MADRID 13 jun. (EUROPA PRESS) -
Novos fósseis descobertos em um local no início do Mioceno, no Quênia, incluem um novo tipo de macaco primitivo e oferecem pistas sobre o ambiente habitado pelos ancestrais humanos.
As descobertas sugerem que os primeiros macacos evoluíram em florestas tropicais perturbadas por incêndios e vulcões, informa a revista Eos, da American Geophysical Union (AGU).
Os grandes símios começaram a divergir de outros primatas há cerca de 25 milhões de anos, de acordo com registros fósseis da África Oriental. Embora o surgimento de hominídeos eretos tenha levado cerca de 20 milhões de anos a mais, a compreensão dos habitats dos primeiros macacos ajuda a esclarecer como os ambientes impulsionaram a evolução de nossos ancestrais distantes.
Venanzio Munyaka e seus colegas escavaram e analisaram fósseis de um sítio do Mioceno inicial, com cerca de 20 milhões de anos, no oeste do Quênia, chamado Koru 16. O vulcão Tinderet, agora extinto, cobriu repetidamente a área com cinzas, preservando-a por milhões de anos. Hoje, o local abriga fósseis de uma grande variedade de plantas e animais. Seu estudo foi publicado na revista Paleoceanography and Paleoclimatology.
Muitos estudos anteriores se concentraram na área ao redor de Koru 16: os primeiros fósseis de primatas do local foram descobertos em 1927, e o famoso antropólogo Louis Leakey conduziu várias escavações no local.
NOVO GRANDE MACACO
Como parte da nova pesquisa, os cientistas descobriram fósseis de aproximadamente 1.000 folhas e vários vertebrados em dois sub-sítios entre 2013 e 2023. Os espécimes incluíam os de um novo tipo de grande macaco e duas outras espécies de macacos anteriormente conhecidas, elevando o número total de espécies de vertebrados descobertas no local para 25.
Ao examinar as formas das folhas fossilizadas, a geoquímica dos solos fossilizados (paleossolos) e a distribuição e densidade dos tocos de árvores fósseis, os pesquisadores determinaram que o sítio Koru 16 provavelmente estava localizado em uma floresta quente e úmida, com precipitação semelhante à das atuais florestas tropicais e sazonais da África.
AMBIENTE FLORESTAL ANTIGO
No entanto, é provável que o antigo ecossistema suportasse mais plantas decíduas do que as florestas tropicais modernas. Os fósseis de vertebrados analisados pelos pesquisadores correspondem aos de macacos, pítons e roedores que podem ter vivido em tal ambiente.
Os pesquisadores sugerem que esse antigo ambiente florestal, que era intercalado com áreas abertas e frequentemente perturbado por incêndios, inundações ou erupções vulcânicas, desempenhou um papel na formação do curso evolutivo dos primeiros macacos.
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