MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -
A coordenadora do grupo de trabalho de Cuidados Paliativos da Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI), Gema Flox, enfatizou que os cuidados paliativos estão associados ao fim da vida, mas "já são muito relevantes antes desse momento, em qualquer fase de uma doença crônica, avançada ou com risco de vida", seja de origem oncológica ou não oncológica, como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou doença renal, entre outras.
"O principal objetivo da intervenção das equipes de cuidados paliativos é melhorar a qualidade de vida do paciente, aliviar seu sofrimento (físico, emocional e espiritual) e dar apoio tanto ao paciente quanto à sua família durante todo o processo da doença", explicou Flox no âmbito da 'V SEMI Palliative Care Conference', que começará no dia 28 de fevereiro.
Assim, o especialista indicou que os cuidados paliativos devem ser oferecidos a partir de um enfoque integral, que "engloba o controle dos sintomas físicos, com tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, e o apoio emocional ao paciente e ao seu entorno, promovendo um cuidado mais humano e compassivo".
"A capacidade de avaliação abrangente do paciente, a visão holística da doença e a experiência no manejo de patologias complexas fazem do internista um profissional ideal para liderar equipes de cuidados paliativos", acrescentou.
Para o coordenador do Grupo de Trabalho de Cuidados Paliativos da SEMI, o treinamento em cuidados paliativos avançou nos últimos anos, mas "ainda é insuficiente na graduação e na pós-graduação".
Por isso, ela diz que são necessárias novas gerações de internistas treinados em cuidados paliativos: "A integração do ensino de conhecimentos sobre cuidados paliativos de forma transversal na formação médica é muito necessária, não apenas como uma área especializada, mas como uma competência básica para todos os profissionais de saúde".
CUIDADOS E ESTRATÉGIAS PARA O FIM DA VIDA
"Os cuidados de fim de vida devem envolver o paciente e a família nas decisões, explicando os objetivos e as limitações do tratamento; devem também proporcionar acompanhamento emocional e espiritual, em um ambiente calmo e digno, com a prioridade de aliviar o sofrimento, evitando medidas que prolonguem a agonia sem melhorar a qualidade de vida do paciente", ressaltou a ex-coordenadora do Grupo de Cuidados Paliativos, Susana Plaza.
De acordo com a especialista, o suporte nutricional e a medicação são prescritos com uma abordagem paliativa, priorizando o conforto e a qualidade de vida do paciente em detrimento de medidas agressivas ou invasivas. O suporte nutricional é administrado por via oral sempre que possível, e o paciente pode consumir o que for mais agradável e tolerável, sem forçar a ingestão.
Em pacientes em agonia ou com diminuição do nível de consciência, a nutrição enteral (sonda nasogástrica ou gastrostomia) e parenteral (intravenosa) geralmente não prolonga a vida e pode causar desconforto, como dispneia, edema ou secreções excessivas. Em vez disso, podem ser administradas medidas para reduzir a boca seca, como umedecer a boca com gaze molhada ou aplicar lubrificantes nos lábios.
As medidas farmacológicas consistem em medicação para os sintomas. A dor é controlada com opioides (morfina, fentanil, oxicodona), que são ajustados de acordo com a dor e a via de administração mais confortável (oral, subcutânea, transdérmica), administrados em doses baixas para dispneia e secreções respiratórias.
Por outro lado, os anticolinérgicos (escopolamina e glicopirrolato) são aplicados para reduzir as secreções e o estertor da morte. As náuseas e os vômitos são tratados com haloperidol, metoclopramida ou dexametasona, dependendo da causa e dos sintomas do paciente.
Por fim, a ansiedade e a agitação grave ou o delírio terminal são tratados com benzodiazepínicos (midazolam, lorazepam) e antipsicóticos (haloperidol, quetiapina) e a sedação paliativa, indicada quando os sintomas são refratários (dor, dispneia ou agitação grave), é realizada com medicamentos como midazolam ou propofol em infusão subcutânea ou intravenosa.
V DIA DE CUIDADOS PALIATIVOS DA SEMI'.
A SEMI realizará a 'V Jornada de Cuidados Paliativos' (5th Palliative Care Conference) de 28 de fevereiro a 1º de março em Madri. A conferência, organizada pelo grupo de trabalho de Cuidados Paliativos da SEMI, oferecerá uma atualização de conhecimentos para melhorar a prática clínica, combinando treinamento teórico e prático, com uma abordagem multidisciplinar, com a presença de profissionais de enfermagem e psicologia entre os palestrantes, e com foco na humanização do atendimento.
Além disso, serão abordados aspectos como a comunicação no manejo do sofrimento, os desafios atuais na sedação paliativa e o manejo prático da via subcutânea.
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