Andre M. Chang / Zuma Press / Europa Press
MADRID 17 set. (Portaltic/EP) -
Um relatório da Mozilla sobre os modelos de Inteligência Artificial (IA) de código aberto traça o panorama atual desse setor, no qual o “código aberto” (modelos como Kimi K3, Qwen ou DeepSeek) alcançou os modelos fechados (ChatGPT e Claude) em termos de capacidade e preço, a ponto de o melhor modelo aberto ficar apenas três pontos atrás do líder fechado, com um preço 60% menor.
A Mozilla publicou a versão 1.1 de seu relatório “The State of Open Source AI” em setembro deste ano, no qual, além de mostrar como a distância entre os modelos fechados e os abertos (aqueles cujos parâmetros são publicados e qualquer pessoa pode baixar e executar) está diminuindo, revela que os pesos abertos continuam apresentando falhas na implantação.
Os dados apresentados pelos “benchmarks” do relatório mostram que o Kimi K3 é o modelo de pesos abertos que colocou em dúvida os modelos de ponta Fable 5, da Anthropic, e Sol, da OpenAI, ao alcançar o primeiro lugar no ranking da LMArena para o código “front-end”, e liderando, logo em sua estreia, seis das sete seções dessa categoria, além de programação geral, execução de instruções e conhecimento geral.
Onde ele fica praticamente empatado com o Sol, da OpenAI, é nas tarefas automatizadas (88,3 contra 88,8), embora perca para o Fable 5 na resolução de incidentes reais de “software” (81,2 contra 86,6). E fica atrás do modelo fechado no trabalho profissional de conhecimento, com o Fable 5 obtendo sua maior vantagem sobre o K3, assim como no tratamento de textos muito longos sem perder o fio da meada e a naturalidade na conversa.
Em comparação com o Fable 5, o melhor modelo aberto fica apenas dois pontos atrás, mas custa 30% do preço do modelo fechado, o que acarreta uma série de implicações econômicas, embora a implantação continue sendo um dos maiores pontos fracos dos pesos abertos chineses.
O “TOOLING”, O GRANDE OBSTÁCULO
O “tooling” (ferramentas de software que envolvem o modelo) é o maior problema enfrentado pelas empresas ou desenvolvedores que preferem os modelos abertos. Segundo o relatório, os modelos abertos chegam à produção com uma vantagem de 12 pontos a menos que os fechados e captam apenas 4% da receita.
Com esses dois dados, fica mais fácil entender que, embora 79% dos desenvolvedores utilizem modelos abertos, apenas 51% os levaram à produção. Um número que contrasta com os 63% dos modelos fechados, que continuam levando vantagem nesse aspecto.
“Essa lacuna indica que não estamos diante de um problema puramente de qualidade do modelo, mas sim de falta de infraestrutura. As taxas de implantação dos modelos abertos mal aumentam com o tamanho da empresa, o que evidencia uma falta de ferramentas e suporte maduros”, destaca o analista de mercado da SlashData, Álvaro Ruiz Cubero, sobre a pesquisa da Mozilla realizada com mais de 950 desenvolvedores, e no qual ele destaca que “os compradores estão priorizando as condições de licença (31%) e a propriedade (26%), o que indica uma clara mudança em direção ao controle e à flexibilidade em detrimento da capacidade bruta”.
Este mês de agosto foi o primeiro em que um modelo aberto liderou o OpenRouter (a plataforma que encaminha solicitações para vários modelos de IA) em número de solicitações, após 51 semanas de liderança do Google, até que um modelo da DeepSeek assumiu a liderança em 3 de agosto. Além disso, os quatro primeiros modelos de ponta são fechados, enquanto os quatro seguintes são abertos.
Além disso, oito dos dez modelos com maior volume de tokens são de peso aberto, e exatamente sete deles são de fabricação chinesa. De fato, a China e o Leste Asiático lideram a adoção da IA aberta com 89%, um número muito à frente do Ocidente e que se tornou uma estratégia nacional.
QUESTÃO ECONÔMICA
O fato de as empresas se voltarem para os modelos de pesos abertos, ainda mais quando estes se aproximam em desempenho, deve-se principalmente a uma questão econômica. A Uber, segundo a Bloomberg, esgotou seu orçamento anual de IA em quatro meses devido ao pagamento de tokens da Claude Code. Cada modelo fechado cobra por cada fragmento de texto processado, e não por uma tarifa fixa, o que dispara os gastos com o uso intensivo. A resposta da Uber foi estabelecer um teto de 1.500 dólares por mês por funcionário.
O mesmo ocorre com a instabilidade dos modelos de ponta dos Estados Unidos, o que, para as empresas, é um fator a ser monitorado. Principalmente com o episódio da interrupção do Fable 5, já que, após seu lançamento, ele ficou 19 dias inacessível por ordem do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Um modelo de pesos abertos, por outro lado, é executado no servidor da própria empresa e está sempre disponível.
Por fim, além da perspectiva econômica e da disponibilidade de um modelo de IA, o relatório da Mozilla destaca que a batalha no setor não se dá mais no modelo, mas no “harness”, que é a camada de software que determina o que um agente de IA pode ver, lembrar e fazer.
Nesse sentido, em maio, as ferramentas independentes estavam 21,8 pontos à frente das dos próprios laboratórios. Mas esse novo campo de batalha não favorece os pesos-pesados, sendo, na verdade, uma nova frente na qual os grandes laboratórios contra-atacaram com seus próprios “harness” internos e, em oito semanas, reduziram essa vantagem para apenas três pontos. Um exemplo desses ‘harness’ fechados é o Claude Code, da Anthropic.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático