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MADRID, 5 nov. (EUROPA PRESS) -
Um novo experimento da Universidade da Flórida (Estados Unidos) revela que os micróbios da Terra podem se desenvolver em condições extremas semelhantes às que poderiam existir logo abaixo da superfície de Marte, o que sugere novas linhas de pesquisa na busca por possível vida celular no planeta vermelho.
O trabalho foi publicado na revista “Applied and Environmental Microbiology”, uma publicação da Sociedade Americana de Microbiologia.
O estudo, liderado por Adam Robinson, pesquisador da Universidade da Flórida, testou se um microrganismo halófilo seria capaz de fazer algo além de simplesmente sobreviver às diversas condições adversas de Marte. Essas condições incluem aquelas que existiriam na superfície e, potencialmente, no subsolo.
O microrganismo conseguiu se reproduzir e utilizar substâncias químicas do ambiente para manter seu metabolismo, embora seu crescimento tenha sido consideravelmente mais lento do que em culturas semelhantes mantidas à pressão atmosférica terrestre.
Os microrganismos cresceram durante meses em apenas uma fração da atmosfera normal da Terra, em uma solução sete vezes mais salgada que a água do mar e respirando substâncias químicas semelhantes à água sanitária.
Os cientistas se concentraram no Haloferax volcanii, um microrganismo conhecido como extremófilo por sua capacidade de tolerar condições extremas aqui na Terra.
Eles escolheram o Haloferax devido à sua conhecida preferência por ambientes com alta concentração de sal, semelhantes aos encontrados no subsolo raso de Marte.
Experimentos anteriores tentaram responder a perguntas semelhantes. Os pesquisadores cultivaram microrganismos terrestres sob condições específicas de estresse associadas a Marte, como altas concentrações de sal ou baixa pressão.
Outros estudos verificaram se os organismos sobrevivem após a exposição simultânea a diversas condições extremas, muitas vezes por apenas algumas horas ou dias. “Muito poucos conseguiram combinar essas condições e demonstrar que os microrganismos podem crescer ativamente”, comenta Robinson.
Para este experimento, a equipe manteve culturas de Haloferax em condições sem oxigênio e ricas em dióxido de carbono por 160 dias.
Os micróbios receberam nitrato ou perclorato, compostos relevantes para Marte que poderiam ser utilizados no lugar do oxigênio durante a respiração.
As culturas que não receberam nenhum desses compostos químicos permaneceram viáveis, mas não apresentaram crescimento perceptível, o que ajudou os cientistas a distinguir entre sobrevivência e reprodução.
A observação dos processos microbianos nessas condições pode ajudar os cientistas a distinguir entre possíveis bioassinaturas de células extintas e os processos biológicos de células vivas ou existentes. Os pesquisadores também observaram estruturas densas chamadas biofilmes nas culturas em crescimento sob baixa pressão.
É possível que esses biofilmes tenham ajudado a reter a água na solução salina, já que as culturas perderam pouca água durante o experimento. O laboratório não reproduziu todas as condições que os organismos encontrariam em Marte. As culturas foram mantidas a 21 graus Celsius, enquanto a maior parte do subsolo marciano é muito mais fria.
Além disso, receberam nutrientes fornecidos pelos pesquisadores. E as bolsas de água líquida que foram projetadas para imitar ainda não foram confirmadas em Marte. “O ambiente que estamos imitando neste experimento não foi observado em Marte, mas acredita-se que exista”, esclarece Robinson.
Essa distinção é importante. Os resultados não comprovam que exista vida em Marte atualmente. No entanto, sugerem que futuras missões que explorarem seu subsolo deveriam considerar se alguns ambientes poderiam abrigar vida ativa, em vez de buscar apenas evidências de que houve vida há bilhões de anos.
Os cientistas também devem reconsiderar suas suposições sobre o que torna um ambiente propício à vida. Qualquer microrganismo que tenha evoluído em Marte teria tido bilhões de anos para se adaptar às condições mutáveis do planeta.
“Eles evoluíram dentro do ambiente marciano que consideramos hostil. Portanto, o que é hostil para nós não será necessariamente hostil para esses micróbios”, lembram os autores.
Este trabalho também oferece uma maneira de testar como os microrganismos poderiam se comportar nesses ambientes, informação que poderia ajudar os cientistas a projetar experimentos de detecção de vida e reduzir o risco de transportar microrganismos terrestres para Marte a bordo de naves espaciais.
“Estamos apresentando mais evidências que sugerem que devemos considerar, já hoje, a possibilidade de vida em Marte”, conclui Robinson.
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