Publicado 23/05/2025 08:26

Os primeiros árabes usavam plantas psicoativas há 2.700 anos

Um dos antigos dispositivos de fumigação usados na inalação de substâncias nocivas.
HANS SELL

MADRID 23 maio (EUROPA PRESS) -

Um estudo publicado na Communications Biology descobriu o mais antigo uso conhecido da planta medicinal e psicoativa Peganum harmala, comumente conhecida como arruda síria ou harmal.

As descobertas oferecem uma visão sem precedentes das práticas terapêuticas e sensoriais dos primeiros árabes, revelando que as plantas nativas já estavam sendo usadas deliberadamente por suas propriedades bioativas e psicoativas há quase 2.700 anos.

Liderado pela Dra. Barbara Huber (Instituto Max Planck de Geoantropologia) e pela Professora Marta Luciani (Universidade de Viena), em colaboração com a Comissão de Patrimônio do Ministério da Cultura da Arábia Saudita, o estudo aplicou técnicas avançadas de perfil metabólico para analisar resíduos orgânicos preservados em dispositivos de fumigação da Idade do Ferro.

OÁSIS NO NORTE DA ARÁBIA SAUDITA

Os dispositivos foram escavados no assentamento oásis de Qurayyah, no noroeste da Arábia Saudita, um local conhecido na antiguidade por seus vasos de cerâmica decorados, hoje conhecidos como Qurayyah Painted Pottery.

"Nossas descobertas representam evidências químicas da mais antiga queima de metais conhecida, não apenas na Arábia, mas em todo o mundo", disse Barbara Huber, principal autora do estudo, em um comunicado.

"Nossa descoberta esclarece como as comunidades antigas usavam o conhecimento tradicional sobre plantas e a farmacopeia local para cuidar da saúde, purificar espaços e potencialmente desencadear efeitos psicoativos.

O estudo empregou cromatografia líquida de alto desempenho e espectrometria de massa em tandem (HPLC-MS/MS), uma técnica analítica poderosa que permite a detecção de alcaloides característicos da harmala mesmo em amostras minúsculas e degradadas.

"A integração da análise biomolecular com a arqueologia nos permitiu identificar não apenas que tipo de plantas as pessoas usavam, mas também onde, como e por quê", diz a professora Marta Luciani, diretora de escavações em Qurayyah e arqueóloga da Universidade de Viena.

"Estamos tendo acesso a práticas baseadas em plantas que eram fundamentais para a vida cotidiana, mas que raramente são preservadas no registro arqueológico.

AINDA USADAS NA MEDICINA TRADICIONAL

Conhecido por suas propriedades antibacterianas, psicoativas e terapêuticas, o Peganum harmala ainda é usado na medicina tradicional e em práticas de pulverização doméstica na região. As novas descobertas destacam sua importância histórica, cultural e medicinal.

"Essa descoberta mostra as profundas raízes históricas das práticas tradicionais de cura e fumigação na Arábia", acrescenta Ahmed M. Abualhassan, codiretor do projeto Qurayyah da Comissão do Patrimônio. "Estamos preservando não apenas artefatos, mas também o patrimônio cultural intangível do conhecimento antigo que ainda mantém sua relevância nas comunidades locais", acrescentou.

As implicações do estudo transcendem a arqueologia e abrangem campos como etnobotânica, antropologia médica, estudos de patrimônio e farmacognosia, todos relacionados à relação de longo prazo entre humanos, plantas medicinais e recursos naturais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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