Publicado 29/07/2025 05:58

Os raios cósmicos podem sustentar a vida em Enceladus ou Marte

Archivo - Arquivo - Enceladus, com suas "listras de tigre" desenhadas em azul falso.
NASA/ESA/JPL/SSI/CASSINI IMAGING TEAM - Archivo

MADRID 29 jul. (EUROPA PRESS) -

Partículas de alta energia do espaço, conhecidas como raios cósmicos, poderiam gerar a energia necessária para sustentar a vida subterrânea em mundos como Enceladus ou Marte.

Um novo estudo da Universidade de Nova York (NYU) em Abu Dhabi mostra que os raios cósmicos podem não apenas ser inofensivos em determinados ambientes, mas também contribuir para a sobrevivência da vida microscópica. Essas descobertas desafiam a ideia tradicional de que a vida só pode existir perto da luz solar ou do calor vulcânico.

Publicado no International Journal of Astrobiology, o estudo foi liderado por Dimitra Atri, pesquisadora principal do Space Exploration Laboratory do Center for Astrophysics and Space Sciences (CASS) da NYUAD.

A equipe se concentrou no que acontece quando os raios cósmicos atingem a água ou o gelo subterrâneos. O impacto quebra as moléculas de água e libera partículas minúsculas chamadas elétrons. Algumas bactérias da Terra podem usar esses elétrons para obter energia, da mesma forma que as plantas usam a luz solar. Esse processo é chamado de radiólise e pode alimentar a vida mesmo em ambientes escuros e frios sem luz solar.

Usando simulações de computador, os pesquisadores estudaram a quantidade de energia que esse processo poderia produzir em Marte e nas luas geladas de Júpiter e Saturno. Acredita-se que essas luas, cobertas por espessas camadas de gelo, abriguem água escondida sob suas superfícies. O estudo constatou que a lua gelada de Saturno, Enceladus, tinha o maior potencial para abrigar vida dessa forma, seguida por Marte e, finalmente, pela lua de Júpiter, Europa.

"Essa descoberta muda nossa perspectiva sobre onde a vida pode existir", disse Atri em um comunicado. "Em vez de procurarmos apenas planetas quentes com luz solar, agora podemos considerar lugares frios e escuros, desde que contenham água sob a superfície e estejam expostos a raios cósmicos. A vida poderia sobreviver em mais lugares do que jamais imaginamos.

ZONA HABITÁVEL RADIOLÍTICA

O estudo apresenta uma nova ideia chamada Zona Habitável Radiolítica. Ao contrário da tradicional "Zona Cachinhos Dourados" (a área ao redor de uma estrela onde um planeta pode ter água líquida em sua superfície), essa nova zona se concentra em locais onde existe água subterrânea e pode ser energizada pela radiação cósmica. Como os raios cósmicos são encontrados em toda parte no espaço, isso pode significar que há muito mais lugares no universo onde a vida poderia existir.

As descobertas oferecem novas perspectivas para futuras missões espaciais. Em vez de apenas procurar sinais de vida na superfície, os cientistas também poderiam explorar ambientes subterrâneos em Marte e nas luas geladas, usando ferramentas que podem detectar a energia química criada pela radiação cósmica.

Essa pesquisa abre novas e empolgantes possibilidades na busca por vida além da Terra e sugere que mesmo os lugares mais escuros e frios do sistema solar podem ter as condições adequadas para a sobrevivência da vida.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático