PIXABAY/CC0 PUBLIC DOMAIN
MADRID 23 set. (EUROPA PRESS) -
Uma nova pesquisa demonstrou, pela primeira vez, que as pegas conseguem distinguir o número de pássaros que estão chamando, reproduzindo gravações de pegas intrusas.
Pesquisadores do Centro de Biologia Evolutiva da Universidade da Austrália Ocidental já haviam estabelecido, em um estudo publicado no início deste ano, que as pegas podiam distinguir entre diferentes quantidades de alimento.
Desta vez, os pesquisadores, liderados pela Dra. Grace Blackburn, queriam descobrir se os pegas eram igualmente eficientes em distinguir a quantidade de sinais auditivos de outras aves e se essas habilidades estavam relacionadas.
"Ser capaz de distinguir quantos intrusos podem estar por perto é uma habilidade importante para os animais, que precisam avaliar se podem vencer no caso de uma briga", explicou a Dra. Blackburn em um comunicado.
COMO NO CASO DAS QUANTIDADES DE ALIMENTOS
"Queríamos descobrir se os pegas conseguiam fazer isso e, em caso afirmativo, se a capacidade cognitiva necessária para fazer isso estava relacionada de alguma forma à sua capacidade de discriminar entre diferentes quantidades de alimento."
No novo estudo, a equipe convidou novamente as pegas a escolher entre diferentes quantidades de alimentos e descobriu que elas eram capazes de distinguir entre dois e três, dois e quatro, e dois e cinco pedaços de queijo.
Em seguida, eles reproduziram as mesmas gravações dos pegas com um, dois ou três intrusos chamando e observaram o nível de canto e vigilância que eles demonstraram em resposta.
Eles observaram que os pegas passavam mais tempo vigilantes (indicado por uma postura ereta e observação do ambiente) quando havia mais intrusos chamando do que quando havia apenas um.
"Foi muito interessante ver que elas conseguem distinguir se o canto vem de um indivíduo, de dois ou de três, o que é muito importante para elas em termos de competição entre grupos", disse o Dr. Blackburn.
Mas quando os pesquisadores se aprofundaram nas respostas dos pegas individuais para verificar se havia uma relação entre o desempenho deles nas duas tarefas, os resultados foram inesperados.
"Pensamos que as aves que eram melhores em discriminar entre, digamos, cinco e dois pedaços de queijo também seriam melhores em discriminar entre três e um único chamador; que elas responderiam com maior vigilância a três chamadores porque eles representavam a maior ameaça", disse o Dr. Blackburn.
"Em contraste, descobrimos que, embora as pegas estivessem mais vigilantes quando havia mais pessoas chamando, aquelas que tiveram melhor desempenho na tarefa de comida passaram menos tempo acompanhando a reprodução das três pessoas chamando do que as pegas que não eram tão boas em identificar grandes quantidades de comida.
"Portanto, encontramos uma correlação, mas foi o oposto do que esperávamos e não temos certeza do motivo."
Em um artigo publicado na revista Behavioural Ecology, os pesquisadores discutiram possíveis explicações para o resultado inesperado.
AVALIAÇÃO DE AMEAÇAS
Isso incluiu a possibilidade de que as pegas que tiveram melhor desempenho na tarefa cognitiva baseada em alimentos e que passaram menos tempo vigilantes poderiam simplesmente ser mais rápidas na avaliação do baixo nível de ameaça representado apenas por sinais acústicos, em comparação com evidências acústicas e visuais de intrusos.
Por outro lado, os pegas mais vigilantes podem ter tido mais experiência em conflitos e interações intergrupais e, portanto, níveis de estresse mais altos que os tornaram mais alertas à ameaça percebida.
"Como se sabe que o estresse afeta o desempenho cognitivo, isso também poderia explicar por que esses indivíduos não foram tão bons na tarefa de comer", disse o Dr. Blackburn.
Em uma terceira teoria, os pesquisadores consideraram que as habilidades cognitivas usadas nas duas tarefas poderiam ser sustentadas por domínios diferentes, com alguns indivíduos simplesmente sendo mais habilidosos em um domínio, como o processamento visual, do que em outro, como o processamento auditivo.
"São necessárias mais pesquisas para entender a relação negativa que observamos, mas o fato de haver alguma ligação entre o desempenho da tarefa é significativo", disse o Dr. Blackburn:
"Nossas descobertas não apenas ampliam o trabalho que documenta a capacidade de discriminação quantitativa entre espécies, mas também fornecem algumas das primeiras evidências de que o desempenho em tarefas espontâneas de discriminação quantitativa pode estar relacionado a situações ecologicamente relevantes."
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático