica Educativa da GEO3BCN-CSIC.
Os picos de movimento no subsolo coincidiram com o primeiro gol de Mikel Oyarzabal (1 a 0), o gol subsequente de Pedro Porro (2 a 0) e, inclusive, uma vibração menor durante um gol que acabou sendo anulado. A maior alteração no solo também foi registrada após o apito final, momento em que foi confirmada a classificação da Espanha para a final da Copa do Mundo de 2026.
Da mesma forma, na partida das oitavas de final contra Portugal, um acelerômetro do IGN em Algeciras já havia captado as vibrações geradas pela comemoração do gol de Mikel Merino.
Não é a primeira vez que os sismômetros registram uma grande noite do futebol espanhol. Na final da Eurocopa de 2024 contra a Inglaterra, os registros de Madri e Barcelona mostraram o mesmo padrão. A multidão reunida na Praça de Colón e na Praça da Catalunha fez ambas as cidades vibrarem com os gols de Nico Williams, aos 47 minutos, e de Mikel Oyarzabal, aos 86.
Em Barcelona, os tremores foram medidos pelo sismômetro do ICGC localizado no Portal de l’Àngel, a menos de cem metros do local onde a multidão se reunia. Em Madri, com o sismômetro do IGN no Observatório Real, a menos de dois quilômetros de Colón.
Essa sismicidade induzida pela atividade humana e imperceptível em nosso dia a dia já foi documentada em várias cidades do mundo por ocasião de eventos esportivos e musicais que atraem grandes multidões. A particularidade desses registros é que o sinal não provém dos estádios, mas dos bairros e residências onde as pessoas assistiram ao jogo.
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