MARVINH/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 2 fev. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF) alertou, no âmbito do Dia Mundial contra o Câncer, que sua especialidade é “a grande esquecida” dos tratamentos contra o câncer no Sistema Nacional de Saúde (SNS), apesar de a reabilitação ter um papel fundamental antes, durante e depois do início da radioterapia, quimioterapia ou cirurgia.
“A reabilitação deve sempre fazer parte do tratamento oncológico, para todos os tipos de câncer e para todas as fases da doença e do tratamento. Ela tem uma dose e uma frequência específicas, mas que o paciente tem que colocar em prática”, destacou a médica reabilitadora e secretária da SERMEF, Astrid Teixeira Taborda.
De acordo com as últimas revisões bibliográficas, os pacientes que podem ser considerados fisicamente ativos e/ou que foram submetidos a programas de pré-reabilitação cirúrgica apresentam uma melhora significativa, respondem melhor aos tratamentos oncológicos, têm menos complicações cirúrgicas e passam menos tempo internados.
“Muitos pacientes enfrentam sequelas como fadiga, dor, diminuição da mobilidade por fraqueza ou cicatrizes que limitam a função, bem como problemas neurológicos que afetam a mobilidade e o equilíbrio, interferindo em sua vida diária e na de seus familiares”, explicou.
É aqui que os médicos reabilitadores podem intervir, trabalhando na prevenção para minimizar complicações e elaborando programas personalizados que abordam as necessidades específicas de cada paciente. “Desde o controle da dor até a melhora da mobilidade, a reabilitação é uma aliada indispensável para uma recuperação integral e precoce”, destacou.
Embora atualmente estejam sendo criadas Unidades de Reabilitação Oncológica nos hospitais da Espanha, Teixeira lamentou que “ainda há um longo caminho a percorrer” para resolver o déficit existente, também na formação de médicos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. COMO É A REABILITAÇÃO DO CÂNCER?
Astrid Teixeira explicou que os programas de reabilitação são coordenados por um médico reabilitador, acompanhado por fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, sempre em conjunto com outras especialidades, como Oncologia, Oncologia Radioterápica, Geriatria, Endocrinologia, Hematologia, Urologia, Ginecologia ou Cirurgia Geral, entre outras.
Esses programas trabalham na criação de um plano integral personalizado, que avalia o diagnóstico oncológico, a área afetada, o tratamento a ser recebido, sua dosagem e duração, sem esquecer a situação funcional anterior ao diagnóstico e as preferências do paciente. Para isso, são sempre estabelecidos objetivos de curto e longo prazo que favoreçam a adesão e sejam direcionados a manter e restabelecer o bem-estar físico e emocional, permitindo uma melhoria na qualidade de vida e uma recuperação mais rápida, minimizando ao máximo as possíveis sequelas.
Esses programas podem incluir técnicas de terapia manual para diminuir a dor muscular e osteoarticular; planos de exercícios terapêuticos para melhorar a resistência cardiopulmonar, reduzir a fadiga e aumentar a força e a mobilidade; exercícios de respiração e relaxamento para ajudar a diminuir o estresse e lidar com a ansiedade; bem como o ajuste da medicação analgésica ou a avaliação da necessidade de infiltrações ou bloqueios nervosos para aliviar a dor.
“A função do médico reabilitador é identificar as limitações e fraquezas dos pacientes, prevenir lesões futuras, restaurar e apoiar durante todo o processo do câncer e paliar as possíveis sequelas, oferecendo ferramentas que facilitem e melhorem sua qualidade de vida”, resumiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático