Publicado 03/10/2025 06:58

Os pássaros de todo o mundo emitem o mesmo grito em resposta a ameaças

Os avisos vocais dos pássaros fornecem novas informações sobre as origens da linguagem
PIXABAY

MADRID 3 out. (EUROPA PRESS) -

Aves separadas por grandes distâncias geográficas e milhões de anos de evolução compartilham um sinal vocal aprendido semelhante para identificar inimigos parasitas perto de seus ninhos.

Essa descoberta representa o primeiro exemplo conhecido de uma vocalização animal aprendida a partir de uma resposta inata compartilhada por várias espécies.

A pesquisa, publicada na Nature Ecology and Evolution, oferece uma visão do papel que a seleção natural pode desempenhar na evolução dos sistemas de comunicação vocal. O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Cornell e da Estação Biológica de Doñana, é um dos maiores e mais abrangentes estudos de parasitas reprodutores até o momento.

O parasitismo de ninhada ocorre quando as aves, como os cucos, põem seus ovos nos ninhos de outras espécies, forçando o hospedeiro a criar seus filhotes, muitas vezes às custas de sua própria prole. Portanto, é vantajoso para a espécie hospedeira identificar e tentar impedir que os parasitas dos ninhos ponham ovos. Os pesquisadores descobriram que mais de 20 espécies diferentes de pássaros em quatro continentes produzem vocalizações "lamentosas" quase idênticas quando detectam um pássaro parasita em seu território.

O MESMO SOM SEM NUNCA TER ENTRADO EM CONTATO

Os pesquisadores se perguntaram por que as aves de lugares como Austrália, China e Zâmbia usam o mesmo som para identificar seus parasitas, apesar de nunca terem entrado em contato umas com as outras.

Quando um pássaro ouve o chamado de alerta, ele sai instintivamente para investigar. De acordo com os pesquisadores, é nesse momento que os pássaros começam a absorver os sinais ao seu redor, o que Damián Blasi, coautor do estudo e cientista linguístico da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, chama de transmissão social.

"É então, quando os pássaros absorvem os sinais ao seu redor, que eles aprendem quando produzir o som no futuro", disse James Kennerley, coautor principal e pesquisador de pós-doutorado no Cornell Lab of Ornithology.

"O que é fascinante nesse chamado é que ele representa um meio-termo entre as vocalizações instintivas que normalmente observamos nos animais e as unidades vocais totalmente aprendidas, como as palavras humanas", disse William Feeney, ecologista evolucionário da Estação Biológica de Doñana e co-líder do estudo.

A pesquisa também revelou que as espécies que produzem o chamado gemido tendem a viver em áreas com redes complexas de interações entre parasitas reprodutores e seus hospedeiros.

"Como os pássaros cooperam para afastar os parasitas, a comunicação de como e quando cooperar é fundamental, e é por isso que esse chamado está aparecendo em áreas do mundo onde as espécies são mais afetadas pelo parasitismo da ninhada", explicou Kennerley.

O resultado, acrescentou ele, "é que a evolução do canto de lamento está afetando os padrões de comportamento cooperativo entre as aves em todo o mundo".

SINAIS APRENDIDOS A PARTIR DE CHAMADOS INATOS

A ligação entre o som inato do lamento e a resposta aprendida da ave é o que torna esse estudo único, de acordo com os autores. "Pela primeira vez, documentamos uma vocalização com componentes aprendidos e inatos, o que pode mostrar como os sinais aprendidos podem ter evoluído a partir de chamados inatos, como sugerido pela primeira vez por Charles Darwin", disse Feeney. "É como ver como a evolução pode permitir que as espécies atribuam significados aprendidos aos sons.

As descobertas desafiam as suposições de longa data sobre a clara divisão entre os sistemas de comunicação animal e a linguagem humana. Os autores sugerem que os sistemas de comunicação aprendidos, como a linguagem humana, podem ter evoluído por meio da integração gradual de elementos instintivos e aprendidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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