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MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -
O Comitê Consultivo de Vacinas e Imunizações da Associação Espanhola de Pediatria (CAV-AEP) mantém para a campanha de 2025-2026 sua recomendação de vacinar todas as crianças com idade entre seis e 59 meses (cinco anos) contra a gripe e estende essa indicação a todas as crianças com idade entre cinco e 17 anos.
É o que se depreende do documento de recomendações para a próxima campanha de vacinação contra a gripe 2025-2026 que o CAV-AEP publicou nesta quinta-feira. O documento insiste na necessidade de reforçar a cobertura vacinal, especialmente nos grupos de risco, onde ela ainda é "particularmente baixa", e de aplicar estratégias de alto impacto para melhorar a acessibilidade e a aceitação da vacinação entre a população.
Conforme explica o documento, a recomendação de vacinação para a campanha que começa em outubro se baseia nas evidências acumuladas sobre os benefícios diretos e indiretos da imunização contra a gripe na população pediátrica.
Ela também inclui uma recomendação para vacinar crianças e adolescentes com seis meses de idade ou mais que estejam em risco, ou seja, aqueles com doenças subjacentes que aumentam o risco de complicações da gripe; aqueles que vivem e cuidam de pacientes em risco e/ou que vivem com crianças com menos de seis meses de idade; mulheres grávidas; e todos os profissionais de saúde.
O documento técnico destaca a consolidação da vacinação universal contra a gripe em todas as crianças com idade entre seis e 59 meses, uma medida já aplicada por todas as comunidades autônomas e que algumas estenderão para idades posteriores.
Por outro lado, o texto indica que a vacina recomendada a partir dos dois anos de idade deve ser a vacina intranasal atenuada, devido à sua maior aceitação entre as crianças e as famílias e à facilidade de administração, especialmente no ambiente escolar.
RESULTADOS 2024-25
As recomendações dos pediatras vêm depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou em fevereiro a composição da vacina contra a gripe para o próximo outono-inverno e após uma primeira análise dos resultados da campanha de 2024-2025, que terminou em meados de março.
Conforme destacaram os pediatras, essa foi a segunda campanha com vacinação sistemática universal na faixa etária de seis a 59 meses em todas as comunidades autônomas, e a terceira na Galícia, Andaluzia e Múrcia. Apesar do esforço institucional, eles alertaram que a cobertura obtida foi muito variável e, em muitos casos, "insuficiente" para atingir o nível de proteção desejado.
De acordo com dados provisórios, a cobertura nas comunidades com os melhores resultados na campanha recentemente concluída foi de cerca de 50% a 63%, mas em nível nacional foi um pouco menor. No caso dos grupos de risco, a cobertura foi ainda menor, entre 15% e 25%.
Entre as causas, o CAV-AEP identifica a má divulgação das campanhas, a acessibilidade limitada aos pontos de vacinação e a percepção persistente da gripe como uma doença trivial.
"A vacinação contra a gripe continua a ser uma prioridade na pediatria. Ela não apenas protege diretamente a criança ou o adolescente, mas também ajuda a conter a circulação do vírus e, portanto, a proteger as pessoas mais vulneráveis em seu ambiente", disse o coordenador do CAV-AEP, Francisco Álvarez.
Por sua vez, o Dr. Javier Álvarez Aldeán, membro do CAV-AEP, mencionou a preocupação com as crianças com doenças crônicas, imunossupressão ou outras situações de risco que não recebem a vacina e pediu esforços para recrutá-las.
COMO AUMENTAR A COBERTURA
O documento do CAV-AEP dedica uma seção específica às estratégias para melhorar a cobertura da vacinação e inclui medidas de alto impacto, como a implementação da vacinação nas escolas, como já está sendo feito na Andaluzia e na Galícia, onde foram alcançadas as maiores taxas de cobertura.
Também propõe a criação de pontos de vacinação sem agendamento prévio e em horários estendidos, como nos fins de semana; a priorização do uso da vacina intranasal, devido à sua maior aceitação por crianças, pais e profissionais; e que os próprios profissionais de saúde recomendem ativamente a vacinação, pois sua opinião pode ser decisiva.
Além disso, o documento solicita uma maior divulgação nas redes sociais e nos canais digitais voltados para os pais, e que essa promoção seja adaptada para atingir grupos com barreiras linguísticas. Da mesma forma, sugere o estabelecimento de canais apropriados para treinar os profissionais de saúde a fim de melhorar a qualidade da recomendação e da comunicação com as famílias.
Em relação às crianças em risco, como aquelas com várias patologias e/ou que estão sob tratamento imunossupressor, enfatiza a necessidade de redobrar os esforços para recrutá-las, pois sua vacinação, que é uma prioridade, tem taxas "alarmantemente" baixas.
Para melhorar essa situação, o documento do CAV-AEP propõe estabelecer censos homogêneos de pacientes vulneráveis por patologia ou tratamento; envolver todos os profissionais envolvidos em seu acompanhamento na recomendação de vacinação; facilitar a participação das farmácias comunitárias na identificação e recomendação da vacina e envolver associações de pacientes e sociedades científicas na divulgação das indicações.
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