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MADRID 2 jun. (Portaltic/EP) -
As telas e os serviços digitais, como as redes sociais e as plataformas de streaming, fazem parte da vida dos adolescentes e, para que eles possam usar a tecnologia de forma adequada, os pais têm claro que seu dever é supervisionar e estabelecer limites de uso, uma opção que preferem em vez da proibição total.
90% dos pais espanhóis entendem que seu dever é ensinar, educar e estabelecer limites para seus filhos nos ambientes digitais, e 62% defendem soluções de controle parental (38%) ou que limitem o tempo de uso e o acesso a conteúdos inadequados para eles (24%).
Para 82% deles, o download de aplicativos deveria exigir aprovação dos pais, e até 56% dos pais espanhóis acreditam que os filhos deveriam estar sob supervisão dos pais até os 16 anos.
Quanto a uma possível proibição, há certo ceticismo entre as famílias. Apenas 30% apoiaria a proibição total das redes sociais para menores de 16 anos. Além disso, 42% consideram que uma proibição seria pouco ou nada eficaz para impedir o acesso dos adolescentes a essas plataformas, e apenas 11% acreditam que uma proibição seria muito eficaz. Também há preocupação, já que 74% acreditam que seus filhos encontrariam uma maneira de contornar a proibição e 41% temem que os adolescentes possam procurar plataformas menos regulamentadas.
A proibição baseada em sistemas de verificação de idade também gera preocupação, já que 46% duvidam que funcionem corretamente ou os consideram potencialmente problemáticos.
Isso é o que se depreende de uma pesquisa realizada pela ThinkYoung com 1.361 pais e mães na Espanha com filhos menores de idade, que analisa as opiniões das famílias sobre o uso de aplicativos, o tempo de tela, a segurança nas redes sociais e as experiências digitais adequadas para cada idade.
Nela, as famílias deixam claro que essa tarefa de proteger os menores é um trabalho compartilhado no qual também devem se comprometer os professores (39%), as plataformas tecnológicas (20%) e os governos e órgãos reguladores (19%).
E entendem que qualquer restrição deve ser aplicada a todas as plataformas de maneira igualitária, em vez de individualizada, o que mostra que veem o ecossistema digital como um ambiente integrado que abrange redes sociais, vídeos online e videogames.
A isso se soma a preocupação de que a supervisão dos menores se baseie na restrição de acesso às redes sociais e esteja vinculada à criação de uma conta, pois eles continuam tendo a possibilidade de acessar os conteúdos disponíveis publicamente, algo que preocupa 83% dos pais espanhóis.
A essa preocupação somam-se outros riscos que os menores enfrentam no uso cotidiano da tecnologia: a exposição a conteúdo impróprio (60%), o cyberbullying (53%) e a interação com desconhecidos (51%).
Diante desses resultados, nos quais as famílias demonstram uma postura mais equilibrada e pragmática em relação à proibição, priorizando o acompanhamento dos menores, o fundador da ThinkYoung, Andrea Gerosa, destacou que “os pais e responsáveis estão enviando uma mensagem clara: querem ter o controle no que diz respeito à segurança e ao bem-estar digital de seus filhos adolescentes”.
Gerosa defendeu que “a maioria dos pais sabe o que é melhor para seus filhos. A prioridade agora deve ser dotar as famílias de ferramentas práticas e fáceis de usar, bem como de apoio, que as ajudem a tomar decisões informadas e a criar juntos hábitos digitais saudáveis”, acrescentou.
Na apresentação também participou Laura Cuesta Cano, professora de Comunicação Digital na UCJC e divulgadora sobre Bem-estar Digital, que destacou que “o bom uso da tecnologia por crianças e adolescentes requer uma combinação de educação em competências digitais, responsabilidade compartilhada e acesso equitativo. E, por esse acesso equitativo, estamos falando de garantir o acesso à conectividade e a dispositivos tecnológicos para todas as crianças e adolescentes, para que possam se desenvolver como cidadãos e cidadãs digitais".
Por sua vez, a coordenadora de Educação e Cidadania Digital da Fad Juventud, María Zabala, comentou que “é fundamental trabalharmos juntos por um ecossistema digital que cuide por padrão e proteja sem excluir”, no qual “a sociedade civil desempenha um papel fundamental nesse processo, conectando pesquisa, sensibilização e intervenção educacional”.
Para Zabala, “isso tem a ver com a autonomia digital progressiva, tem a ver com proteção e mediação na infância e na pré-adolescência, com acompanhamento e limites na adolescência. Sempre com o exemplo dos adultos”, o que, em sua opinião, significa que “eles nos vejam utilizando a tecnologia com um propósito”.
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