Publicado 09/06/2026 11:28

Os processos de licitação, a falta de governança e uma regulamentação inadequada atrasam a transformação digital na área da saúde

II Encontro Interautonômico sobre Transformação Digital na Saúde.
SIX4HEALTH

MADRID 9 jun. (EUROPA PRESS) -

Os processos de licitação, a falta de governança e uma regulamentação inadequada atrasam a transformação digital na área da saúde em até oito anos, segundo destacaram os especialistas que participaram do II Encontro Interautonômico sobre Transformação Digital na Saúde, organizado pela SIX4Health com o apoio da Comunidade de Madri.

"A transformação digital avança como nunca, as mudanças são extremamente rápidas, mas nossas normas e legislações demoram muito no processo, e os prazos com que nos deparamos são extremamente demorados”, explicou o diretor do Serviço de Saúde das Canárias, Adasat Goya, que lembrou a importância de incorporar medidas mais “versáteis”

No mesmo sentido, o secretário regional de Planejamento, Informação e Transformação da Secretaria de Saúde da Comunidade Valenciana, Bernardo Valdivieso, destacou que um projeto, desde que a estratégia é decidida, seja acreditado e regulamentado, pode levar de seis a oito anos, sendo que os primeiros quatro são de “generosidade”, ou seja, “um trabalho invisível” no qual se aposta em infraestruturas e capacidades digitais.

Assim, o objetivo é uma governança estável, uma visão corporativa e um financiamento sustentável. No entanto, “você pode investir milhões e milhões na implementação de sistemas, soluções e processos que cumpram o que você precisa fazer, mas isso não significa que eles sejam sustentáveis ao longo do tempo, o que é extremamente importante; devemos garantir que os projetos sejam sustentáveis, seguros e humanos”, acrescentou Ismael Vargas Pina, diretor-geral de Sistemas de Informação e Comunicações do Serviço Andaluz de Saúde.

Os palestrantes destacaram o Espaço Europeu de Dados em Saúde, onde consideram que o prazo de 2030 representará um desafio para a Espanha, tanto pela sobrecarga de projetos em paralelo quanto pela necessidade de ampliar a gestão de dados e implementar as novas funções exigidas pelo regulamento.

Esta reunião reuniu 80 representantes das 17 comunidades autônomas, juntamente com responsáveis pela saúde, especialistas em inovação, empresas de tecnologia, indústria farmacêutica e entidades-chave do ecossistema digital na área da saúde.

GOVERNANÇA E ORGANIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DIGITAIS

Vargas declarou que a inteligência artificial vai mudar a forma como a assistência à saúde é organizada, operada e prestada, bem como a interação com os pacientes e com a população, mas esse processo requer “um trabalho de base profundo” em relação à governança e à organização das soluções digitais.

Além disso, ele ressaltou que, além de se concentrar nos avanços incorporados ao sistema, é importante manter a sustentabilidade para que “os sistemas já implantados” não saiam de serviço. Por isso, além de contar com o financiamento necessário para melhorar o sistema de saúde, é preciso “organizar e verificar quais mudanças foram implementadas”, para garantir a sustentabilidade e a manutenção. Diante disso, o “maior problema” é a contratação pública.

Por outro lado, ele ressaltou que é importante manter o equilíbrio entre centralização e distribuição, para manter uma cooperação “em todos os níveis”. Por essa razão, ele classificou como a “chave do sucesso” o fato de, na Andaluzia, a direção geral ter sabido coordenar todos os centros de forma linear, e destacou que o orçamento é limitado, pelo que é necessário priorizar certos projetos, para melhorar a pesquisa, a inovação e a prevenção no sistema de saúde.

Por sua vez, Valdivieso destacou que seu objetivo é introduzir capacidades digitais para trilhar o caminho rumo à medicina especializada e à prevenção. Além disso, ele assinalou que é importante criar uma estratégia conjunta com uma missão corporativa, para que todas as comunidades autônomas possam avançar ao mesmo tempo.

O diretor do SCS explicou seu modelo de governança adaptado ao território das Canárias, que é “especialmente fragmentado”, o que dificulta a redistribuição equitativa dos recursos. “Para nós, é fundamental e estratégico que o modelo de governança mude, pois, caso contrário, repetiremos o erro de gastar recursos, desenvolver projetos que não atendem à população e, em última análise, trabalhar em uma ideia comum que é a distribuição equitativa”, declarou.

Os palestrantes concordaram que a maioria das medidas sanitárias é abordada a partir de um âmbito geral que inclui todas as comunidades autônomas, para que cada uma possa decidir voluntariamente em quais participar ou não, já que cada comunidade tem realidades, orçamentos e capacidades distintas.

ROTA PARA A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

O encontro realizado nesta terça-feira tem como objetivo estabelecer uma rota que sirva como uma ferramenta útil de coordenação. Antes de começar, eles se comprometeram a trabalhar com todas as comunidades autônomas na próxima estratégia de saúde digital, “sem pressa” nos projetos futuros, buscando levar as comunidades autônomas ao mesmo ritmo, “para que nenhuma fique para trás” e, acima de tudo, refletindo sobre as necessidades de cada uma.

“O primeiro passo é parar para pensar onde você está; que os dados sejam o seu foco e a IA a sua solução; para isso, basta trabalharmos todos juntos, uniformizando processos e métodos, pois, caso contrário, não haverá dados de qualidade; e examinar bem os regulamentos que afetam essas duas variáveis, porque são muito exigentes na Europa”, destacou Valdivieso.

No mesmo sentido, Goya lembrou que, “em algum momento, talvez, seja preciso dar um passo atrás para que todos possamos dar um passo à frente. A análise e o controle das informações são extremamente importantes". "Passamos por um momento muito bom de crescimento e desenvolvimento, e agora é hora de desacelerar, consolidar e analisar em que realmente melhoramos e em que áreas fomos mais eficientes", afirmou.

Os palestrantes destacaram o trabalho conjunto que as Comunidades Autônomas estão realizando, bem como valorizaram a Estratégia Digital do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e o trabalho do Ministério da Transformação Digital e da Função Pública e do Ministério da Saúde, participantes na coordenação entre as comunidades.

“Quando trabalhamos em conjunto, somos muito mais fortes, e é verdade que nem sempre existem as condições para fazê-lo, pois temos realidades diferentes, orçamentos diferentes e capacidades distintas; mas o que temos de ter claro é que, sempre que for possível, o ideal é tentar”, acrescentou o diretor do Serviço de Saúde das Canárias.

O FUTURO EXIGE UMA “VISÃO AMPLA”

O vice-conselheiro de digitalização da CAM, Manuel Pérez Gómez, que inaugurou o evento, explicou que a digitalização e a saúde digital exigem uma “visão ampla”, com capacidades tecnológicas e confiança da população. Nesse sentido, é necessário utilizar a tecnologia para que o sistema seja “mais seguro, próximo e preventivo” e que atenda às necessidades das pessoas, sendo fundamental “passar da teoria à prática”. Mesmo assim, ele defendeu que a tecnologia nunca pode estar acima das pessoas.

Por outro lado, o CEO da SIX4Health e promotor do encontro, Carlos Zúñiga, declarou que este ano deram “um salto metodológico”, passando do roteiro para o projeto-piloto. “A transformação digital precisa de menos declarações de intenção e mais projetos bem definidos, avaliáveis e preparados para escalar”, acrescentou.

Em suma, os organizadores sinalizaram sua intenção de manter este encontro como um “evento anual de referência para a inovação na área da saúde na Espanha, reforçando seu papel como ‘espaço de conexão entre administrações, indústria, tecnologia e profissionais da saúde’”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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