MADRID, 11 ago. (EUROPA PRESS) -
O Conselho Geral das Ordens dos Ópticos e Optometristas (CGCOO) destacou a “alta proteção” oferecida pelos óculos adequados para a observação solar durante um eclipse, depois que as informações divulgadas nas últimas horas sobre determinados modelos geraram dúvidas entre os cidadãos.
Dessa forma, o CGCOO quis transmitir uma mensagem de tranquilidade: “A elevada escuridão desses filtros é uma característica essencial dos óculos para observação solar e permite reduzir de forma extraordinária a quantidade de luz que atinge os olhos”.
Segundo explicam, a norma ISO 12312-2, aplicável aos filtros destinados à observação direta do sol, estabelece limites específicos de transmitância luminosa. Para a luz visível, essa transmitância deve situar-se entre 0,000061% e 0,0032%. Dentro desse intervalo, uma menor transmitância (um filtro mais escuro) implica uma maior atenuação da luz visível e pode proporcionar uma margem adicional de segurança ocular, desde que o produto cumpra o conjunto de requisitos da norma.
“É completamente normal que, ao usar óculos adequados para a observação solar, não se consiga enxergar o ambiente ao redor. Essas lentes são projetadas para que, em condições normais de iluminação, não vejamos nada e, ao direcionar corretamente o olhar para o sol, percebamos apenas o disco solar. É justamente essa atenuação intensa que protege nossos olhos”, explicou o presidente do CGCOO, Andrés Gené Sampedro.
Portanto, uma maior escuridão não deve ser interpretada, por si só, como um defeito. Quando o filtro se mantém dentro dos parâmetros estabelecidos e também atende aos requisitos de proteção contra a radiação ultravioleta e infravermelha, sua menor transmitância implica que chega menos luz visível ao olho. Se for difícil localizar o sol, deve-se evitar a tentação de levantar ou retirar os óculos enquanto se olha na direção dele.
A conformidade com a norma ISO 12312-2 não depende apenas do grau de escurecimento ou de uma porcentagem de filtragem. Também devem ser verificadas a proteção contra a radiação UVA, UVB e infravermelha, a qualidade óptica, o estado do filtro, a armação, a rotulagem e as instruções de uso. A segurança decorre do cumprimento conjunto de todos esses requisitos.
COMO OBSERVAR O ECLIPSE COM SEGURANÇA
Os oftalmologistas e optometristas alertam que, antes de utilizar óculos para observação solar, é preciso verificar se eles são específicos para a observação direta do sol, se estão em conformidade com a norma ISO 12312-2 e se estão em perfeito estado, sem arranhões, perfurações ou danos.
Em caso de alerta ou recall referente a um modelo específico, deve-se sempre seguir as orientações das autoridades de Defesa do Consumidor e de Saúde.
Com os óculos corretamente colocados, em condições normais, o ambiente ao redor não deve ser visível. Isso é esperado, pois o filtro foi projetado para isolar visualmente o disco solar e reduzir a radiação aos níveis estabelecidos para uma observação segura.
Para colocá-los, é preciso ficar de costas para o sol, colocar e ajustar os óculos e, em seguida, virar-se para localizá-lo. Se o disco solar não for visível, deve-se voltar a ficar de costas para o sol e reajustá-los. Nunca se deve mover, levantar ou retirar os óculos enquanto estiver olhando na direção do sol.
Esses óculos não devem ser usados para observar o sol por meio de câmeras, telescópios ou binóculos. Esses instrumentos concentram a radiação solar e requerem filtros específicos, instalados corretamente na parte frontal do instrumento.
O CGCOO lembra que, com óculos adequados e uso correto, o eclipse pode ser observado com segurança. Uma escuridão elevada, sempre dentro dos limites estabelecidos pela normativa, não deve causar alarme: ela reflete uma grande capacidade de atenuação da luz. Em caso de dúvidas sobre o produto ou seu uso, recomenda-se consultar um profissional de saúde oftalmológico (óptico-optometrista).
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