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MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF) alertou que, devido às listas de espera do sistema de saúde, muitos pacientes com doenças musculoesqueléticas — como dor lombar, cervicalgia ou problemas nos joelhos — recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa, como o “ChatGPT”, para procurar exercícios com os quais tratar os sintomas por conta própria.
Diante dessa situação, os médicos reabilitadores lembram que o exercício terapêutico faz parte de um tratamento médico e deve ser sempre indicado e supervisionado por um médico reabilitador.
Por ocasião do Dia Mundial da Reabilitação, comemorado em 23 de março, a presidente da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF), Helena Bascuñana, destacou que “o tempo médio de espera no Sistema Nacional de Saúde para ser atendido nos Serviços de Reabilitação por patologias comuns, como as osteoarticulares e a osteoartrite, é de cerca de quatro meses”, e acrescentou que “diante desses tempos de espera, muitos pacientes optam por buscar soluções por conta própria”.
Nesse sentido, ela explicou que “algumas pessoas recorrem a ferramentas de IA para iniciar exercícios terapêuticos sem supervisão médica”, e insistiu que “o exercício na medicina física e reabilitação não é uma recomendação geral, mas uma intervenção terapêutica que requer avaliação prévia, objetivos definidos e uma adaptação à situação clínica de cada paciente”.
Bascuñana explicou que “o principal benefício potencial das ferramentas de inteligência artificial é melhorar a compreensão: explicar diagnósticos, exames e tratamentos em uma linguagem mais acessível. E, além disso, ajudar a preparar a consulta”. Nesse sentido, a presidente da SERMEF acrescentou que essas ferramentas “podem oferecer informações abrangentes, embora com variabilidade na precisão, e sempre necessitam de validação humana”.
No entanto, ela alertou que “o principal risco da IA é a alucinação: respostas plausíveis, mas incorretas ou inventadas, o que, na área da saúde, pode levar a atrasar uma emergência ou a iniciar comportamentos prejudiciais, como um exercício que, em vez de curar, agrava a lesão”. Da mesma forma, a especialista alertou para a “falta de contextualização clínica da inteligência artificial, por não coletar todas as informações necessárias para uma avaliação adequada nem identificar situações potencialmente graves”.
Além disso, ela ressaltou que as ferramentas de IA “não diagnosticam nem prescrevem; mas oferecem informações e apoio conversacional”, pelo que “seu uso deve ser sempre entendido como complemento e nunca como substituto do ato médico”. Nesse sentido, ela defendeu que “o médico reabilitador é quem garante a segurança, o contexto clínico e a indicação correta do tratamento”.
FERRAMENTAS DE EXERCÍCIO TERAPÊUTICO SEM IA
Da mesma forma, Bascuñana destacou que a SERMEF dispõe de uma ferramenta específica para a prescrição de exercícios terapêuticos baseada em evidências científicas, criada por profissionais especialistas em exercício terapêutico, que é a sua plataforma digital de exercícios. “É de acesso livre e gratuito e está organizada por regiões anatômicas, como cervical, lombar, ombro, cotovelo, quadril ou joelho. Permite selecionar programas que demonstraram eficácia ou elaborar programas personalizados adaptados a cada paciente”, explicou.
Nesse contexto, a presidente da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física enfatizou que o exercício terapêutico “faz parte de um tratamento médico e deve ser sempre indicado e supervisionado por um especialista, dentro de uma abordagem integral e multidisciplinar voltada para melhorar a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes”.
Por fim, a presidente da SERMEF afirmou que as ferramentas de IA podem ser úteis como “apoio entre consultas para educação em saúde ou lembretes de hábitos saudáveis, sempre sob o princípio de complementar, não substituir”, e concluiu que “uma resposta bem redigida não equivale necessariamente a uma resposta correta, pelo que é imprescindível a validação por parte dos profissionais de saúde”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático