Publicado 26/05/2026 11:13

Os médicos em formação ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado em setembro caso suas condições de trabalho não melhorem

Médicos e profissionais da área da saúde durante uma manifestação em frente ao Hospital de Móstoles, em 19 de maio de 2026, em Móstoles, Madri (Espanha). Médicos e profissionais da área da saúde da Comunidade de Madri iniciaram ontem, 18 de maio, a quarta
Eduardo Parra - Europa Press

MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -

A Associação MIR Espanha considera que “chegou a hora de dar um passo à frente” na defesa dos médicos residentes e do futuro da saúde pública, e ameaça com uma greve por tempo indeterminado em setembro caso suas condições de trabalho não melhorem com “avanços reais e verificáveis”.

Durante anos, afirmam que os médicos residentes têm sustentado grande parte da atividade assistencial em condições “cada vez mais difíceis”, com “jornadas excessivas, sobrecarga assistencial, dependência estrutural dos plantões e perda progressiva de poder aquisitivo e qualidade formativa”.

Agora, apesar de “meses de mobilizações, manifestações e jornadas de greve”, o coletivo continua observando “uma ausência de medidas reais e uma falta de vontade negociadora suficiente para abordar os problemas estruturais que afetam nosso coletivo”.

Consideram que é o momento de abordar de fato a limitação efetiva da jornada de trabalho e dos plantões; o registro real e transparente do tempo de trabalho; a melhoria do salário-base e a homogeneização salarial entre as comunidades autônomas; o fim da dependência estrutural dos plantões para alcançar um salário digno; a proteção efetiva do tempo de formação; a supervisão clínica real e garantida, especialmente no Pronto-Socorro; a melhoria das condições de descanso, conciliação e folga pós-plantão, e o reconhecimento institucional e profissional do coletivo MIR.

Da mesma forma, manifestam sua preocupação com aquelas entidades ou organizações que, “longe de se posicionarem claramente em defesa dos médicos e de suas condições de trabalho”, optaram por questionar ou enfraquecer as mobilizações legítimas do coletivo. Por esse motivo, alertam que reavaliarão suas relações institucionais e futuras linhas de colaboração com as organizações que mantiverem posições contrárias aos interesses do coletivo médico.

NÃO SE TRATA APENAS DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO

“Acreditamos que este é um momento crucial para a profissão. Já não bastam declarações simbólicas nem medidas parciais. Nós, médicos residentes, precisamos de mudanças reais, estruturais e corajosas. Porque cuidar daqueles que sustentam o sistema de saúde não pode continuar dependendo do sacrifício constante de seus profissionais”, afirmam.

A associação lembra que não se trata apenas de suas condições de trabalho, mas também da segurança clínica, da qualidade da assistência e da sustentabilidade do sistema de saúde.

A Associação MIR Espanha não apresenta esta mobilização como uma “medida simbólica”, mas sim ligada a objetivos “concretos e avaliáveis”. E lembra que “em muitos hospitais, uma parte fundamental da atividade de saúde depende do voluntariado, da auto-organização e de médicos que chegam a realizar semanalmente jornadas de 80 ou até 90 horas”.

Uma situação que “nenhuma empresa privada toleraria um modelo sustentado nesse nível de sobreesforço permanente sem assumir responsabilidades diretas”; no entanto, “na área da saúde, isso se normalizou por tempo demais”. Portanto, o apoio a essa greve se baseia no fato de que “nenhum sistema de saúde pode ser construído sobre o esgotamento permanente daqueles que o mantêm em funcionamento todos os dias”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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