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MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -
Os “nudges”, pequenas ações ou ferramentas que promovem um estilo de vida saudável, podem melhorar a prevenção cardiovascular e ajudar a integrar intervenções comportamentais eficazes no Sistema Nacional de Saúde, segundo economistas e médicos que participaram da apresentação “Nudges a serviço da saúde cardiovascular”, organizada pela Fundação Gaspar Casal e com a colaboração da Daiichi-Sankyo.
Além disso, a aplicação dessas ferramentas na saúde cardiovascular, nas políticas públicas e na prática assistencial oferece um “grande potencial” para melhorar resultados, comportamentos e hábitos de vida saudáveis. Esses “empurrões” não visam proibir ou impor, mas facilitar essas escolhas mais saudáveis, para que a opção mais benéfica seja também “a mais acessível e intuitiva”.
O secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, afirmou que a economia comportamental tem dado “contribuições muito significativas” não apenas na organização e gestão de centros de saúde, mas também na maneira como a saúde pública pode realizar “aquilo que é socialmente desejável” em relação à adoção de práticas e hábitos de vida que melhoram a saúde da população. A alimentação, a atividade física ou o tabagismo são áreas nas quais essas mudanças podem ser implementadas.
Mesmo assim, ele ressaltou que é preciso levar em conta a governança e a viabilidade dessas medidas nos serviços e políticas públicas, sempre a partir de uma “perspectiva crítica e equitativa”.
O presidente da seção de Ciências da Saúde do Ateneo de Madrid, José Manuel Freire, destacou que as pessoas que são “social e economicamente mais desfavorecidas” enfrentam mais dificuldades para levar um estilo de vida saudável, razão pela qual a integração desses “nudges” é ainda mais importante.
Por sua vez, a diretora de Valor e Acesso da Área de Especialidades da Daiichi-Sankyo, Marta González, afirmou que, além da inovação terapêutica, eles se concentram em estratégias que “apoiem a prevenção” e melhorem “a qualidade da assistência”, para colaborar com o Sistema Nacional de Saúde.
O diretor-geral da Fundação Gaspar Casal, Juan del Llano, sustentou que esse tipo de cooperação “baseada no rigor, na transparência e no interesse comum” melhora a saúde da população e é essencial “para avançar em direção a soluções inovadoras e eficazes”.
Além disso, ele destacou que muitas doenças cardiovasculares estão relacionadas a “fatores de risco modificáveis”, como hábitos de vida ou decisões cotidianas, como subir escadas ou usar o elevador, ou quais alimentos são escolhidos na hora do café da manhã.
RESPEITAR A LIBERDADE DE ESCOLHA
Por sua vez, o professor de Economia Aplicada da Universidade de Múrcia, José María Abellán, explicou que os “nudges” respeitam a liberdade de escolha, uma vez que não são coercitivos. Por meio desses “empurrões”, é possível melhorar os hábitos de vida, estimular a atividade física e uma alimentação variada, combater o sedentarismo ou aumentar a adesão aos tratamentos farmacológicos.
No entanto, para isso, é necessário que a informação seja visual, compreensível e simples, e que se ofereçam outros tipos de microincentivos, como lembretes por mensagens de texto ou a assinatura de contratos de compromisso entre o paciente e sua família, entre outros.
Os “nudges”, por sua vez, são econômicos e socialmente aceitos, pelo que podem ser “implementados” no Sistema Nacional de Saúde. Segundo Abellán, a rede de Atenção Primária, a cobertura farmacêutica e a digitalização do sistema de saúde deveriam projetar essas ferramentas “levando em conta as desigualdades socioeconômicas”.
Além disso, ele destacou a “estreita colaboração com as comunidades autônomas, já que são elas que vão ‘tornar realidade’ a implementação dos ‘nudges’ em cada território”.
“É preciso desenvolver guias que orientem os profissionais de saúde sobre como projetar, avaliar e implementar os ‘nudges’, para promover a participação das instituições espanholas nas iniciativas europeias existentes sobre o tema”, continuou.
SEM CULPABILIZAR
O responsável pela Unidade de Lipídios e Risco Vascular do Hospital 12 de Outubro, Agustín Blanco, declarou que as conversas motivacionais ajudam os pacientes a melhorar seu estilo de vida sem culpá-los, mesmo que tenham doenças congênitas. “Isso não significa que estejam perdidos para o resto da vida, mas que melhorar seu estilo de vida é fundamental”, explicou.
Ao mesmo tempo, destacou a importância de “responsabilizar o paciente” para que ele esteja ciente das escolhas que faz ou “do dinheiro que está gastando”. Nesse sentido, a relação bidirecional entre a Atenção Primária e a Atenção Especializada é fundamental para conhecer melhor o paciente, encaminhá-lo adequadamente e tratá-lo de forma mais personalizada.
A presidente da Associação de Pacientes da Fundação Espanhola do Coração, Maite San Saturnino, destacou que as associações têm um “papel fundamental” como agentes de acompanhamento, ação e legitimação social dos “nudges” e do roteiro. Por isso, elas “amplificam” o impacto dessas medidas ao transferi-las para o ambiente real do paciente.
Por fim, a professora da Faculdade de Psicologia da Universidade Autônoma de Madri, Hilda Gambara, destacou que os “nudges” devem ser fáceis de entender e usar, e que devem orientar os pacientes sem ocultar informações. Além disso, ela esclareceu que as informações apresentadas em contextos positivos são “assimiladas e integradas” de maneira mais eficaz.
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